Livros, clube e o prazer da leituraTerminado O Falcão Maltês, que li ao lado de outros livros, que já tinha iniciado, fique pensando no que escrever para o fechamento das discussões sobre o noir americano e sobre os livros, de um modo geral. Ao refletir, retornei ao início deste clube, com a proposta de, a intervalos regulares, lermos e discutir um determinado livro, escolhido entre três indicações de um dos participantes do Clube. Brilhante idéia da Lys a que aderi de pronto, não só por gostar de livros, mas por ver no Clube uma oportunidade de diversificação de leitura.

Tiver a honra de inaugurar o clube, fazendo a indicação de três clássicos da ficção científica, um gênero por que sou apaixonado. A patir de Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, começamos um caminho que já teve percorrido um bom trecho, mas que não aponta um término. O que se pode dizer, não como um balanço, mas como uma visão panorâmica é que, em primeiro lugar, o Clube tem cumprido o seu papel, permitindo que cada um dos participantes amplie o seu horizonte de leitura, descobrindo novos gêneros, novos nomes, novos tipos de livros e, com isso, ampliando sua informação.

Se olharmos bem, vamos constatar que cada livro nos traz um novo mundo. Se de início discutimos engenharia genética – um tema árduo – e a possibilidade de construção de um novo homem, passamos, também, pelo mundo da mulher e o seu papel nele, enveredamos pelo misticismo, juntando crenças e vendo o retorno de um espírito, desvendamos um relacionamento incestuoso, tivemos um retrato da Inglaterra, puritana e mundana, ao mesmo tempo, vimos as loucuras de um alienista, a adulação aos poderosos e desaguamos no universo policial, de homens duros e maus, de palavras cortantes e de um suspense que nos leva a uma leitura de tirar o fôlego e nos apronta uma bela surpresa no final.

Cada livro, reafirmo, nos introduziu em um mundo diferente, gerando expectativas e fantasias que não teríamos se não os lêssemos. E ao lado de irmos para paragens que antes não percorríamos, ainda pudemos desfrutar, no processo de leitura, de visões múltiplas, que nos chamam a atenção para detalhes que deixaríamos despercebidos e que aguçam, ainda mais, o prazer de ler. A leitura deixou de ser um ato individual, solitário, e passou a ser compartilhada, discutida, com cada um mostrando pontos que destacam um livro, uma situação, e muitas vezes os ligando ao mundo real, que, de certa forma, acaba se transportando para todas as leituras feitas.

Se compararmos a trajetória das leituras com uma rodovia, poderíamos dizer, levando em consideração o que foi lido, que percorremos um caminho cheio de beleza, mas ao mesmo tempo complexo, algumas vezes assustador, outros – para alguns – meio entendiantes, mas que provocou muito mais excitação do que comedimento. E no final desta jornada, que está apenas se iniciando, fica a certeza de termos frequentados mundo díspares, muito diferentes, mas que, no final, se ligam no prazer de ler, no cultivo ao livro, no desejo de conhecer novos autores, de partilhar o conhecido e sobretudo de, juntos, continuar a caminhada sempre em busca de um novo e fascimento mundo, como será, sem dúvida A Cavalaria Vermelha.