Estou Começando a me aventurar nas histórias de guerra de Isaac Babel. Mas o livro não é sombrio… tem até uma certa graça (considerando o tema tão forte e trágico)… o que distingue o historiador do escritor. Como todos já comentaram aqui, A Cavalaria Vermelha não é um histórico da guerra… mas uma estória que se passa dentro dela.

O livro é interessante, composto por vários pequenos contos que no início você pensa que são independentes… mas depois de ler alguns você começa a montar o quebra-cabeças… de início achei um pouco confuso de ler, por misturar o inglês com alguns termos em polonês e russo.. depois me acostumei com os termos e a leitura começou a fluir…

Mas hoje quero falar do prefácio que tem na minha versão, feita pela filha dele.. achei um texto lindo e emocionado… feito por alguém que aprendeu a entender as escolhas e destino do pai com a maturidade… e a viver grande parte da vida sem ter certeza do que aconteceu…

Por permanecer na União Soviética e se recusar a moldar sua obra de acordo com as diretrizes soviéticas, Babel sacrificou sua vida pela sua língua*

Era impossível Babel ser escritor em um lugar em que não poderia se expressar com toda a sua alma… impossível permanecer perto da família sem poder poder ser o provedor do lar que ele gostaria… sua vida pela sua língua!!! Sua vida pela sua arte!!! Sua vida pelo que sabia fazer de melhor!!!!

Sentimos a compreensão do que tinha que ser feito nas entrelinhas do texto da sua filha… e vemos que o que vem a seguir é ainda mais importante historicamente! É dos únicos relatos da revolução russa que conseguiu vazar para o mundo, fazendo com que o julgamento de Isaac Babel, que durou 20 minutos com a sentença de morte já pronta, tenha somente eliminado sua vida… não suas idéias, seus textos, seu legado!!!

Agora continuo lendo o meu livro…

Boa leitura pra vocês

* Tradução livre de uma citação do livro The year of writing dangerous, de Cynthia Ozick no prefácio do livro A Cavalaria vermelha