Humphrey Bogarg no papel de Sam Spade, em O Falcão Maltês

Um dos mais famosos estereótipos do espião, sem dúvida, é James Bond. Ele é a figura do herói, que tudo sofre, mas tudo supera e, no final, ainda fica com a mocinha. Mas será que é assim na vida real? Certamente que não. E é por isso que, quando se trata de falar de policiais ou espiões prefiro os que estão mais próximos de nós, que têm defeitos, dúvidas e medos.

Se não vimos isso no cinema, podemos vê-los nos livros. No caso do cinema, talvez um Sam Spade – vivido no cinema por Humphrey Bogart -, um Philip Marlowe ou mesmo o Bucky Bleichert, não tenham charme suficiente para chegar à tela. E tanto é assim que, no caso de Dália Negra, no cinema o filme foi mudado e o assassinato acabou resolvido. Bleichert ganhou o charme de Josh Hartnet, perdendo o tom noir de James Elroy e ainda ficando com a bela Scarlet Johanson. Na tela, temos um outro livro, com história diferente e com um charme que o original não tem.

Bleichert, Spade e Marlowe, os principais personagens de Dália Negra, Falcão Maltês e Adeus, minha adorada – livros sugeridos para a leitura deste clube – têm em comum, primeiro, o fato de não serem sucesso. Bleichert procura um meio de melhorar na polícia e os dois outros estão sempre à beira do fracasso, desiludidos, misturados, muitas vezes, ao que de pior existe na sociedade. O que nenhum deles resiste é uma bela dama.

Marlowe, Spade e Bleichert estão na história por um envolvimento feminino, sendo que, do último, o objetivo é descobrir quem matou uma bela jovem, esquartejando-a. Todos se aproximam mais do homem comum, que enfrenta dificuldades e tem dúvidas. Nada neles lembra os superheróis tipo James Bond ou, mesmo, um Sherlock Holmes, que a tudo resolvia com a sua lógica.

A literatura é cheia de detetives, antigos e modernos. E vários autores, inclusive brasileiros, passaram pelo gênero.  Muitos também apelaram para os detetives de sucesso, como Rex Stout e o seu gordo Nero Wolf, que entre um prato e outro, acaba resolvendo os crimes. Ou, então, o Hercule Poiret, de Agatha Christie, outro a usar a lógica para a solução dos crimes. Eles, no meu entender, têm o seu espaço, mas nenhum tem a força dos detetives do romance noir, um gênero nascido nos Estados Unidos e que, mais tarde, se espalhou.

A força do noir americano, no meu entendimento, é o fato de se aproximar mais do real. Os detetives não são super homens, têm sentido, já fracassaram e estão sempre numa linha fina que pode deixá-los ao lado da polícia, mas pode, também, lhes levar para a prisão. Essa aproximação de humanidade ao lado de um texto enxuto, cortante, é o que faz o charme do romance policial, que será devidamente aprecisado neste clube com a escolha de O Falcão Maltês.

Como os outros, ele é um clássico. E como os outros, centra-se em um detetive durão. Mais? Só depois que todos lerem o livro que, espero, gostem.