Gostei muito do post do Álvaro no qual ele nos conta sobre o romance policial e as suas vertentes. Hoje fui reler o conto “Os crimes da Rua Morgue” do Allan Poe que segundo nosso companheiro de leitura foi uma das obras que inauguraram o romance policial investigativo. Para quem quiser ler mais contos do Poe nesse site aqui tem vários para download. Mas falarei sobre ele semana que vem, quando encerraremos com O Falcão Maltês para dar início à Cavalaria Vermelha.

Estava conversando esses dias com Edu sobre Holmes e seus métodos de investigação e lembramos que Holmes possuía um conhecimento sobre criminologia quase que enciclopédico e se baseava em um princípio da repetição. Sam Spade por sua vez me pareceu menos metódico e mais intuitivo, e se olharmos de forma descuidada chegaremos até a conclusão de que suas descobertas se davam apenas por sorte, ao acaso.

No entanto, existe algo em comum em todos os romances policiais. Todo os detetives contam com uma capacidade excepcional de perceber detalhes que para a grande maioria das pessoas não teria a menor importância e passariam completamente desapercebidos. E é lendo as entrelinhas de um gesto, um olhar, uma folha amassada, um pedaço de jornal rasgado, ou a data de um recibo de aluguel, que Sam Spade usou como cartada final para desmascarar a bela, ruiva e má, Brigid, que os grande detetives chegam a conclusões surpreendentes para nós, meros mortais com baixa capacidade de observação.

The Mentalist

The Mentalist

Indo por essa linha de raciocínio podemos dizer que Miss Marple, Holmes, Sam Spade e todos os outros, mesmo sendo diferentes em estilo, foram beneficiados por seus autores com uma bela habilidade em termos de observação.

Esse negócio de perceber detalhes é exatamente o tema de um novo seriado que foi premiado como “melhor nova série dramática” chamado “The Mentalist”. Eu nunca assisti nenhum episódio da série mas pelas chamadas na TV entendi que seu protagonista, Patrick Jane, possui uma habilidade incrível para desvendar crimes usando apenas seu poder de observação. Com esse poder de observação e interpretação dos mais insignificantes detalhes, ele muitas vezes tira informações das próprias vítimas ou dos ofensores que o leva a uma conclusão brilhante. Depois dessa fiquei interessada em assistir um episódio dessa série.

Uma última coisa que gostaria de colocar é que existe uma certa semelhança entre os métodos de investigação criminais e as investigações científicas. Conan Doyle pôs na boca de Holmes a seguinte afirmação que é a base de seu método, e que também serve ao método científico:

“Quando elimina-se o impossível, o que resta, por mais improvável que pareça, tem de ser a verdade” (Sherlock Holmes em O Signo dos Quatro).

Eu particularmente, que me dedico à vertente mais observacional da astronomia, sou confrontada quotidianamente com o desafio de pensar que tipo de observação me permitirá testar um certo modelo com o qual trabalho, ou que me permitirá favorecer uma explicação para um dado fenômeno em detrimento de outro. Nesse caso tentamos estabelecer que hipótese é impossível e qual ainda é viável, pois não existe experimento científico com um resposta do tipo: “Sim, sua teoria está correta”. De fato, o máximo que obtemos é um “Essa teoria pode sim explicar esse fenômeno, mas somente nesse dado contexto e não é necessariamente a única explicação possível”. Assim sendo, será que tenho o direito de me sentir também um pouquinho Sam Spade ?

Imagino que o mesmo aconteça com a Mércia. Encontrar campos petrolíferos também é uma tarefa digna de um Sam Spade, ou um  Sherlock Holmes ? Coletar dados (pistas), verificar probabilidades, encontrar ou não o tal ouro negro…

E também temos outra candidata a Sam Spade no nosso grupo: A Dani🙂 Só que essa lidando com detalhes mais complexos, envolvendo algo muito mais valioso do que o simples conhecimento, como eu e a Mércia, ou pensando apenas no vil metal, como no caso de Sam Spade.

Que belo grupo de detetives fazemos hem meninas ?

Bom domingo para todos e até semana que vem !

Lys