humphreybogartPela primeira vez escrevo meu primeiro post aqui no clube do livro após ler o livro em absoluto. É fato que, gostando ou não do gênero, a leitura de O Falcão Maltês é leve e bastante divertida. Escrito com uma linguagem bastante simples e de um assunto que não tem como não despertar a vontade de chegar logo ao final, o livro é facilmente lido em duas sentadas. Agora estou louca para ver a atuação, muito elogiada por todos apaixonados pelo gênero, de Humphrey Bogart. Pela foto ao lado vejo que Bogart emprestou charme suficiente para que nosso herói enfrentasse com louvor as femme fatales típicas do gênero noir.

Sim, eu como a maioria aqui do Clube também gostei muito do livro. Assim como a Mércia, gostei também de poder ler em português depois de tanto tempo. Percebi que voltei da Inglaterra cheia de vícios na linguagem e na escrita. Voltar a ler em português foi realmente muito gostoso.

Mas vamos falar das coisas que mais me chamaram a atenção no livro. Duas delas já foram citadas essa semana por outros autores aqui do clube. A primeira coisa que me atraiu foi o trecho sobre a queda do andaime muito bem abordado pela Ethel nesse post aqui. Certamente voltarei a falar sobre isso em um dos meus próximos posts sobre o livro. A segunda coisa foi a postura cínica e muitas vezes arrogante do nosso herói Sam Spade. Postura essa típica dos romances que influenciaram os filmes noir que também já foi comentada pelo Lino por aqui. Outra coisa que adoro no gênero, e como já disse acima, é a presença de uma mulher fatal (femme fatale) que nesse caso foi representada pela linda e ardilosa Brigid O’Shaughnessy, que tentou seduzir e enganar Sam Spade e outros homens na trama. E notem que a maioria delas são ruivas😉 Mas hoje não vou falar especificamente de nada disso pois tem outra coisa interessante no livro que gostaria de falar com vocês.

De certa forma concordo com o que o Álvaro disse aqui que uma das coisas que faz com que o livro seja tão envolvente é justamente o fato de ele ser extremamente realista. O que tive vontade de fazer logo após ler as primeiras páginas foi ver o ano em que ele foi escrito e me deparei em um período entre guerras, quando os Estados Unidos vivia a grande depressão. O engraçado, e talvez explicável, é que no mundo dos quadrinhos vários grandes heróis surgiram nessa época e no mesmo cenário que Sam Spade nasceu. Todos com o objetivo de combater a criminalidade com as próprias mãos e sem a ajuda da polícia, que em todos os casos nessas histórias é estúpida, corrupta e sempre chega tarde demais. Durante a mesma época surgiu o Super Homem e no início da segunda guerra, para lutar contra o nazismo, nada mais nada menos que o Capitão América. A diferença de Spade e todos os outros é que Spade agia no limite da legalidade e sua posição entre o bem e o mal era sempre duvidosa. Todos os outros eram sinônimos de lealdade e obrigação para com a justiça. Essa visão de herói, homem beirando a perfeição, só mudou após a segunda guerra quando toda essa linha noir fez o maior sucesso. Na década de 60, com a chegada do homem aranha, o herói já não tinha mais o perfil de um homem feito e perfeito tal qual seus antecessores no mundo dos gibis.

Um pouco mais adiante, logo após a segunda guerra mundial, no cinema o que era quente girava em torno dos filmes Noir, cujos heróis são retratados como cínicos e antipáticos. Esses filmes resgatam com força os romances policiais escritos na época de grande depressão, dando um charme extra a seus personagens. Isso não foi necessário no caso de O Falcão Maltês que já era noir por essência. Por essa razão e outras, o livro de Dashiell Hammett é considerado uma das principais influências literárias do filme Noir.

Um abraço forte a todos e tenham um ótimo domingo de leitura !

Até domingo que vem !

Lys