au6bmcxca7bm3hicazih59acaqkqdbccaxjhkswcacfzec9cacghak2cax7q460cax7l6auca9vs86nca99tbgtcahdnbaecaxr1oo1cap57oqyca5zrvk4cauhw271caexl2pdcauqheerA questão não se reduz a isso, mas pode-se dizer que temos duas vertentes de romance policial nos dias atuais. Uma primeira seria representada por Agatha Christie e seus seguidores – por sinal, essa vertente foi inaugurada por Arthur Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes – e que se utiliza do gênero como um exercício de adivinhação. Os admiradores da técnica julgam-na muito difícil de ser explorada porque o autor precisa desenvolver na mente, antes de começar a escrever, toda a mecânica da complexa trama e depois escolher porque pontos vai apresentar a narrativa de modo a que o leitor tenha chances mínimas de matar a charada antes de seu clímax.
Essa técnica tem inúmeros seguidores e leitores cativos. Não é à toa que Sherlock continua a fazer sucesso, embora todas as suas histórias sejam conhecidas. A paixão por ele passa de pai para filho, de geração para geração, acumulando inúmeras reedições de livros ou coleções completas.
É necessário aqui fazer um parêntese, embora não tenhamos nem de longe a intenção de esgotar o assunto: para muitos amantes do gênero, sobretudo os norte-americanos, foi Edgar Allan Poe (foto) quem teria inaugurado a vertente do “romance policial investigativo” e inspirado Doyle, além de outros tantos escritores pelo mundo afora. A obra máxima do autor norte-americano, e com isso concordo eu, é “Os crimes da Rua Morgue”. Quem ainda não leu precisa fazê-lo. A técnica de Poe era inigualável, como será visto.
Como contraponto dessa visão de romance policial vem aquela que Dashiell Hammett inaugurou com seu fantástico “O Falcão Maltês”, livro que estamos lendo e comentando agora. Essa vertente faz um gênero mais focado na psicologia da pessoa, mostrando policiais, investigadores, criminosos e todo o universo gravitacional de redor como sendo formado por seres humanos que expõem, na narrativa, seus dramas, motivações, virtudes e defeitos – principalmente estes – não ficando o suspense como item principal da receita de sucesso desses romances. Muito pelo contrário.
Como dizer que um é bom e o outro, ruim? Impossível.
Mércia diz na abertura de seu comentário de ontem: “Uma coisa é clara e certa com relação ao Falcão Maltês: a policia é ineficiente, ignorante e facilmente corrompível.” Correto. Alguns autores atuais diriam que o policial é fruto de seu meio e das condições que lhe são oferecidas para o dia-a-dia de trabalho. Ao que parece, isso seria um problema quase universal.
Foi Hammett quem desnudou esse quadro pela primeira vez. E mostrou o detetive e os policiais que gravitavam à sua volta, todos tentando encontrar um criminoso, mas se comportando quase como ele(s).
É a essência desse gênero, dessa forma de escrever sobre assuntos policiais. Hoje, tem milhares de seguidores, alguns totalmente incompetentes. Curtir um bom romance policial, portanto, depende fundamentalmente de selecionar o que é bom num universo muito grande e degradado. Mas vale a pena tentar. Quem sabe a gente encontra outro “O Falcão Maltês” pelo caminho?
Semana que vem volto a falar mais especificamente sobre o romance que nós estamos curtindo nesse início de 2009. Até lá.
Álvaro José Silva