Na sua busca pelo entendimento do que é a loucura, o Dr. Bacamarte começa com um ponto de vista, muda-o em determinada altura e, no final, chega à conclusão, analisando o seu próprio comportamento, que ele é quem é louco, afinal, tem só virtudes, e nenhum defeito.

À primeira vista, a ação do médico é questionável, pois não é exatamente a virtude que todos buscamos? Ela não é o objetivo supremo, senão de todos, pelo menos de uma parcela considerável dos humanos? Em princípio, poderíamos dizer que sim. E isso nos levaria também à Casa Verde, junto com o Dr. Bacamarte e o seu auto-estudo, auto-descobrimento do que é loucura e como ela se manifesta.

Machado, ao abordar a questão e remeter o Dr. Bacamarte à Casa Verde, graças às suas virtudes – ou falta de defeitos – nos proporciona uma oportunidade de ver os homens como eles realmente são. Não somos perfeitos. Pelo contrário, somos, todos nós, possuidores de defeitos. Se olharmos o que fazemos, o que somos, vamos sempre descobrir que a perfeição não existe. E ela não está, como alguns acredita, associada à imagem divina, que seria perfeita para contrastar com a imperfeição humana.

Enquanto humanos, nós erramos. E O Alienista mostra isso, e muito bem. São estes erros, na verdade, que nos dizem, ao final, que não somos máquinas, mas sim humanos. Sentimos, agimos e cometemos coisas que, muitas vezes são condenáveis ou então nós próprios as condenamos, depois. Errar, como diz o adágio popular, é do espírito humano.

São os erros – e os acertos – que na infância nos faz aprender. E é errando que, ao longo da vida, continuamos aprendendo. Se fizermos uma análise acurada do nosso percurso de vida vamos ver que erros e acertos se equivalem e que, em algumas situações, erramos mais que acertamos. Nesta ótica, a perfeição é, mesmo, uma loucura.

E é dela e da sua busca que acabamos obcecados, com fobias e, consequentemente, loucos. Então, o Dr. Bacamarte está certo: a perfeição é mesmo loucura. Como humanos, somos imperfeitos.