É interessante notar que Mrs. Dollaway é um livro que estou ensaiando para ler há anos. Quando sugeri os três livros para o Clube, confesso que esse era o que eu no íntimo desejava ler. No entanto, ao chegar na página 35 exatamente veio o caos e desde dentro do turbilhão tive que interromper minha leitura. Como disse a Mércia, o livro é difícil, e de um inglês difícil que nos faz pensar em voltar a se matricular no primeiro curso de inglês que vier pela frente ao chegar na metade da primeira página, mas não foi esse o motivo que me fez interromper a leitura… não, não foram as metáforas e as teias do Marcelo que me assustantam e também não foram os motivos citados pela Ethel que me fizeram sucumbir, mas o importante é que, motivos acabados e inquietudes provisoriamente resolvidas, hora de voltar a leitura !

Depois de um período de (re)conexão, nada melhor que começar do começo, e vou (re)começar contando para vocês que meu interesse pela Vírginia começou junto com meu interesse pelo feminismo, e fiquei feliz ao ler esse post do Alvaro contando um pouco da vida e história da Virgínia. Tinha intenção de escrever em meu primeiro post sobre o livro algo parecido, mas com um foco no feminismo, e Álvaro executou a tarefa de nos contar esse lado da Virgínia com maestria. Mas gotaria de incluir que Virgínia , além de viver a frente de seu tempo, desempenhou um papel importante no feminismo com a publicação de seu ensaio “A Room of One’s Own”, publicado após os dois livros mais importantes da autora, esse que estamos lendo e Orlando. Apesar de eu concordar com os colegas do Alvaro de que a difereça entre melhor e pior no caso da Virgínia é insignificante, Orlando é considerado a sua melhor obra. Em seus ensaios Virgínia disse: “a woman must have money and a room of her own if she is to write fiction” que discute a importância da independência feminina para poder competir em pé de igualdade profissional com seus colegas do sexo oposto. Isso vale até hoje ! E por isso Virgínia é importante para o feminismo, e como já disseram por aqui também, assim como a Simone de Beauvoir, viveu a frente de sua época !

Lendo os posts de meus companheiros de leitura aqui do Clube, achei várias coisas muito interessantes. Uma delas foi o posicionamento histórico que o Álvaro e o Lino fizeram, com participação especial da Rosangela comentando o fato desse livro se tratar do período entre guerras mundiais. Um momento de crise mundial após uma derrota humilhante para a Alemanha, que como consequência motivou a segunda guerra. Outro fato interessante que ambos colocaram foi a questão da aristocracia inglesa. Lembrei, lendo um dos posts que dizia sobre o frenesi que a presença da realeza causava aos personagens, e lembrei então de algo notável nos dias de hoje aqui na Inglaterra… A grande maioria dos ingleses tem uma verdadeira devoção por sua rainha e o mesmo frenesi ainda existe, menos intenso porém existe. Para nós pode até ser incompreensível, mas é um respeito que nós jamais teríamos por qualquer governante.

O Lino fez um apanhado de trechos aleatórios interessantíssimos que adorei ! Ele disse:

“São trechos completamente aleatórios mas que, no meu entender, servem para mostrar o espírito crítico do romance, e não só do ponto de vista de Clarrisa, que estava cheia de indagações e interrogações, embora absolutamente apegada às regras da aristocracia e às aparências.”

Agora eu me pergunto… e quem não se sente como a Clarisse ? Talvez a única coisa que mude é quem define as regras. Mudam-se as regras, mas permanece a obediência com alguns raros pontos de reflexão e questionamento.

Minhas impressões de quem leu apenas as primeiras páginas:

Uma frase que amei: “I love walking in London” – amei pelo mesmo motivo que o Álvaro descreveu em seu post… Londres é cheia de vida e a cada rua caminhada por Clarisse, enquanto Álvaro saboreia seu vinho, eu caminho com a Mércia, Virgínia, Clarisse e seus inúmeros personagens que confundem nossa cabeça de forma deliciosa.

A melhor frase até então, em minha opinião, foi extraída em momento de reflexão de Clarissa em comparação com suas atitudes comparada ao marido: “…half the time she did things not simply, not for themselves; but to make people think this or that…”

Como a Ethel sempre diz… “ai meus sais”… eita mundão que dá voltas e mais voltas e tudo continua exatamente a mesma coisa.

Agora eu me pergunto novamente… e quem nesse mundo é tão livre e despregado das aparências ?

Um ótimo domingo para todos !

Lys

PS1 : Adorei também a discussão que a Ethel e o Marcelo fizeram sobre o suicídio, com participação especial da K. Me junto ao grupo dos facinados🙂 .

PS2: Continuarei lendo meu livro mesmo que fora de fase e se não acabar até chegar o próximo, farei o que já fiz tantas vezes em minha vida… lerei em paralelo.