Se a vinda da corte portuguesa ao Brasil há cerca de 200 anos atrás trouxe alguma vantagem para o Brasil ou não, isso é dificil de dizer ao certo. Na verdade, acho que esse é um assunto bastante polêmico. Em alguns pontos foi ótimo pois fez com que Portugal olhasse para o Brasil com mais carinho e instituisse melhores escolas, imprensa, leis, entre outras coisitas mais. Por outro lado, há quem diga que a presença da corte aqui apenas facilitou o desfalque nas riquesas e exploração de nossa terrinha. Ouro esse, que saía do Brasil pelas mãos dos portugueses e que ia diretinho para as mãos da rainha da Inglaterra, parecia brincadeira na mão dos portugueses naquela época.

Mas até aí, com a corte portuguesa aqui ou lá ou até mesmo na China, não acho que a história da extorção seria diferente. Colônia é colônia e é assim que funcionavam as coisas naquela época. Mas o fato é que, com a forcinha dada por Napoleão, o Brasil foi a única colônia que teve o privilégio de receber uma corte inteirinha ! Já pensaram nisso ? Por esse lado é até meio que divertido pensar em como rolou toda essa mudança naquela época aonde o tranporte era tão complicado não é mesmo ? Eu tenho que mudar no final do ano para o Brasil e sei muito bem que cruzar o oceano com uma mudança não é lá a coisa mais simples. E O Chalaça, livro proposto pelo Álvaro, nos presenteou com uma abordagem para lá de divertida !

Uma das coisas que descobri com a leitura do livro é que o nosso famoso “jeitinho brasileiro” é mais antigo do que eu imaginava e deve muito bem ter vindo no navio junto com a corte portuguesa. Qual jeitinho ? Bom, segundo a wikipédia, esse jeitinho é uma certa forma de obter favores apelando para recursos emocionais. Atividade essa na qual o Chalaça era maestro. Segundo a wikipédia, não devemos confundir o tal jeitinho com aquele sentimento de querer se dar bem em tudo chamado malandragem ou até mesmo a Lei de Gérson para os mais íntimos. Esse jeitinho tão típico brasileiro, que anda irritando o nosso amigo Lino nos últimos dias, é de fato capaz de tirar qualquer um do sério. Isso porque a definição desse mesmo jeitinho esbarra na fronteira da malandragem e da tolerância humana no momento em que para se obter esses tais favores, é necessário invadir o espaço dos outros e apelar para a chantagem emocional.

Estive em Portugal no final desse ano. Passei um tempo por lá e uma coisa não me saiu da cabeça desde esse momento em minha vida, em que estreitei o meu relacionamento com nossos queridos colonizadores (que de fato ficaram mais queridos depois de minha estadia). Adorei Portugal ! Adorei os portugueses ! O que percebi é que somos absurdamente parecidos ! Na verdade, se juntarmos brasileiros e portugueses em uma mesma sacola, seria difícil diferenciar um do outro se ninguém abrisse a boca. Comemos basicamente as mesmas comidas, falamos a mesma língua, fazemos as mesmas piadas (quer dizer… quase as mesmas 🙂 ) e rimos das mesmas coisas. Talvez, para quem venha do Brasil essa semelhança não seja tão marcante, porém, aos meus olhos, morando fora do Brasil já há tanto tempo, pisar em Portugal me deu o mesmo calor no coração que tenho ao pisar em terras brasileiras. Esses dias mesmo escutei de um amigo um comentário que nos brasileiros somos parecidos com os portugueses até mesmo na tristeza (!). Ou seja, acho que não sou a única a pensar desse jeito. Bom, talvez vocês não concordem comigo, mas eu acho que nós e os portugueses somos absurdamente semelhantes em inúmeros aspectos.

Por outro lado, tive a oportunidade de viver aqui na Inglaterra e ao passar pelos Estados Unidos só conseguia pensar em como esses dois países são diferentes, apesar do segundo ter sido colônia do primeiro assim como o Brasil foi de Portugal. O mesmo podemos ver entre Espanha e os outros países da América Latina que tiveram esse país como colonizadores. Morei no Chile e passei quatro meses na Espanha, tenho amigos argentinos e espanhóis e posso dizer, que pelo menos em minha pequena amostragem, eles são absolutamente diferentes como comunidade em inúmeros aspectos… a única semelhanca que vejo é a língua, mas até mesmo a comida é diferente. Mas notem que essa afirmação nao é baseada em nenhuma estatística, apenas minha observação pessoal e enviezada, portanto, parcial.

Voces têm a mesma impressão que eu sobre essas semelhanças e diferenças ? Ou será que estou viajando na batatinha ? Já pensaram sobre isso ? Pois então vamos trocar figurinhas…

Desde que saí de Portugal isso me deixou intrigada e passo aqui a questão para vocês me responderem, pois eu não tenho a resposta… o que fez a diferenca ? Será que o motivo pelo qual nos brasileiros e portugueses somos tão parecidos tem algo a ver com a presença da corte no Brasil por alguns anos, impondo sua cultura, educação e gosto ? Ou será que a diferença é que nossos nativos ofereceram uma menor resistência ao que vinha de fora do que os nativos dos outros países da América ou até mesmo a Índia e África ?

Tá aí uma questão para eu entender… mas acho que para isso terei mesmo é que recorrer aos livros de história 🙂 , talvez o 1808 indicado também pelo Álvaro. Pois O Chalaça (que apenas na minha opiniao era misógeno) é uma divertida ficçao, apesar de nos contar algumas verdades, baseada em fatos históricos narrados pelo ponto de vista, também enviezado, do malandro típico brasileiro, apesar de português, que inspirou tantos outros em nossa terrinha. O livro nos divertiu e nos fez abrir as portas para diversos pensamentos por algumas semanas, como por exemplo a condição da mulher na corte e na colonização, que discutimos aqui e aqui e mais aqui. Até mesmo um babado quentérrimo na corte rolou aqui no nosso Clube!

Espero que o objetivo de nosso companheiro de leitura Álvaro tenha se cumprido com essa maratona de posts e lembrem-se que amanhã já começaremos com o novo livro sob um novo tema !

Beijos a todos e tenham um ótimo domingo,

Lys

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