– Sabe a razão porque não vê as suas elevadas qualidades, que aliás todos nós admiramos. É porque tem uma qualidade que realça às outras: – a modéstia.
Foi esse dito do padre Lopes o que levou Simão Bacamarte, “O Alienista” a, enfim, alienar-se na Casa Verde. E não adiantaram pedidos, súplicas, nem mesmo “os rogos” de sua apaixonada mulher, por sinal seu primeiro experimento, posto que ele se casou com ela porque era feia mas parecia parideira:
– A questão é científica, dizia ele; trata-se de uma doutrina nova, cujo primeiro exemplo sou eu. Reúno em mim mesmo a teoria e a prática.
Esse, ao menos para mim, é o ponto alto do romance (novela?) que discutimos desde a semana passada. Jocosamente, Machado de Assis termina seu romance com a auto-internação de Bacamarte em seu manicômio, definitivamente. E com algumas considerações como a de que, quem sabe, a consideração que o levou a se internar tenha sido um maquiavelismo do padre Lopes.
Vamos a apenas um ponto: o alienista já havia mandado toda a cidade para o hospício. Enfrentado uma rebelião. Reagido contra os revoltosos com a internação. Depois, chegou à conclusão de que todos estavam curados. Nada havia de errado com eles. Mas entendeu que a questão residia em si próprio ao ouvir do padre que era modesto.
Não, não era: “Reúno em mim mesmo a teoria e a prática”.
Eis a antítese da modéstia e a conclusão brilhante do autor. Maldade do padre…