puzzleUma coisa que gosto em romances policiais é que eles definitivamente prendem minha atenção. Com O Falcão Maltês não foi diferente. Não consegui parar de ler até entender toda a trama da mesma forma que não conseguia dormir sem terminar um quebra-cabeça ainda quando menina.

Em todos os livros do gênero a regra é sempre a mesma, apenas uma peça de um grande quebra-cabeças é lançada logo nas primeiras páginas. Do nosso lado temos sempre um personagem que nos guiará até o encontro de todas as outras peças. A figura se forma aos poucos e muitas vezes conseguimos saber logo em princípio qual será a figura final. Muitas vezes nos enganamos e mudamos de idéia várias vezes. No desenrolar da trama sempre descobrimos um pista ou outra que torna o final menos surpreendente. Poucas vezes conseguimos nos surpreender ainda quando a última peça é colocada. Acho que isso é o que faz a brincadeira ainda mais divertida e esse deve ser o principal objetivo de quem escreve livros desse gênero. Montar um grande quebra-cabeças cuja figura final depende em absoluto da última peça.

Em O Falcão Maltês confesso que até tinha uma idéia de como a estória iria se desencadear mas tive que esperar até a última peça ser encaixada por Sam Spade para entender por completo a trama. E como me diverti com o livro ! Adorei !

Para mim o ponto máximo do livro foi mesmo o cometado pelo Álvaro, quando Sam Spade dá um tremendo baile em seus adversários. Primeiro dividindo o grupo com a necessidade de escolher um bode expiatório. Segundo por ter em sua manga a história do suborno. E eu jurava que Sam iria embolsar um dinheirinho no final🙂

O ponto mínimo do livro está no que a Ethel e a Mércia já disseram. E se o Álvaro tem razão quando diz que o autor colocou muito de si em sua obra, só posso concluir que Dashiell Hammet não tinha lá muita facilidade em entender o universo feminino. Pelo menos em O Falcão Maltês ele não foi nem um pouco generoso com as suas personagens femininas. Talvez seja uma espécie de reação masculina às reivindicaçães feministas da época como muito bem citou Ethel ? Talvez apenas mais um  simples caso de misogenia e nesse caso ele não está sozinho dentro do gênero liderado por Sherlock Holmes.

O fato é que existem pessoas oportunistas independente do sexo. E no livro O Falcão Maltês vemos os dois casos. Além disso Sam Spade era arrogante com todos e não vi ele diferenciar o sexo na hora de dar uma patada das suas. Em resumo, todo mundo tirando o Sam Spide, era estúpido e patético.

malenaMas vamos por outro lado… o que acho interessante no gênero é que todas as vigaristas devem ser por definição lindas. Como se a maldade a deixasse ainda mais sexy e interessante. E se uma mulher linda aparece na primeira página de uma trama, e se além disso for ruiva, já podemos esperar algo ruim nesse quebra-cabeça vindo por esse lado. As femme fatales que são peças chaves dos romances noir representam bem esse papel. Lindas e perversas… bonitas mas ordinárias.

Uma coisa que lembrei com a discussão dessa semana foi um filme que assisti há alguns anos chamado Malena, cuja personagem principal vivida pela belíssima Monica Belluci passa por vários tipos de humilhação, muitas delas apenas por despertar o ódio das pessoas por ser extremamente bonita e atraente. Na minha opinião, nesse mundo aonde vivemos, beleza demais atrapalha mais do que ajuda.

Esse sentimento dúbio para com a beleza é de fato algo que me fascina. Se uma mulher é muito bonita sempre existe a desconfiança de que algo de errado ela tem. Afinal ninguém pode ser perfeito.

E o mais interessante de tudo é que estou aqui matutando e não consigo lembrar de nenhum caso de “homme fatale” na literatura. Você lembra ? Mas eu não tenho a menor dúvida que eles existem. Eu mesmo conheço um par deles. Bonitinhos mas ordinários🙂

Até a próxima semana,

Lys