You are currently browsing the tag archive for the ‘Clube do livro’ tag.

O Clube do Livro foi uma experiência muito bem sucedida que reuniu alguns amigos virtuais que tem algo em comum: gostar de livros e de leitura. Durante algum tempo, neste espaço, falamos de livros, de temas e discutimos assuntos variados, sempre sob a ótica de estímulo à leitura e do amor pelos livros, sejam eles de que gênero forem.

O tempo e os afazeres de cada um, no final, acabaram por dificultar o prosseguimento da ideia inicial. Então, se você chegou até aqui, saiba que este blog deixou de ser atualizado, mas todo o seu conteúdo está disponível. Fique à vontade para explorar o que foi dito, ver os livros que lemos e discutimos, o que dissemos sobre eles. Enfim, tudo o que foi feito continua on line.

E obrigado pela visita.

E é com o livro Mrs. Dalloway de Virgínia Woolf que encerramos um ciclo de leitura aqui no Clube do Livro. Sete autores e sete livros lidos e discutidos !

Não… não… isso não quer dizer que o Clube acabou. No entanto, final de ano chegando, correria para terminar de cumprir todas as tarefas planejas para o ano passado que ainda não foram cumpridas, planejamento para as festas e viagens do final do ano, enfim, o Clube do Livro resolveu então já entrar no clima de festa e de mudança inaugurando, até o final das férias, o Livroscópio !!!

Neste final de ano, o Clube do Livro vai dar um giro

multi-colorido pelo universo dos livros !”

Ethel Scliar

Sairemos do convencional e cada autor, até o início do ano que vem, publicará semanalmente algumas dicas de leituras, trechos que achamos interessantes para apimentar seu dia-a-dia nessas férias que está por vir !

Gostariamos de contar com a colaboração de nossos leitores, que também poderão participar do Livroscópio sugerindo livros em forma de comentário nesse blog.

Vamos todos recarregue as energias, para ano que vem iniciar um novo ciclo aqui no nosso Clube do Livro a todo vapor !

As atividades do Clube voltarão ao normal no dia 5 de janeiro de 2009.

Até lá, com vocês, Livroscópio !

Lys (Representando todos os autores do Clube do Livro)

Hoje eh dia de encerrar a Trilogia dos Excludentes e Excluidos que conta com os posts: Amizade (que ja foi publicado aqui), Cumplicidade (que tambem ja foi publicado aqui) e Incesto. Hoje vou publicar a terceira e ultima parte.

Incesto:

O diferencial nesse conto, no meu ponto de vista eh o incesto como Lino citou bem em seu post. E depois a Scliar reforcou em um dos posts dela. A amizade era forte porem normal segundo o que eh entendido como normal pela sociedade, a separacao dos casais compreensivel, o amor das mulheres pela sua cidade compreensivel, o relacionamento de uma mulher mais velha com um rapaz jovem tambem eh compreensivel. O que nao eh compreensivel, nem mesmo pelas protagonistas, eh o fato de esses rapazes serem praticamente seus filhos.

Na wikipedia achei uma definicao bastante interessante de incesto e nesse caso do livro a relacao pode sim ser definida como incestuosa de fato, como um incesto nao parental. Visto que na palavra parente pode ser incluido ligacoes maternais nao sanguineas. Com isso, fazer sexo com o filho adolescente de sua melhor amiga, que foi criado desde bebe sob seus cuidados como se fosse uma segunda mae, tambem eh definido como incesto.

Na maior parte dos paises o incesto eh legalmente proibido, mesmo que haja consentimento de ambas as partes. Ou seja, no livro, ou mesmo que eles estivessem vivendo essa experiencia na vida real, os quatro tinham motivos de sobra para manter esse segredo longe do alcance dos outros. E nesse caso “os outros” nao significa apenas nao pertencer ao grupo de amizade e sim nao pertencerem ao grupo dos “pervertidos”.

Na natureza, entre os animais e ate mesmo em nossos antepassados colonizadores, o incesto era legal e aceito com uma certa naturalidade. Um filho proveniente de uma relacao consanguinea pode reproduzir e intensificar problemas geneticos pre-existentes. Relacoes sexuais e amorozas entre pessoas ligadas em paretesco, nao necessariamente sanguineo, eh condenada pela igreja e sociedade aonde nos e as avos vivemos.

A questao eh: “Os quatro” sao de fato culpados por terem deixado esse amor acontecer ? De fato nao precisamos tomar uma posicao pois a sociedade ja o faz em maioria e as avos sabiam muito bem disso e por essa razao escondiam. Independente do que achamos ou deixamos de achar, ocorreu um incesto e essa relacao nao poderia deixar de ser excludente, como disse a Dani. No entanto, pensando por esse lado nao seria mais uma vez “os quatro” os excluidos ao inves dos excludentes ?

O fato eh que “as avos” estavam definitivamente fora do que poderia ser aceito pela sociedade que as rodeava e aos nao aceitos so resta a exclusao. De qualquer forma, eh como o Alvaro disse: So poderia acabar em merda…

Continuando o que comecei no meu post passado, hoje darei continuidade a Trilogia dos Excludentes e Excluidos que conta com os posts: Amizade (que ja foi publicado aqui), Cumplicidade e Incesto. Hoje vou publicar a segunda parte.

Cumplicidade:

Uma coisa que concordo mas ao mesmo tempo discordo dos comentarios que li eh a sugestao de que as avos tenham criado um grupo fechado aonde ninguem entra e ninguem sai. Como assim concordo discordando ? Pois bem, concordo que no final existia um grupo fechado entre os quatro (avos e filhos), mas acredito que isso tenha acontecido apenas por forcas das circunstancias. Afinal, os que nao se encaixam se excluem nao eh mesmo ?

* Segundo o ponto de vista deles: Eles eram cumplices de uma situacao que se desenrolou de forma natural que aos olhos da sociedade seria visto como um crime. Essa mistura de culpa e remorso os faziam fechar e omitir com todas as forcas o seu grande segredo. Eram os quatro cumplices de um crime que nao podia ser divulgado. Olhares atentos e preocupacoes constantes sobre a exposicao de um sentimento. Qualquer caricia ou carinho deveria ser policiado a cada momento. Se as pessoas descobrissem seria uma vergonha. Uma vergonha nao porque duas mulheres maduras e bonitas e independentes estavam tendo relacoes sexuais com adolescentes, nao por causa disso, mas sim porque esses adolescentes poderiam ser considerados seus proprios filhos. Essa propria dor que as atormentavam era a mesma fortaleza que as protegiam pois jamais ninguem suspeitou que algo do tipo poderia estar acontecendo, afinal, eram todos uma grande familia. Ser considerada lesbica nesse aspecto, mesmo que de forma equivocada, era mais confortante para as avos do que expor a vergonha de estarem apaixonadas por seus proprios filhos. Pois ser lebica as excluiriam sim, mas nao as colocariam na fogueira dos infernos como a familia Borgia do seculo atual 😉 .

Na atmosfera, uma mistura de amor, ternura, cumplicidade e acima de tudo medo que aos olhos de outros poderia ser interpretado de algumas maneiras:

a. Segundo o ponto de vista de Hannah: Eles sao apenas uma bela familia e com a cumplicidade natural de uma familia. Eh natural que exista esse carinho e cumplicidade entre os rapazes e as maes, ja que foram criados juntos desde que nasceram. Elas sao as maes deles !

b. Segundo o ponto de vista de Sam: Elas sao lesbicas e criam os meninos como se fossem seus proprios filhos. Era necessario uma presenca masculina na casa para apoiar os meninos para que eles crescessem saudaveis.

c. Segundo o ponto de vista de Mary: Eles possuem entre eles algo mais do que cumplicidade natural. Eh inconfortante saber que existe alguem que conhece seu companheiro mais do que voce em todos os aspectos
possiveis. Entao ai surge a duvida, a inseguranca e a curiosidade que levou ao descobrimento dos fatos.

Agora temos os excluidos por um lado e “os quatro” excludentes de outro. Por outro lado, “os quatro” excludentes continuam sendo excluido se considerarmos os padroes de sociedade vigente. E por esse mesmo lado os que antes eram excluidos fazem parte da sociedade excludente tambem. E de excluidos eles passar a ser excludentes 🙂

Finalmente peguei no livro. E foi assim, como todos os outros autores, lido em uma sentada. O livro eh envolvente e como o Lino ja disse, possui uma linguagem simples porem refinada. Me assustei um pouco com a primeira pagina, pois logo de cara ja encontrei umas tres palavras que eu nao sabia o significado. Achei que teria problemas com o ingles pelo fato de a autora ser britanica e tambem merecedora de um nobel de literatura. Ou seja, fui pre’ conceituosa e quebrei a cara :). Que feio ne Lys ? No final, Doris me ensinou que nao eh necessario escrever um texto rebuscado para se fazer literatura com maestria.

Adorei o conto. Como todos ja disseram aqui, achei envolvente, gostoso, dinamico e muito bem escrito. No entanto, cheguei a conclusoes diferentes das dos meus colegas autores a respeito de alguns pontos da estoria. E eh isso que acho mais interessante nesse clube sabia ? Sete pessoas lendo o mesmo livro e cada um apontando para algo interessante e segundo um ponto de vista diferente. E como disse a Scliar em um comentario no post da Cica, depois que a obra saiu das maos da Doris que as criou, as avos seguem seu rumo e cabe a nos criar o resto da historia em nossas cabecas.

Vou contar para voces alguns topicos que para mim sao pontos interessantes nesse conto, mas terei que dividir em tres partes para nao ficar muito longo (pois eh pois eh, estou comecando a me preocupar com isso). Chamarei a serie de posts de: Trilogia dos Excludentes e Excluidos que contara com os posts: Amizade, Cumplicidade e Incesto. Hoje vou publicar a primeira parte !

Amizade:

O livro conta uma estoria de amizade sincera e para toda uma vida. No meu ponto de vista a amizade entre as avos (Roz e Lil) era apenas uma amizade legal e sincera. Nao havia cobrancas e nada de ruim entre elas. Nao havia nenhuma relacao de inveja e ciumes alem do normal entre duas amigas. Nao havia tentativa de possuir a existencia da outra ou produzir dependencia. Apenas uma amizade que evolui em ciclos, seguindo seu rumo e brilhando em palcos paralelos, porem sempre proximas. Nao por obrigacao, mas apenas por opcao.

Segundo o ponto de vista de Harold (marido de Roz), era inconcebivel dividi-la com outra pessoa. Nao entendia como sua esposa poderia ser mais intima de uma terceira pessoa do que com ele proprio. Eh bastante facil compreender o lado de Harold tambem, pois quando nos casamos queremos de certa forma possuir o companheiro e ser a pessoa mais importante da vida dos nossos conjugues. Vai dizer que nao ? Nao conheco nenhum casal que seja diferente.

No entanto ate mesmo Harold no final chegou a conclusao de que nao havia nada de mal entre as avos, e sim, que ele gostaria de ter uma relacao mais tradicional que finalmente conquistou no futuro e todos viveram felizes e em harmonia. Uma familia tradicional e bacaninha de acordo com os padroes de felicidades da maioria.

Apesar de Lil ter sido o pivo da separacao, nao ha nenhuma evidencia no livro que indique que o motivo principal da decisao de nao mudar de cidade com o marido tenha sido o fato de ficar longe da amiga. Roz tinha sua vida ligada a cidade, sua carreira e seus desejos futuros. Ficar foi uma opcao aonde pesaram varios fatores nao somente a amizade. Eu faria diferente, pois tambem gosto desse esquema bacaninha de acordo com os padroes de felicidades da maioria, mas entendo que Roz teve motivos de sobra para ficar.

Agora aqui me pergunto, quem era o excluido e quem era o excludente da relacao ? Harold se sentia excluido da relacao entre Roz e Lil. Por outro lado ele disse que Roz nao se encaixava no grupo de pessoas normais capazes de compor uma familia tradicional segundo os padroes vigentes na sociedade. Ou seja, agora a excluida eh Roz e Lil ?

Ainda nao li o livro. Passei por um periodo de ferias dos blogs e me ausentei domingo passado aqui do Clube por pura exaustao. Mas, bola para a frente que atras vem gente… hoje ja coloquei tudo em dia, li todos os posts que perdi e devo confessar que isso so me fez ter mais vontade de ler e de hoje nao passa !

Como ainda nao li, hoje vou falar de algo que acho super interessante que eh o processo criativo. Afinal, o que define um livro bem escrito o qual temos tanto prazer de ler se nao a capacidade criativa e descritiva de algumas pessoas tal como a Doris ?

O processo criativo eh algo de fato interessante e ao mesmo tempo intrigante. Aposto que muitos de voces tambem ja tiveram a mesma impressao que eu ao escutar a entrevista com algum musico famoso e se decepcionar com a falta de expressividade ou ate mesmo com sua antipatia e sua falta de vontade em dar entrevistas e interagir com o publico. Muitas vezes nos perguntamos: Como eh que pode esse “mala sem alca” ter criado algo tao genial, tao doce, tao lindo ? O problema eh que a maioria das vezes vemos a obra pronta, mas nao o processo criativo. E durante o processo criativo essas pessoas geniais muitas vezes se transformam em pessoas desconhecidas ate mesmo para os proprios criadores. No entanto, eh facil para nos entender e respeitar as excentricidades do Joao Gilberto apos ve-lo executar a musica “chega de saudade” com uma perfeicao impar por conta de sua insistencia por uma afinacao perfeita. Por outro lado isso eh ainda mais complexo de entender no caso de um escritor que jamais veremos em acao de fato.

Alguns autores se trancam em seus quartos com suas maquinas de escrever ou computadores. A necessidade de ter seu proprio quarto ou cantinho para se isolar do mundo real e entrar no mundo criativo foi discutido muito seriamente por Virginia Woolf, escritora britanica que escreveu um trabalho entitulado A Room of One’s Own com a famosa frase: “a woman must have money and a room of her own if she is to write fiction”, nos colocando a importancia de se ter um lugar so seu para escrever e criar uma obra. Esse era o argumento que ela encontrava para justificar o fato de nao haver muitas mulheres escritoras na epoca dela.

Mas como sera essa cantinho de cada escritor ? Acho que nao precisa ser necessariamente um quarto ou um escritorio sombrio cheio de fumaca de cigarros. Pelo contrario, pode ser algo totalmente diferente. Simone de Beauvoir por exemplo escreveu a maior parte de suas obras em cafes, o mais famoso deles eh o Cafe de Flores que fica na Saint Gremain des Pres em Paris. O cafe ainda existe e mantem a mesma decoracao Art Deco da epoca, mas apesar de caro pra caramba vale super a pena entrar e tomar um chocolate quente so para reviver a atmosfera aonde tantos escritores brilhantes costumavam passar horas de seus dias e aonde tantos personagens interessantes foram criados.

Neil Gaiman, escritor de ficcao cientifica e quadrinhos, incomodado com a dificuldade das pessoas entenderem esse tal processo criativo de um escritor, decidiu ficar por algum tempo escrevendo dentro de uma sala de vidro em um ambiente publico. Uma especie de reality show para escritores. Eu ja vi isso em algum dos lugares que estive e achei engracado.

O problema eh que infelizmente nao ha nada de magico acontecendo dentro do quarto de um escritor durante o processo criativo pois ele todo se passa dentro de sua cabeca. Nos de fora veriamos apenas o silencio… absoluto silencio… e ignorariamos por completo todo o mundo magico que esta sendo criado naquele exato momento, dancarinas pulnado de uma pagina em branco, musicas tocando ao fundo, personagens dos mais variados disputando espaco em cada linha. Uma magica que nao nos pertence e que muitas vezes nao tem nada, absolutamente nada, da pessoa que a esta descrevendo.

As vezes um personagem aparece para um escrito logo na primeira pagina que ele escreve e toma uma grandeza absoluta durante o decorrer do livro. Lendo algumas obras da Simone e acompanhar depois ou simultaneamente as suas biografias aonde a mesma descreve como criou e de onde surgiram seus personagens me fez admirar ainda mais todo esse processo criativo que na minha concepcao eh uma coisa completamente bela. Uma realidade inteira tomando forma e vida no plano imaginario. Ao escritor so resta descrever a cena que esta visualizando e dependendo de sua capacidade descritiva a obra sera boa ou nao no final. Cabe ao autor saber descrever o que esta passando em sua cabeca da melhor maneira possivel, quase que como uma fotografia. Os personagem ? Esses muitas vezes tomam vida propria sendo dificil para o autor mudar sua fatalidade.

Mas de onde vem esses pensamentos ? De onde nascem essas cenas ? Muitas vezes da vida diaria, de uma cena que se passa em uma cafeteria, um sonho, um movimento ou a propria falta de movimento. Uma simples sementinha na cabeca de uma mente criativa eh mais que o suficiente para gerar uma obra interia.

A Doris Lessing nos conta como funciona com ela esse processo criativo tao interessante nesse video abaixo.

Nesse outro link aqui voce pode escutar uma entervista com a Doris, ainda mais completa do que a do You Tube, aonde ela tambem fala sobre o processo criativo.

Entao eh isso… agora chegou a hora de eu ir fazer meu chazinho e ler meu livro para tentar reproduzir o que passou na cabeca da Doris em um desses momentos fantasticos do processo criativo ! Que certamente se deu em um quartinho comum no suburbio Londrino e que foi descrito fielmente por uma maquina de escrever antiga, como ela mesmo descreve 🙂

beijos para todos e ate semana que vem !

Lys

Hoje eh meu ultimo post livre sobre o tema Violencia por Tradicao proposto pela Cica. Semana que vem todos os autores se focarao no tema proposto e discutirao suas ideias sobre a questao. Eu decidi falar do tema proposto hoje e dar continuidade a semana que vem pois acho, do fundo do coracao que a Violencia nao esta relacionada com a tradicao no sentido que usamos para esse livro, mas a questao eh imensa e complicada o suficiente para ter que ser dividida em dois posts loooonnngos, bem meu estilo 😀 . Como assim ? Vou explicar.

Os seres humanos sao tradicionamente violentos. O que quero dizer eh que durante a historia inteirinha podemos citar casos serios de violencia entre todos os povos e civilizacoes, no entanto, nao acredito que a violencia esteja intrinsecamente relacionada com religiao, nem tradicao, nem cultura, nem classe social, nem com educacao, nem nada. O fato eh que a violencia nao se justifica nunca. Temos exemplo dos dois lados em todas as racas, pessoas violentas e nao violentas coexistindo em varios lugares do planeta independente de qualquer coisa que seja e o negocio eh homogeneo.

Pode ser que alguns lugares as pessoas violentas sejam mais violentas e outros menos violentas, mas a violencia esta em todas as partes. Ela pode ser amplificada por fatores externos e ai cabe sim todos esses que citamos acima, mas estou desconfiada que a violencia eh intrinseca aos individuos, mas nao entendo o porque. A tradicao, ou o que quer que seja, na minha opiniao eh apenas uma muleta para justificar a violencia por varios motivos. Talvez porque a violencia em pequeno caso ainda nao tenha sido entendida como uma doenca, ou porque eh dificil entender o que pode tornar uma pessoa violenta, principalmente quando se trata de alguem que amamos. Mas sera que violencia eh uma doenca ?

No meu post passado falei da violencia contra a mulher. Coloquei o tema como sendo um consenso absoluto porque tenho fe na humanidade. Tirando algumas faccoes que pregam a tal “Ultraviolence” e podemos ate achar sites sobre isso na internet, existe de fato um consenso de que a violencia, seja ela qual for e contra quem for deve ser combatida sempre. No entanto, para combater algo eh necessario conhecer seu adversario e muito bem. E ca entre nos, ate onde vai nosso conhecimento sobre violencia ? Sera que de fato a violencia pode ser combatida ?

Esses pensamentos me fizeram lembrar imediatamente o famoso filme do Stanley Kubrick, chamado Laranja Mecanica, que conta a historia do lider de uma gangue de delinquantes que eh preso e usado como cobaia num experimento para frear impulsos destrutivos. A esses impulsos destrutivos foi dado o nome de “ultraviolence”, termo esse que ficou conhecido atraves do filme.

Mas durante essa semana comecei a pensar melhor sobre o termo Violencia e algumas perguntas vieram a minha cabeca:

1. O que faz uma pessoa se tornar violenta ? Isso eh organico ? Genetico ? Temporario ? Inerente a cada individuo ?

2. Sera que a violencia faz parte de todos nos e alguns possuem essa tendencia mais aflorada a desenvolver atos violentos ? E as outras pessoas ? Apenas reprimem ? Seriamos todos nos violentos reprimidos ?

3. Se for por ai, o que faz entao com que algumas pessoas nao consigam controlar sua violencia interna ? Substancias externas ? Substancias internas desequilibradas ? O que gera esse desequilibrio ?

4. Sera que a violencia nao eh inerente ao ser humano e os acontecimentos externos durante nossa existencia dao origem a esse comportamento ? Como relacoes de amizades, filmes, jogos de violencia, traumas de infancia. Ate que ponto isso eh efetivo ? Funciona para todas as pessoas da mesma forma ?

5. Existe solucao para um ser violento ? Isso eh uma doenca ? Pode ser tratada ?

Posso ate dar uns chutes em uma pergunta ou outra e tenho minha intuicao obviamente, mas eu devo confessar que sou uma ignorante completa em relacao a isso. No entanto, como falar de violencia se eu se quer sei o que ela eh ? Conheco suas consequencias mas nao ela de fato. Sei que pode aparece em varios graus de intensidade mas nao sei porque. E para combate-la antes de tudo precisamos entende-la !

Fiquei entao bastante curiosa para saber o quanto sabemos sobre esse impulso destrutivel que assombra a humanidade. Minha curiosidade eh infinita e comecei com minhas buscas no google e pela wikipedia.

Achei entao um artigo bastante interessante, datado em 1999, de um PhD chamado Jan Volavka sob o titulo – A Neurobiologia da Violencia: Uma Atualizacao. Comecei a ler e achei bem interessante e eh com um resumo desse texto, tentando entender melhor o que existe por traz dessa tal violencia que mata e maltrata seres humanos, que fecharei esse tema proposto pela Cica !

Mas como quero reler com calma e fazer umas outras pesquisas, voces terao que aguardar a semana que vem pois por hoje eu paro por aqui !

Infelizmente para esse post eu so tenho perguntas para oferecer. Perguntas essas que estao fervilhando meus neuronios nesse exato momento. Espero que semana que vem eu consiga trazer algumas solucoes !

Muitos beijos a todos e ate domingo que vem.

Lys

O proximo tema a ser discutido no Clube do Livro foi escolhido pela Luciane e sera Ler pelo prazer de ler um livro bem escrito.

Tres livros foram colocados em votacao nesse post aqui e o escolhido pela maioria foi As Avos da escritora britanica Doris Lessing que acabou de ser contemplada com o Nobel de Literatura em 2007.

O livro conta a historia de duas amigas em 104 paginas. Leia abaixo a sinopse completa do site submarino:

“Roz e Lil são amigas inseparáveis desde a infância. Cresceram, casaram, tiveram filhos, e vivem na paradisíaca bacia de Baxter, um lugar cercado de rochas por todos os lados. O ambiente protegido, “bocejante”, além do qual o “verdadeiro oceano rugia e roncava”, é o cenário ideal para uma relação cada vez mais simbiótica. Morando em casas vizinhas, elas criam os filhos por conta própria – e eles se tornam adolescentes encantadores.Tão encantadores e próximos, que Roz e Lil não tardam a se envolver uma com o filho da outra. Num efeito ambíguo e desconcertante, típico da grande literatura, o que poderia parecer repulsivo é tratado com naturalidade e bom-humor, fazendo a quebra de tabus soar como regra, e não como dramática exceção. Temas como a amizade, maternidade e sexualidade ganham novos contornos enquanto Doris Lessing esmiúça as complexidades e armadilhas da forte ligação entre essas duas mulheres, e retrata a força com que elas confrontam as convenções familiares e sociais de sua época.”

Iniciaremos a discussao desse novo tema no dia 31 de Marco. Enquanto compramos nossos exemplares e iniciamos nossa leitura voces ficarao com nossos ultimos posts sobre o livro Desonrada.

E nao esquecam que semana que vem todos os autores colocarao seu ponto de vista sobre o tema proposta pela Cica: Violencia por Tradicao.

Apesar de ainda termos duas semanas de discussao pela frente com o tema Violencia por Tradicao proposto pela nossa querida Cica, chegou a hora de decidir qual sera o proximo tema !

Dessa vez o tema vem da Luciane que escolhe “ler pelo prazer de ler um livro bem escrito”. Para isso a Lu resolveu apostar nos tres ultimos autores que ganharam o Nobel de Literatura. Segue abaixo a mensagem de nossa amiga e autora do clube do livro Luciane Cesar, e com voces as novas opcoes !

***********

Resolvi apostar em carta certa, no que diz respeito a distribuicão no Brasil e na Europa, e escolhi os três últimos autores laureados com o Nobel de Literatura, Doris Lessing (2007), Orhan Pamuk (2006) e J.M.Coetzee (2003). Eu pulei os vencedores de 2005 e 2006, porque um só escreveu pecas de teatro e a outra, pelo que ouvi falar, escreve de uma forma difícil de traduzir. Como eu nao sei bulhufas de alemao (a autora de 2005 é austríaca) e acho que traducão é um ponto crucial, resolvi pular essa.

Então vamo´ lá!

1) As Avós, Doris Lessing. 104 p.
“Roz e Lil são amigas inseparáveis desde a infância. Cresceram, casaram, tiveram filhos, e vivem na paradisíaca bacia de Baxter, um lugar cercado de rochas por todos os lados. O ambiente protegido, “bocejante”, além do qual o “verdadeiro oceano rugia e roncava”, é o cenário ideal para uma relação cada vez mais simbiótica. Morando em casas vizinhas, elas criam os filhos por conta própria – e eles se tornam adolescentes encantadores.Tão encantadores e próximos, que Roz e Lil não tardam a se envolver uma com o filho da outra. Num efeito ambíguo e desconcertante, típico da grande literatura, o que poderia parecer repulsivo é tratado com naturalidade e bom-humor, fazendo a quebra de tabus soar como regra, e não como dramática exceção. Temas como a amizade, maternidade e sexualidade ganham novos contornos enquanto Doris Lessing esmiúça as complexidades e armadilhas da forte ligação entre essas duas mulheres, e retrata a força com que elas confrontam as convenções familiares e sociais de sua época.” (Submarino).

2) Neve, Orhan Pamuk. 436 p.
“Conta a história de Ka, um jornalista e poeta turco, que depois do exilio na Alemanha, retorna a sua cidade natal para escrever uma reportagem sobre uma onda de suicídios na região. A trama gira em torno de um romance, tanto quanto trata do conflito ociente X oriente, religião x ateísmo.” (Não lembro de onde copiei.)

3) Desonra, J.M.Coetzee. 246 p.

“Romance pós-colonial situado na Africa do Sul depois do Apartheid. O romance conta a história de um professor universitário branco de meia idade que se relaciona com uma de suas alunas. Quando a relacão dos dois é descoberta, ele nega-se a mostrar qualquer forma de arrependimento. Muda-se para uma propriedade rural de sua filha, em uma província no interior do país, onde a relacão de poder entre brancos e negros está prestes a mudar.” (Wikipedia)
*********

E eh isso ai ! Hora de decisao 🙂 Facam suas apostas !

Beijos a todos e bora ler pelo prazer de ler um livro bem escrito !

Lys

Hoje vou voltar ao tema da Educacao que ja foi comentado pela Dani, Lino e Scliar. Sei que o tema ja nao eh novidade e tudo o que vou falar aqui voces ja sabem muito bem e ate melhor que eu. Mas a ideia eh trocar figurinhas nao eh ? Quem sabe ainda de quebra nao descubro se estou no caminho certo 😉

Uma das coisas mais marcantes no livro no meu ponto de vista eh o quanto o simples fato de saber ler pode mudar as coisas de figura em nossas vidas. Quando somos analfabetos somos completamente vulneraveis e caimos em muitas armadilhas tal como caiu Mukhtar Mai. Bom, mas isso nao eh novidade nao eh meus amigos ? E qual seria o motivo pelo qual a classe dominante luta com toda sua forca para manter os mais pobres sem educacao ? Esse problema entao ja conhecemos de traz para frente, de costas e ao avesso pois o Brasil esta em uma posicao de ponta na questao analfabetismo. Fico feliz que isso esta mudando nos ultimos anos mas ainda estamos longes de nos tornar um pais letrado 😉

No entanto podemos questionar ate que ponto saber ler resolveria os problemas de Mukhtar Mai. Ok ok… saber ler ajudaria sem duvida, mas no livro mesmo eh comentado pela amiga da Mukhtar Mai que independente do nivel educacional da mulher as leis sao as mesmas para todas. O livro mesmo conta um caso de uma mulher “letrada” que foi estuprada tambem e no final deportada do pais. Nesse sentido o caso de Mukhtar chegou mais longe ate mesmo sem a propria saber escrever.

Nao estou aqui questionando a necessidade de saber ler e escrever meu povo, me entendam bem. O que estou dizendo eh que pouca coisa muda se a educacao de fato nao sofre uma modificacao. Educamos nossos filhos de forma extremamente sexista e reproduzimos conceitos do arco da velha para nossas criancas. O que esperar entao que eles pensem e como se portem no futuro ?

Entendo que o maior desafio para uma mae, ao tentar dar uma educacao mais libertaria para os filhos, eh esconder do proprio marido suas intencoes sob o risco de levar “varias palmadas”. Afinal, muita mulher no mundo apanha por tentar educar as criancas. Outro problema enfrentado eh o fato de querer evitar colocar seus filhos em risco, pois se a crianca crescer questionando muito ja viu ne ? Tambem apanha. E todos nos tamebm sabemos que crianca que cresce em um ambiente aonde oas problemas se resolvem aos tapas tambem executara a mesma tecnica no futuro e resolvera seus problemas com sua esposa e filhos tambem no tapa. Agora me diz ? Qual a solucao nesse caso ? Melhor pular a vez e fingir de morta antes que me matem de vez.

Hoje em dia ja evoluimos bastante. Com a libertacao feminina ja temos o direito de dar mais pitacos na educacao dos nossos filhos e ate eh natural pensar em uma menina jogando bola e alguns pais ate ensinam suas meninas desde pequeninas. Camiseta do clube, chuteira, bola legal, ja entrou para a lista de brinquedos para as meninas ! Mas pense pelo outro lado… voce por acaso ja pensou em comprar um kit desse ai da foto abaixo para seu filho menino ? E porque nao ? Nao me venham dizer que voces acham que meninos nao gostam de brincar de casinha e nem de fazer comidinha… Bom, pelo menos em casa, eu e Edu dividimos o gosto pelas coisinhas de casa, mas devo confessar que na hora de colocar os pratos na mesa ou receber uma visita para o jantar eh ele quem fica horas pegando as melhores coisinhas que combinam e que temos para colocar nossa comidinha, ou seja, Edu adora brincar de casinha ! E eu acho lindo isso nele 🙂

Outro exemplo que tenho bem marcado em minha cabeca eh de meu primo-irmao Paulo. Fomos vcriados juntos e ele adorava brincar de casinha comigo. De fato ele preferia mesmo era ser o dono do bar, e inventava de tudo para nos vender por dinheirinhos de folhinhas. Aposto que ele ia adorar ganhar de presente um desses kits de supermercado que geramente vendem para meninas. Mas o que ? Voce acha que ele ganhou ? De jeito nenhum coitado, tinha que se contentar com a bola mesmo… mas eu ganhei um lindo kit supermercado com caixa registradora e tudo e no final ele fez a festa !

Pois bem meus amigos. Coloco aqui entao a questao da educacao tal como a damos para nossos filhos. Essa educacao que diferencia meninos e meninas desde a mais tenra idade. Aonde meninos nao podem chorar porque se nao eh “frutinha”, nao pode ser mais sensivel, nem brincar de boneca e de casinha porque corre o risco de ser rotulado como um possivel homossexual infantil.

De fato nos preocupamos muitos com a educacao feminia hoje em dia mas em meu ponto de vista, os problemas femininos de fato vao comecar a ser muito mais entendidos pelo outro sexo o dia em que permitirmos que eles tambem vivam as nossas emocoes.

Sei que corro o risco enorme de ser chamada de mae teorica e hipotetica aqui, mas acho que Educacao libertaria hoje em dia, pelo menos nesse clube, nao sera uma questao polemica pois sabemos que essa mudanca eh necessaria. Temos que ensinar nossos meninos a amar desde muito cedo pois eh isso que nos difere de fato. E eles nao podem ter vergonha disso pois nao ha porque ter vergonha de expor seus sentimentos. Mas sim de fato sou mae teorica e hipotetica… mas um dia me vingo de voces e apareco aqui com minha cria tambem 😉 e se for menino vai ganhar boneca e brincar de casinha comigo sempre que quiser.

E para os poucos quem ainda nao pensaram nisso, bora repensar na educacao patriarcal que damos para nossos filhos pois saber ler e escrever nao eh o suficiente.

Sem Fronteiras !

O Clube do Livro é aberto, gratuito, a distância e sem fronteiras.

Todo o conteúdo publicado enquanto o Clube funcionou está disponível e assim irá continuar. Se tem alguma dúvida ou comentário, por favor, registre-os nos Comentários.

Última Leitura:

agosto 2017
S T Q Q S S D
« out    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Leitores

  • 396,403 visitantes