Anne Rice

Ainda não terminei de ler as 419 páginas do livro, mas já estou quase lá… já li o suficiente para dar um belo pitaco mas até o meu próximo post eu termino completamente. Semana que vem vamos escrever sobre o tema proposto pela Dani que é “Quem tem medo de sentir medo ?”, portanto, esse post de hoje será meu último post sobre o livro e quero deixar aqui registrado minhas impressões sobre o que li e sobre o que achei do livro.

Na realidade, acho que a Mércia fez um ótimo post sobre o livro, colocando pontos bons e ruins de maneira bastante interessante, com a qual estou em absoluto acordo, portanto não vou ser repetitiva aqui. Concordo com ela que existe uma divisão clara no livro que começa relativamente bem e termina de forma vazia. Acho essa mudança desnecessária e quebra o rítmo do livro e da leitura. Concordo também que existem vários diálogos vazios que poderiam ser simplesmente eliminados, mas adiciono que esses diálogos percorrem o livro inteiro e não apenas a segunda parte. Acho que sem esses diálogos o livro ficaria mais enxuto e portanto mais interessante.

Acho também, como foi bem colocado pelo Lino, que a Anne poderia de fato ter feito uma pesquisa histórica um pouco mais profunda para não correr o risco de cometer alguns erros como os comentados pelo Álvaro e Lino nos comentarios desse post aqui, mas vai ver ela teve o mesmo problema de “falta de verba para pesquisa” que o José Torero ao escrever o Chalaça. Ou seja, vida de autor sem financiamento também não é fácil não é mesmo ? Mas acho que falta de verba não é bem um problema para a Anne então podemos classificar essa falta de pesquisa como falta de tempo (já que as editoras pessionam e muito esse povo que vende que nem água) ou então falta de vontade. Eu acho que o primeiro deve ser o caso.

Saindo do problema histórico que apesar de falho aparentemente foi a parte que mais agradou a todos por aqui, vamos para o problema da linguagem. Sim, esse lado eu não tenho muito o que reclamar. Li em Inglês e concordo novamente com a Mércia. Aparentemente houve um problema sério de tradução mas não podemos culpar a autora por isso.

Mas o que entendi desde o principio, e que também já foi colocado pelo Lino, foi uma falta de foco e superficialidade nos temas abordados. Como o Lino mesmo disse, existiam vários temas para se aprofundar e nenhum deles foi levado a cabo. Apenas jogados assim como propostas. Sim ! Podemos dar continuidade aos temas que ficaram superficiais no livro aqui no nosso clube, no entanto, faltou a Anne colocar pelo menos um foco nos assuntos que ela mesmo colocou. Enfim… se ela queria manter-se superficial para não se comprometer com nada, melhor então não tentar pincelar coisas que não tem intenção de levar a cabo. Talvez por medo de não agradar seu público, talvez por medo de desagradar as editoras. Não sei… mas o que sei é que a Anne, com esse livro, arriscou e na minha opinião errou.

Lestat - O Vampiro

Lestat - O Vampiro

A Anne sempre foi conhecida e adorada por escrever suas crônicas vampirescas no maior estilo gótico. Seus fãns (e acho que a Dani poderá nos dizer isso melhor) a adoram por esse estilo gótico. Em Servo dos Ossos ela mudou o rumo completamente e tentou uma abordagem diferente da que ela esta acostumada a fazer, ou seja, saiu do gótico e atacou o esotérico, o misticismo. Esse último estilo é bem conhecido nosso por ser o estilo do Paulo Coelho. O estilo não me agrada mas não posso negar que é sucesso absoluto de vendas em todos os cantos desse nosso planeta. Seja que país seja, seja que cidade seja, se você entrar em uma livraria verá o Paulo Coelho por lá. Agora o porque da Anne ter arriscado esse novo estilo não sei. Porque vende mais ? Porque a editora mandou ? Ou porque ela realmente cansou de vampiros… isso talvez a Dani possa nos dizer.

Se recomendo ? Como a Mércia disse, há espaço para tudo nessa vida, no entanto, eu acho que se queres ler Anne Rice o melhor é ficar com os outros livros da autora sobre vampiros. O Servo dos Ossos não me agradou pelos motivos que citei acima, mas também não acho que tudo que a Anne Rice faz é ruim, vide Entrevista com o Vampiro que eu particularmente achei super bacana e acho que esse foi o principal motivo que fez com que todos aqui do Clube se interessasse pelo Servo dos Ossos.

Talvez a Anne tenha se enveredado por um caminho que não é o dela e nesse aspecto, acho que estou de acordo com um artigo publicado na Veja sobre o livro. (Incrível !!! Achei algo útil nessa revista infame🙂 ) Essa é mais uma prova que nada pode ser 100% ruim🙂 E porque não dar uma segunda chance a Anne ?

Beijos a todos e tenham uma ótima semana !

Lys