O tempo todo criticamos esse mundo por ser cada vez mais consumista, cada vez mais materialista e cada vez mais emburrecido. O que conta, hoje, são os valores do dinheiro e nada mais. Mas será que temos, mesmo, embasamento crítico para manifestar reflexões que sejam efetivamente contrárias à estética do capital? Aqui vão três dicas que, entrecruzadas, formam um excelente instrumental de argumentos contra a alienação reinante e contra o domínio galopante dos valores econômicos.

O primeiro livro se chama “O Sistema dos Objetos”, e é do pensador Jean Baudrillard. Nesta obra, Baudrillard analisa de que maneira os objetos do capitalismo constróem passividade a partir de sua multiplicação inócua em série. Questões importantes, como a relação entre os modelos e a série que os procede, as dualidades do crédito, o valor imperativo da propaganda e a construção ideológica dos valores do consumo são tratados aqui. Atenção para as noções de “arranjo” e “ambiência”, que articulam a obra.

Outra indicação importante é o livro “A Sociedade do Espetáculo”, de Guy Debord, francês assim como Baudrillard. Debord, aliás, é uma das principais influências de Baudrillard. E trata, neste livro, de como a economia se transformou na base efetiva de toda a sociedade. O espetáculo seria essa fase onde a mercadoria toma conta de todos os cenários da vida cotidiana e da arte. A obra fala, ainda, de como isso contribui para a passividade e para consequências inevitaveis no que diz respeito ao progresso do “fetiche da mercadoria” apontado pelo Marx.

E o último é um livro que sempre cito, devido à sua amplitude reflexiva. Dentre inúmeras questões, essa obra de Michel Foucault trata do nascimento da economia enquanto ciência das trocas e do valor, no final do século XVII. Serve, no mínimo, para se sacar o inverso do que geralmente se pensa hoje em dia: não é a sociedade que depende da economia; é a economia que estabelece, enquanto discurso (portanto, enquanto poder) a lógica a perdurar. Economia, em outras palavras, é algo que não existe desde sempre. Ao contrário do que dizem os economistas…

A partir dessas leituras, é possível construir um excelente roteiro crítico, que despe algumas máscaras do mundo de hoje. O exagero do consumismo e a ditadura do dinheiro, principalmente. Problemas que cruzam toda a aura simbólica do contemporâneo, e que se mostram fundamentais para a leitura das problemáticas atuais, em termos, principalmente, de sociedade.

Marcelo Henrique Marques de Souza