jamesbondAo longo das semanas de discussão de “O Falcão Maltês” neste site, a gente se dividiu entre comentar o livro propriamente dito e/ou o gênero policial em particular. E isso porque os dois pontos chamaram a atenção, entusiasmaram a todos nós, claro que a uns mais do que a outros.

Não foi Dashiel Hammet o criador do gênero policial.Como quase todos concordam, excelentes escritores dedicaram-se a ele, cada um levando às páginas sua maneira própria, sua visão específica do que seria esse gênero. Escritores já mortos como Arthur Conan Doyle e Agatha Christie fizeram isso com a vertente do texto chamado “investigativo” e que cria, nas tramas, um emaranhado de situações capazes de não permitir ao leitor dito comum chegar a uma conclusão correta antes de o escritor anunciar seu veredicto.

O diferencial de qualidade de Hammet foi se colocar nos livros. Escrever sobre o detetive, o policial e o criminoso, além de todo um vasto universo que os cerca, como ele os via. E ele os via de forma clara porque ao longo da vida havia sido, dentre outras coisas, detetive. E, conforme destacam seus contemporâneos, dos bons. Conhecia o tema e o ofício. Dos demais escritores talvez nenhum tenha tido tanta “intimidade” com o texto (ou a situação) policial quanto ele. Tanto que mesmo fazendo questão de manter em seus textos todos os clichês do gênero e também as inevitáveis mulheres que os detetives levam inevitavelmente para a cama, mesmo assim foi saudado ainda em vida como o criador de uma vertente que sobrevive até hoje e que tem seguidores fieis nos mais diversos lugares do mundo.

Este talvez seja o estertor de “O Falcão Maltês” e da nossa discussão sobre romance policial. Que, tenho certeza, gerou não apenas as discussões as mais diversas, mas satisfações igualmente grandes. É que o assunto impressiona e apaixona. Mas, quem sabe, não tanto quanto vai impressionar e apaixonar “A Cavalaria Vermelha”, um ícone de um outro gênero literário. Quando eu era criança, entrava na fila dos cinemas para poder assistir aos filmes de 007 nas primeiras fileiras de cadeiras. Não perdia um único deles. Já no final da juventude e início da vida adulta, ingressei na discussão política numa época conturbada da vida brasileira e, paralelamente a outras atividades, li muito sobre o assunto. Também não perdia um livro dos chamados bons.

Na vida humana uma das coisas que mais nos tocam é a nossa incrível capacidade de nos apaixonarmos por situações tão diversas!

Álvaro José Silva