Ao contrário das outras vezes, nesta a minha leitura está bem lenta e Mrs. Dollaway fica me olhando, pedindo que me aprofunde mais. Não o tenho feito, confesso. Mas o livro, como já disse antes, cria uma ótima oportunidade de reflexão, já que traça – na minha opinião – um perfil cruel da aristocracia inglesa e a época em que foi situado, o início dos anos 20 do século passado, logo após a I Guerra.

Deixando de lado a história, mas nem por isso caindo na análise textual, uma coisa que me chamou – e continua chamando – a minha atenção é a forma como Virgínia Wolf construiu a narrativa do romance. O Marcelo chamou bem a atenção para as metáforas e a metalinguagem que delas derivam, que é um ótimo campo para a semiologia ou semiótica. Mas não quero tratar disso, não.

Uma das coisas que me surpreendeu no livro e, ao mesmo tempo, o torna delicioso é a forma da narrativa, o estilo – único? – criado por Vingínia Wolf. Tanto é assim que cabe a pergunta do título: Qual é mesmo o estilo? Ela consegue, com agilidade, misturar reflexão interna, diálogo, descrição, observações do narrador em um único parágrafo, sem delimitar o que é uma, o que é outra coisa.

E faz, também, uma transição abrupta de um para outro personagem. De repente, vemo-nos em uma cena onde as reflexões passam, por exemplo, de Mrs. Dollaway para Peter e, deste, para um terceiro personagem. E sem que haja qualquer indicação da mudança. Ela simplesmente acontece e dá uma inusitada movimentação ao texto, que não é fácil, mas que é, ao mesmo tempo, delicioso.

Acho que a estrutura do romance, neste caso, é que está fazendo com que o leia bem devagar. Não quero perder nenhum detalhe importante e busco entender o que cada personagem quer expressar. Como já disse alguém que devagar se vai ao longe, daqui a pouco termino. E quando o fizer, conto o que achei.