João Cabral de Melo Neto

João Cabral de Melo Neto

Fiquei em dúvida em escolher Morte e Vida Severina, por ser poema – e achava que o Clube do Livro não deveria abranger este gênero, porque já tem blog demais de poesia na rede. Mas também é dramaturgia, também tem a questão do cordel. E por fim, João Cabral é João! Dizer mais o quê? Meu primeiro contato com ele foi lá pelos idos do ginásio – ginásio, para quem nasceu na Era Virtual, era uma coisa esquisita, que a gente fazia depois do primário e depois do exame de admissão. Ahn???? Exame de admissão era assim como um vestibular, feito ali por volta de uns 11 anos. Hoje tudo isso foi substituido pelo ensino fundamental e a progressão automática: para repetir de ano, é preciso fazer muiiita força nesta época internáutica brasileira! Mas voltando. Então, a professora (ah, sim: naquela época também não tinha tias, tia mesmo era era só a irmã do pai ou da mãe) distribuiu os trabalhos. E eu caí com João Cabral de Melo Neto. Pois foi ler e me apaixonar – em especial o “Educação pela Pedra“. No dia de apresentar o trabalho, tinha feito uma seleção de poesias, que fiquei lendo para a turma. Análise? Nenhuma. Achei que o simples fato de ler aqueles textos tocava tão fundo, que nem dava para pensar em nada, que ficar fazendo análise e blá, blá, blá perderia todo encanto e a magia. Não que eu não tivesse pesquisado. Só achei que, para a turma, o mais importante era o contato direto com o texto original. A professora não concordou, quase levei zero, foi um sufoco para convencê-la que não estava brincando e não levando a sério a terefa! O mais engraçado é que, muitos anos depois, descobri que o próprio João achava que sua poesia não era para emocionar, que era uma poesia “cerebral”. Isto fica para outro post. Agora, um trechinho de Morte e Vida Severina, em letra musicada por Chico Buarque e especial da Globo.