O que dizer de um livro que você apenas começou a ler?

Foi o que me perguntei ao me dispor a inaugurar, neste Clube, o ciclo Virgínia Wolf. Mrs. Dalloway, o livro, chegou. Surpreendi-me ao ver que a sua tradução para o português – ou será brasileiro? – foi feito por Mário Quintana. Pelo menos não precisamos temer as incorreções de linguagem e, já de início, podemos ter certeza que o texto será o melhor, se não fiel ao inglês, pelo menos no ritmo de Mrs. Wolf.

Edição antiga, afinal adquirida em um sebo, o “meu” Mrs. Dalloway tem sinais gráficos já abolidos na língua portuguesa. Mas isso não lhe tira o brilho, que se mostra mesmo no começo da leitura. O texto é denso, chamando para figuras de linguagem, mas mirando na futilidade da vida aristocrática de Londres e da Inglaterra.

E é essa mira que torna o início do livro muito gostoso. A descrição da vida londrina dá todo um colorido a ela e nos permite “ver” como seria viver logo após o término da Segunda Guerra Mundial em uma Londres que ainda não tinha se recuperado, mas onde a aristocracia continuava dando suas festas, fazendo o que a maioria fazia, isto é, nada.

A crítica, ferina é verdade, está lá nas observações que Mrs. Dalloway faz de suas amigas – e dos amigos. No comportamento delas, e no seu próprio, vemos os pequenos detalhes de pequenos mundos, cercados por todos os gestos e maneirismos que imperam em um meio aristocrático, onde não se podem fazer determinadas coisas ou adotar alguns tipos de comportamento. A menos que queiramos ser censurados.

Estou começando devagar, aliás, como deve ser todo início de leitura. Mas acho que o livro promete, e muito. E vai nos permitir, sem dúvida, uma bela discussão.