Eu, estas últimas duas semanas tive pouquissimo tempo para a leitura. No entanto, semana que vem já está toda esquematizada para eu poder acelerar e me colocar em dia com a Anne Rice. Enquanto isso, “na sala de justiça”, a discussão está bombando ! E estou acompanhando e me divertindo pacas… esse Clube está animadíssimo 🙂

Uma discussão que considero muitíssimo interessante que rolou essa semana, e que foi iniciada pelo nosso querido Lino, foi a questão da produção literária massiva. Eu, assim como o Lino, passo longe das estantes de bestsellers na livraria. No entanto, assim como o Marcelo, prefiro de longe livros que me levam à reflexão e nessa busca por reflexão pode caber também um livro da alta linha de produção literária, mas só chegarei a eles se for empurrada por alguém. Por outro lado, concordo também com a Dani e a Mércia que expressaram nos comentários a opinião de que na vida tem espaço para tudo. Existem leituras (como ler a etiqueta da toalha do banheiro ou rótulos de embalagens 🙂 ) que não possibilitam reflexão alguma. Também existem outros momentos em que tudo o que queremos é não ter que refletir, e para esse momento, assim como a Dani vai para os braços da Anne Rice eu vou para os quadrinhos. Sim, eu adoro quadrinhos ! E sabe o que é incrivel ? Para quadrinhos meu senso crítico é bem mais relaxado e aceito qualquer coisa, desde a Turma da Mônica até Orquídea Selvagem.

Mas vamos mudar o tema um pouco. O Servo dos Ossos está longe de ser um livro de terror. Como a Dani também já disse, O Servo é um livro de fantasia. Tá ai mais uma coisa que só consigo gostar se leio em forma de quadrinhos ou nas telas do cinema. O fato é que vocês jamais me verão nas vitrines de fantasia que não seja procurando pelo Edu que se perde nelas todas as vezes que vamos à uma livraria. Enquanto espero o Edu na sessão de fantasia, prefiro ficar folheando os quadrinhos do Sandman, da Electra ou do Lucifer. Outro lugar que cabe para mim a fantasia é o cinema, mas em literatura… não sei porque, não me fascina. Sendo assim, seja por ser produção em massa ou seja por ser fantasia, O Servo dos Ossos nunca seria lido por mim, caso a Dani não desse um empurrãozinho. Mas não se preocupe Dani pois o problema é meu e você está apenas me dando uma oportunidade para abrir meus horizontes ! E isso é fantástico ! Isso era o que buscava aqui no Clube do Livro !

Mas essa não é a primeira vez que me deparo com um livro de fantasia. Como gosto muito dos quadrinhos Sandman, escritos por Neil Gaiman, uma vez resolvi dar uma chance para a fantasia e peguei um livro desse mesmo escritor, já que gostava dele. Peguei o American Gods na minha estante de livros (do Edu obviamente) e não consegui passar das primeiras 30 páginas. Quando comecei a ler O Servo dos Ossos tive a mesma sensação mas dessa vez não vou parar de ler pois tenho um compromisso… vou até o final e estou feliz, pois só assim vencerei meus pré-conceitos com a literatura fantástica e quem sabe, passanda essa barreira inicial, eu me descubra um novo gênero literário ?

Mas mudando novamente o rumo da prosa… apesar de eu não curtir fantasia fora dos cinemas ou das páginas dos quadrinhos, adoro o gênero Terror em literatura. Mas agora vocês vão me perguntar: Lys, mas terror também não é um pouco de fantasia ? Eu respondo então que o que me fascina no terror é o suspense, mais especificamente o lado psicológico da coisa. Coisas que nos perseguem todos os dias, como o escuro, a solidão e a morte. E nada melhor do que exemplificar o tipo de livros de terror psicológico com a minha literatura de cabeceira durante a adolescência: Edgard Allan Poe. (Nunca mais… para você também Ethel 🙂 )

Poe é fantástico, sim, mas a literatura tem quase nada de fantástica. Ele trabalha com os nossos medos intrínsecos e poderia citar varios exemplos, no entanto, para quem ainda não leu, qualquer resuminho estragaria a leitura por completo. Vale a pena pegar a obra e ler você mesmo. No entanto, tem um exemplo que não poderia deixar de citar… que é o conto entitulado, em português O enterramento prematuro. Esse não é nem um dos melhores de Poe, mas causou pânico eterno em muitas pessoas que eu conheço. Porque ? Já pensou você acordar em um lugar úmido, completamente escuro, apertadinho e com pouco ar ? Tateando aqui e ali você começa a delimitar o seu espaço e entender que você está dentro de uma caixa ! Um raciocínio um pouco mais elaborado te leva a concluir que estás em um caixão ! Você foi enterrado vivo ! Sem contar as inúmeras historias que li de Poe, essa me deixou marcas para toda a existência e me fez, assim como para outras pessoas que conheço que também leram Poe, decidir pela cremação na hora da morte. Ok, não adianta me dizer que essa coisa de ser enterrado vivo não acontece mais pois a medicina está super avançada, mas medo é medo e para medo não há explicação científica capaz de resolver o perrengue 😀

Hoje em dia eu acho que o terror é dominado por três vertentes, uma delas é a fantástica (como a abordada pela Anne Rice), a segunda é o sanguinário aonde aparecem pedaços de pessoas para todos os lados e sangue do começo até o final e no campo do terror psicológico, os espíritos entram em ação.

Na minha opinião falta no terror contemporâneo um pouco de mexer com nossos sentimentos intrínsecos como o Poe fazia tão bem. Seria isso porque nossos medos internos são menores do que antes ? Ou será que Poe já explorou todos eles e não sobrou nada para os escritores atuais ?

Para quando vocês terminarem com O Servo dos Ossos e sobrar um tempinho para se enveredar no terror psicológico do Edgard Allan Poe, existem vários contos disponíveis para download em português, no site da Sociedade Brasileira para Apreciação de Edgar Allan Poe. Vale a pena conferir ! Dani, pelo menos você acho que vai adorar !

Mas agora, deixa eu ir lá enfrentar o Servo dos Ossos, pois esse eu não vou abandonar pela metade. Por vocês… e também por mim 🙂

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