Encerrado um ciclo, como já observei em Início de um, …, começamos um novo. O que posso dizer é que o livro já chegou e já comecei a lê-lo, mas ainda estou bem no início, o que não me permite fazer um julgamento, nem comentários relacionados ao seu conteúdo.

Li, no entanto, que um dos personagens de O Idiota tem muito do próprio Dostoievsky, que o tornou meio autobiográfico. De início o livro nos apresenta a um cenário um pouco diferente quando imaginamos príncipes e a realeza. Afinal, mostra-nos, logo de cara, um príncipe pobre e um rico cínico, que nada vê na família a não ser a possibilidade de dispender o que seus pais acumularam.

Pelo que me pareceu – e é uma impressão muito inicial – o livro se prende aos relacionamentos e como eles eram construídos e desenvolvidos em uma Rússia que era muito desigual, colocando de um lado os que tinham muito e, do outros, subjugados, os que tinham pouco ou nada tinham. Neste aspecto, o panorama mostrado em O Idiota não difere muito do dado por Babel em A Cavalaria Vermelha.

O que chama a atenção, embora possamos ver identidades, é o tipo diferente de prosa. Enquanto Babel foi conciso, econômico mesmo, isso não acontece com Dostoievsky, que prolonga suas descrições, criando inicialmente todo um clima que leva ao primeiro relacionamento do livro. Se fôssemos comparar, seriam dois ou três contos de Babel. Em O Idiota é apenas uma introdução.

Pelo início o livro parece interessante. Agora, é continuar a leitura para constatar, no final, se a primeira impressão é ou não verdadeira. Ao término, podemos até não gostar do que lemos, mas não há dúvida que o autor é um dos grandes nomes da literatura mundial.