Hoje é o dia de fazermos mais uma sugestão de livros para que os prezados escolham qual deles vai ser objeto de nossas leituras e das considerações de todos para as semanas que sucederem a O Falcão Maltês, uma das felizes escolhas feitas pelo Lino Resende e vocês na reabertura de nossas discussões literárias referentes ao ano de 2009.
Minha intenção foi a de sugerir três excelentes obras e que fossem, ao mesmo tempo, não de um único gênero. Assim sendo, listei um livro épico, considerado um dos mais importantes textos sobre a Revolução de 1917 e, ao mesmo tempo, um texto de contos. Que a gente ainda não analisou.
Depois, peguei um outro livro, este uma novela, texto “econômico” para um autor que é consagrado por haver escrito obras como Crime Castigo e Os Irmãos Karamazov, dois dos maiores ícones da literatura russa e mundial. No caso da sugestão de agora, ele desenvolveu o tema em menos de 200 páginas, fato incomum na obra desse gênio.
Por fim, e como ainda não o fizemos, trouxe à consideração de vocês o mais importante romance-reportagem do Século XX. Talvez mesmo o texto que haja iniciado esse gênero pois, antes de 1946, não consta que outro autor tenha feito trabalho ao menos parecido. E o livro atual, “atualizado” 40 anos depois pelo autor, ficou uma obra impecável.
Então, vamos às sinopses dos livros propostos. Deixo claro aqui que as considerações sobre cada um deles são minhas mesmo:

capa01aA Cavalaria Vermelha de Isaac Babel, é um painel pungente da Revolução Soviética de 1917, escrito por alguém que dela participou. O autor descreve momentos, batalhas, dramas humanos com uma sensibilidade notável. De tamanha envergadura que, para muitos, essa Cavalaria se tornou referência maior do que Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, de John Reed. Eu não chegaria a tanto, até porque os focos são totalmente diferentes. Mas os escritos de Babel são verdadeiramente notáveis e nos dão a possibilidade de escrever sobre o tema conto a conto. Eles representam um painel sincero do autor que depois seria morto por Stalin nos campos da Sibéria.

capa02b2Memórias do Subsolo, de Fiódor Dostoievski é a segunda opção de vocês. O livro, dividido em duas partes, O Subsolo e A Propósito da Neve Molhada, foi desenvolvido pelo autor ao lado do leito de morte de sua primeira mulher. Trata-se de uma narrativa eloquente, sobre um homem que investe contra o solo da própria consciência, “criando uma narrativa ímpar, de altíssima voltagem poética, que se afirma e se nega a si mesma sucessivamente”. O personagem, sofrido, magoado, desiludido, lutando contra o que chamava de “paradoxos” de sua existência madura, arremete indistintamente contra tudo e contra todos: ciência, superstição, progresso, atraso, razão e desrazão.

capa03cHiroshima, de John Hersey, até hoje é saudado nos Estados Unidos como o momento inicial do romance-reportagem. O editor de The New Yorker pediu a seu repórter que fosse a Hiroshima um ano depois do lançamento da bomba atômica contra a cidade e fizesse lá uma reportagem. Ficou um texto tão pungente que a revista somente publicou a ele e mais as páginas sobre os espetáculos da Broadway. Uma revista inteira que, pela primeira vez na história da imprensa dos EUA, vendeu mais de um milhão de exemplares. 40 anos depois Hersey voltou à cidade, a seus personagens e fez este livro. Que não se pode deixar de ler, mesmo se não for ele o escolhido.