suborno2“Gente honesta já por si mesma é terrivelmente rara. Além disso, não há mais ninguém a que se possa respeitar. Não há adianta uma pessoa querer topar com a gente que faz questão de ser respeitada. É o caso de Vária. E já reparou, príncipe, que hoje em dia está tudo cheio de aventureiros? (…)E como tudo ficou assim é que não posso compreender! Os alicerces pareciam tão firmes! E, todavia, que vemos nós agora? Muito se fala e se escreve mostrando este estado de coisas.” (O Príncipe, Dostoivski, 2007, p. 153).

Um das coisas que me intriga sempre é como o ser humano muda, muda, muda – e continua tudo igual. Esta certo, este texto foi escrito em 1868 – em termos de História, está logo ali, na esquina, faz um nada Mas a gente recua no tempo, e continua igual. Já visitou Pompéia? Pois as inscrições nos muros celebram amores e traições, comércio e sonhos. Isto ja vão lá quase dois mil anos. Está bem, apesar do dia bonito, do sol, do céu azul e dos gatinhos que teimam em brincar, alheios às minhas indagações, creio que hoje acordei um pouco e vagamente desesperançada. Por isso continuo andando na linha do tempo e me encontro agora por volta do ano 385 a.c.

“Fica sabendo, não lhe importa nada que uma pessoa seja bela – ao contrário, despreza esse predicado a um ponto inimaginável; nem que seja rica ou tenha outra vantagem daqueles que o vulgo reputa felizes. Todos esses bens, na sua opinião, não tem nenhum valor e nós não somos nada; eu vo-lo asseguro.” (Diálogos, Platão, Cultrix, p. 90).

A luta do príncipe frente aos desmandos daqueles que buscam a glória e o dinheiro só desnuda aquilo que sempre soubemos. Ethel Scliar Cabral