qca5ywbggca1qzkbecanqoh88cano6v3tcadr1vftcartw9brcalksc60castekjzcagxsmeyca1bsu99ca8k6xoxcay24fh5caucxtrjca90yl6jcabe5zj7caz6ea79ca6m4k26caz2r4js É muito difícil comparar grandes autores. O que os separa são fronteiras muito tênues, onde se fixam os limites da genialidade nas atividades humanas. Fiódor Dostoiévski encontrou sua genialidade escrevendo sobre o gênero humano. Em uma época complicada da história russa, viajando e se fixando em Florença, ele criou o príncipe Lev Nikoláevitch Míchkin, O Idiota. Com ele, construiu um de seus grandes e complexos romances.
Não pensem que votei nesse livro por já tê-lo lido e que estou escrevendo esse primeiro post sobre o assunto depois de devorar em tempo recorde suas 684 páginas (edição que consegui, em um site de sebos). Não. Ainda estou no início. Mas de início percebe-se com que facilidade o grande escritor russo desenvolve uma trama e vai aos poucos apresentando seus personagens.
Aliás, esse é o grande segredo dos escritores: como apresentar seus personagens ao longo do desenvolvimento dos textos. Não há uma fórmula única, apenas um estilo consagrado. Mas se o autor não conseguir fazer isso bem, o texto perde qualidade. Se for romance, muito de sua força, de sua capacidade de entreter, de prender a atenção do leitor, vai se perder. E é possível que o volume seja deixado de lado. E o autor também.
Prometo falar muito do tema daqui para a frente. Mas não vou cometer o sacrilégio pessoal de tentar invadir a psicologia ou a psicanálise, avaliando a psique dos personagens. Essas duas ciências não são minha área, definitivamente. Domingo último, conversei durante uns 30 minutos, ao lado de uma garrafa de vinho, com um amigo que já leu essa obra de Dostoiévski. Não queria enviar esse post no escuro. E ele me forneceu uma espécie de quadro, que pude acrescentar às poucas páginas já lidas, para ter alguma base hoje. E conheço bastante esse gênio russo. De “Recordações da Casa dos Mortos” (recomendo a qualquer pessoa que goste de um grande livro, para ter na cabeceira), “Crime e Castigo” e “Os Irmãos Karamazov”.
Portanto, vamos dar tempo ao tempo. Permitir que O Idiota se mostre inteiro e que o romance cresça à medida em que as páginas se passem. Isso vai ser inevitável. E, definitivamente, muito agradável.