Alguns pontos me chamaram a atenção no roteiro traçado pela autora – que é norte-americana -, em sua obra O Servo dos Ossos.

Primeiro, o herói ser judeu, o que manifesta a matriz religiosa e econômica dos norte-americanos . Isso explica, inclusive, que o vilão seja evangélico, apesar de “terrorista”. O terrorismo é um fantasma dos americanos de lá, sem dúvida. E é esse o segundo ponto que me interessou, porque está intimamente ligado não só ao medo diário dos moradores daquele país, mas também porque interfere inevitavelmente no medo que sentem os países que se alinham ideologicamente aos Estados Unidos, em relação a esse símbolo forte que é o “terror”. Basta lembrar os atentados ocorridos na Inglaterra e na Espanha, exemplos recentes dessa problemática questão.

Interessante, também, é o fato de que, apesar de ser um livro classificado no gênero do terror, coloca um terrorista como “vilão”, o que demonstra a ambigüidade do termo. O que seria exatamente isso de “terror”, já que surgiu esse tópico? Alguém arrisca?

Quanto à questão do medo de sentir medo, penso que ele é inevitável, mas passível de enfrentamento. A contribuição do Freud para essa discussão, com a noção da neurose fóbica, é fundamental, ao meu ver. É muita coisa para falar num post curto, mas podemos resumir da seguinte maneira: antes de qualquer coisa, antes de encarar qualquer medo, é importante perceber que cara exatamente ele tem. Isso por que, nos termos da fobia, ele-medo vem sempre disfarçado. Afinal, não é bobo. Se o fosse, não teria te dominado. Portanto, o que vale, primeiro, é descobrir a máscara que seu medo usa. E cuidado com esse “descobrir”. A ambigüidade está sempre à solta, e descobrir a máscara não é poder tirá-la. O que se pode fazer com a fobia? Subvertê-la em máscaras menos medonhas.. Talvez seja uma pista.

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