Não sei se disse, mas no meu caso – como no do Álvaro – A Cavalaria Vermelha é uma releitura. Mas como aconteceu com O Admirável Mundo Novo, ele foi lido há muito tempo, o que leva a uma redescoberta com a releitura. De todos os contos do livro, o que mais me lembrou é de A Carga de Cavalaria, que considero excepicional, mas que deixarei para cada um descobrir se é mesmo assim e se lhe agrada.

Sobre o livro e a sua época o Alvaro já falou, e bem. Também sobre ele e as traduções a Scliar deu um belo parnorama. Então, o que nos resta, agora, é começar efetivamente a discussão do seu conteúdo. Desta vez, no que se refere à minha leitura, ela está sendo feita de forma bem lenta. E com isso, estou mudando de tática, pois quase sempre leio um livro de forma contínua, até terminá-lo de uma vez.

Estou,portanto, me contendo e apreciando os pequenos contos, relembrando a leitura e descobrindo novas facetas que me passaram despercebidas. Não sou um leitor de autores russos e, confesso, meu contato com eles foi meio conturbado, graças a Dostoievisky. Também não sou um leitor assíduo de contos. Assim, Babel e seus contos tornaram-se exceções. E que bela exceção. Os contos são muito bons, principalmente, no meu entendimento, pelo retrato cru que faz das disputas na Rússia de então e do clima existente nela.

O que a Lys muito bem lembrou é que, apesar de revolucionário e de falar da revolução, A Cavalaria não pretende fazer história, mas literatura. Se Babel relatou suas experiências, o que viu, pode até ter se prendido a aspectos históricos – o que efetivamente fez – mas esse não era o seu enfoque. O livro deve ser apreciado, como chamei a atenção no post que inaugurou a sua discussão, como literatura. E foi por ser assim que sobreviveu às perseguições e censura do regime soviético.

Então, vamos apreciar a leitura.