Mais duas dicas para suas férias. No último post, indiquei um livro de teoria psicanalítica e um romance. Hoje, passemos para a poesia e para um livro que visa um olhar histórico sobre um tema bem interessante. Sem delongas.

Mario Quintana é um poeta do Rio Grande do Sul, que buscou entrecruzar, em sua obra, a poesia e a prosa, através do uso dos provérbios e locuções. Junto a isso, procurou inserir, em suas reflexões, elementos conceituais da Arte, da Literatura, da Poesia e da Linguagem, sempre com humor e ironia. “Caderno H” é uma compilação destes provérbios, pequenos textos que o poeta começou a publicar por volta de 1940, numa revista de Porto Alegre, chamada Província de São Pedro.

Aforismos brilhantes, questões importantes e bem elaboradas e um toque da mais fina e sofisticada ironia. É isso o que você vai encontrar neste ótimo livro do grande poeta Mario Quintana.

Um pequeno resumo deste livro do historiador inglês Norman Cohn poderia dizer o seguinte: análise apurada sobre a origem e o desenvolvimento das crenças nas teses sobre o apocalipse. Mas Cosmos, Caos e o Mundo que Virá – as origens nas crenças no apocalipse, na minha leitura, é mais que isso. Ao lançar o olhar do historiador, Cohn nos traz algo mais. Uma abordagem que escapa da dicotomia falsa entre religião e ciência, que estreita o debate sobre a tendência humana nascida a partir do zoroastrismo e fermentada pelo cristianismo e pelos racionalismos: a de considerar que há um processo de evolução positiva em jogo na história humana, que nos estaria levando a uma vitória do Bem sobre o Mal. Importante reflexão para que entendamos, além de tudo o mais, as semelhanças ideológicas entre a razão e a religião. Livro que vale muito a pena, também.

Abraços e beijos e até a próxima.

Marcelo Henrique Marques de Souza