Os elogios foram muitos. As desculpas também. Vamos ser sinceros: parece que a leitura se arrastou, os comentários minguaram… O que há, então, com este livro de Virginia Woolf, que ao contrário de outras leituras menos nobres, foram, no entanto, mais estimulantes para a discussão?
Eu empaquei na quantidade de personagens e nomes de gentes e lugares. Precisava voltar atrás, reler parágrafos… Quase comecei a montar uma verdadeira árvore genealógica para não me perder: Lucy, Clarissa, Peter Walsh, Scrope Purvis, Mrs. Foxcroft, Lady Bexborough, John, Ascot (ou seria este um lugar?), Ranelagh, Hugh Whitbread, Evelyn, Jim, Richard, Sylvia, Fred, Sally Seton, Grizzle, Miss Kilman, Miss Pym, Mulberry, Septimus, Lucrezia… Vou parar por aqui! Lidar com toda esta gente para mim foi um verdadeiro desafio – já tenho dificuldade de recordar o nome das pessoas de carne e osso de todo dia, imaginem quando me deparei com este batalhão de papel. Quase desisti.

O momento certo

Mas fui em frente. Um pouco, atraída pelas passagens sublinhadas deste livro já lido por outras mãos que agora para aqui na minha mão. Outro tanto, pela loucura, pela história da própria Virginia Woolf. Confesso: a historia em si, seu plot, não me atraíram. Acho que foi a Cecília Meireles que disse que existe sempre um momento certo para ler um livro… Às vezes, aquilo que não nos atrai agora, em outra situação será inesquecível. O livro me pareceu datado: esta preocupação, na época incrivelmente original, de escrever como o fluxo do pensamento, as livre-associações, o ponto-de-vista interior dos personagens. Enfim, quase como se fosse um romance psicológico, é interessante but…

Uma simples história

Meu momento é outro, menos intimista. Não me perguntem qual: não sei! Só sei que não é o de Mrs. Dalloway. Ou talvez seja tanto como o dela – repensando a vida e as relações – que não me sobra espaço emocional para me envolver com a história de outros repensares? Sei que agora quero aqueles livros com início, meio e fim. Uma boa e simples história, em que eu não me perca no enredo que vai e vem… Uma história ordenada e estruturada, para este meu caótico e desestruturado dia. Talvez histórias provocativas, daquelas de fazer correr o sangue ligeiro, explodir o pensamento em turbilhão, provocar criticas, como Peter, sempre a criticar:
“Mas por que vinha ele então, simplesmente para criticar? (…) Tudo, qualquer explosão, qualquer escândalo, seria melhor do que ver aquela gente a errar sem rumo…”
Estou querendo um pouco de explosão. Ethel Scliar Cabral