Semana passada falei que lançaria um desafio. Que parecia fácil. Que se tornou complexo e difícil. Explico. Ao falar de loucura, o Dr. Bacamarte busca definir o que seria esta amiga que nos ronda de tão perto. Quais as fronteiras entre loucura e normalidade? O que para uns parecia loucura, para outros era normalidade – e vice-versa. Claro que o termo popularizou-se, abandonou o circuito da academia e da ciência, para virar chavão no dia-a-dia – “Nosso mundo louco”; “tempo louco”; “loucuras de juventude”, indica tudo que foge da rotina, do previsível. E eu? O que considero uma loucura? Então lancei um desafio a mim mesma: listar 10 coisas que eu considere loucas e quero fazer antes de morrer. Coisas possíveis, não sonhos absurdos (nas condições atuais), como viver em Saturno ou no fundo do Oceano.
Tarefa quase impossível
Fácil. Simples. É só pegar papel, ops, computador, e dez coisas serão pouco. Epa! Dr. Bacamarte, me ajude! Porque vamos olhar com atenção a proposta:
a) Que EU ache loucas – ou seja, não pode ser algo que os OUTROSMas você vai fazer ESTA loucura? Podem ser até coisas, do ponto-de-vista alheio, perfeitamente normais, mas que eu, por um motivo ou outro, julgo absolutamente, como direi…Loucas?;
b) Que eu QUERO fazer ANTES de morrer – não é algo que já fiz e hoje, com olhar distanciado para o passado, penso –Mas que loucura! Também não é algo que GOSTARIA, mas não quero. A diferença é sutil, mas existe.
Pensei em coisas que eu acho loucas: saltar de pára-quedas, luta de boxe, correr de Fórmula 1. Óbvio que tem gente para quem isto é totalmente normal. Um amigo meu adora saltar de pára-quedas, diz que a sensação de liberdade é fantástica e o esporte é seguro, mais seguro do que andar de carro em São Paulo. Pode até ser. Não me convenceu. Para mim, Dr. Bacamarte que o coloque, sem vacilar, na Casa Verde. Hemingway dizia que a luta de boxe é um balé. Balé? Dois homens se esmurrando enquanto outros aplaudem? Qual a graça disto? Fórmula 1 nem se fala… Carros zunindo na pista. Cadê? Onde está? Zummm… Antes de eu focar o olho, já passou, não vi nem percebi. Tudo loucura – para mim. Só tem um problema: NÃO quero fazer isto antes de morrer. Nem saltar de pára-quedas, nem lutar boxe, nem me matar em altas velocidades. Minha lista de loucuras é grande, mas quais eu desejo praticar? Eis o problema. digam: –
O segundo ponto, é que tem muita coisa que eu QUERO fazer antes de morrer, mas para mim são absolutamente normais. Claro, tem gente que acharia absurda minha lista. Por exemplo: quero passar um tempo vivendo em uma comunidade totalmente diferente – uma tribo de índios, um kibutz. Mas não vejo nada de estranho nisto. Outras coisas, GOSTARIA de fazer, mas não quero. Uma, seria fumar de novo… Loucura, com certeza. Gostaria, mas de fato não quero.
Acabou, passou-se uma semana e não tinha conseguido montar minha lista de 10 loucuras. Reduzi para 5. Nada. Pois acabei fechando em três, e mesmo assim foi complicado. Então vamos lá. Aceitem, simplesmente que, por um motivo ou vários, considero esta lista muito louca. Mas quero praticá-la. Antes de morrer, é claro!
Três loucuras para fazer antes de morrer
1. Jogar tudo para o alto e ficar um ano inteiro viajando pelo mundo (ou talvez no Canadá…).
2. Apresentar-se cantando em um show para o público.
3. Gastar todo o dinheiro do mês em uma festa inesquecível, com tudo que tem direito de breguice: balões dourados e prateados, muita comida, muito bebes e lembrancinhas para todos.
Pronto. O desafio (certo, é um meme!) está lançado. Quais as 3 loucuras, do seu ponto de vista, que você quer fazer antes de morrer? Atenção! Do seu ponto-de-vista, não dos outros. Realizáveis e que você quer mesmo, não apenas gostaria, mas… Vai deixar no plano dos sonhos. Mãos à obra! E encontro com você na Nau dos Insensatos – já comprei o meu bilhete. Ethel Scliar


4 comentários
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agosto 8, 2008 às 1:54 pm
Álvaro Silva
Ethel;
têm razão as pessoas que dizem ser muito seguro saltar de pára-quedas. Já fiz isso e garanto. Muito melhor, realmente, do que andar em São Paulo. Também já morei lá 14 anos e garanto.
Viajar um ano inteiro pelo mundo é uma boa. Doutor Bacamarte poderia ir junto. Mas limitar o mundo ao Canadá, neca. Jamais deixaria de lado, por exemplo, Portugal. Terra do meu avô, claro.
Cantar para o público não é loucura. Para mim, com essa voz que tenho, de taquara rachada, seria uma questão de duas ou três doses de uísque a mais. Nada além…
Mas a festa inesquecível, dispenso. Na festa dos outros é melhor, porque o dinheiro gasto é o deles.
Veja como o universo da loucura é uma questão muito pessoal. Notou? O seu é diferente do meu, que é diferente daquele do Lino, do da Lys, da Dani, e vai por aí. E também são todos muito diferentes do que construiu o Doutor Bacamarte. Esse, sim, era um mundo totalmente particular, novo. Mas ele morreu nele, é um personagem de ficção.
De qualquer forma, uma ficção tão emocionante que a gente não consegue parar de falar dela.
Um abraço.
agosto 8, 2008 às 5:04 pm
Lys
Ethel ! Adorei o desafio… e veremos aqui que a loucura é absolutamente relativa. Para mim, cantar para um público é diversão e já fiz isso inúmeras vezes ! Já cantei em vários shows quando tinha banda e hoje em dia, costumo me juntar com um violonista para um sarau nas reuniões da sociedade astronômica e cantar para uma platéia de umas 300 pessoas anualmente.
Serve Karaoke ? Se servir pode contar comigo para ser cúmplice ! Quando nos encontrarmos por ai será um prazer :). Tomamos uns vinhos antes e depois tú vais encarar um palco e verás que é tudo de bão 🙂
Viajar pelo mundo já fez parte das minhas loucuras desejáveis… mas, como o Álvaro, não ficaria em um lugar apenas. Já passei dois anos no Chile e três na Inglaterra… já é o suficiente 🙂
Festa ? To forissima. E também, Edu acabou de dizer aqui do meu lado que se eu gastasse um mês do nosso salário em uma festa ele me mandaria para a casa verde com camisa de força.
Mas vamos as minhas loucuras, pois é essa a tarefa aqui não é ? Rapidamente consegui pensar em sete e não pude decidir entre elas:
1. Voar de asa-delta. Saltar de pára-quedas é algo que acho sim loucura mas jamais faria e se fizesse ficaria com tanto medo que não aproveitaria o “passeio” 🙂
2. Participar de um Iron-Man. Nadar 3.8 km, pedalar 180 km cruzando o deserto de lava hawaiano e logo em seguida, correr uma maratona (42 km) na costa do Hawai.
3. Estudar arqueologia e trabalhar um ano em uma escavação arqueológica na Grécia.
4. Percorrer o litoral brasileiro dirigindo e acampando nas praias maravilhosas de nosso pais.
5. Cruzar o Arizona, passar pelo Vale da Morte, dirigir na histórica Route 66 em um mustang coversível usando echarpe e óculos escuros, dormir em um motel na beira de estrada e viver a vida sob as ondas na Califórnia.
6. Passar a noite em um castelo desses que o povo fala que é cheio de fantasmas.
7. Viajar de bicicleta.
E por aí vai… mas deixa eu parar por aqui antes que vocês me mandem para a casa verde.
agosto 9, 2008 às 5:39 am
Marcelo
Ethel, vejo “sonho” e “absurdo” como sinônimos.. Além disso, acho também que os estatutos do ‘querer’ e do ‘gostar’ se confundem um pouco.. Se quer o que se curte, mesmo que não pareça, às vezes..
Por isso, da minha pequena lista constam alguns absurdos, que eu gostaria de fazer, que certamente já surgiram em meus delírios da madrugada, mas que eu não faria, por um motivo ou por outro..
1 – Dropar Pipeline 10 metros. Pipeline é uma onda oca, numa praia da ilha de Oahu, no Hawai. É uma das mais bonitas e perigosas de todas. Muitos surfistas já morreram presos nos corais que ficam a poucos metros da superfície, tentando surfar essa onda, que é rotina para outros tantos “malucos” de lá.. (pra quem não sabe, “dropar” significa “remar e entrar na onda”, na língua do surf);
2 – Prender o Bush, o Tony Blair e o FHC num porão, como fez aquele mané lá da Escócia com as filhas, e só soltá-los para os respectivos enterros, para pagarem pena por todas as suas falcatruas e indecências políticas;
3 – Roubaria o dinheiro dos milionários do mundo e os distribuiria em cotas justas para os mais pobres;
4 – Me casaria e teria dois filhos – nesse mundo de hoje é, na minha ótica, a maior das loucuras…
Beijão
fevereiro 4, 2012 às 10:37 am
Eduardo |L> C> Resende
Não vi coisas melhor ate HOJE. Vou seguir fielmente os seus pensamentos. SERA que eu vou dar conta antes de morrer. A gente tinha de pensar isto era quando tinha idade. E isto ai meu IRMÃOI.
Sai da frente que atras vem vente…………………………….
PARABENS