Meu pai, para quem não sabe, alem de escritor, é também advogado. Cuida de questões de direitos autorais, direitos de imagem e outros que tais. Pois não é que chego aqui, comento do Clube do Livro, do Chalaça, ele arregala um olho deste tamanho e dispara à queima-roupa: –Mas você sabe quem foi o Chalaça? E eu: -Claro, né! Sim, porque antes de ler o livro, fiz minha lição de casa: fui lá, pesquisei sobre o personagem, pesquisei sobre o autor, entrei no blog do dito cujo etc. e tal. Pois bem, foi minha vez de perguntar: – Por que?
Ora, continuou, meu pai, pois amanhã mesmo vou te trazer um documento que vai fazer toda a diferença, da Suécia.
Uau! Da Suécia! Resumo da ópera: parece que o
Museu do Vasa, um museu histórico localizado em Estocolmo, ao preparar as exposições para 2009-2010 (sim, lá as coisas funcionam com mais antecipação do que em Terras Brasilis) localizou uma carta de Dona Amélia Augusta Eugênia de Leuchtenberg, para sua irmã Josefina Maximiliane Eugénie Napoléonne de Beauharnais (que se casou com o Rei Oscar, da Suécia). Meu pai me trouxe ontem o material, que segue abaixo. Os descendentes estão simplesmente F-U-R-I-O-S-O-S por que a imagem de Dona Amélia foi manchada pelo livro de Torero. Se a carta é falsa ou verdadeira, se atradução está correta, isto não sei (Dona Amélia falava português, mas não com a irmã). Aí vai.

Querida irmã;

Estou aqui nas Ilhas Madeiras, com muitas saudades não da corte, mas dos entes queridos. Ainda sinto falta de Pedro, mas Graças a Deus tivemos nossa carinhosa filha. Sua sobrinha, Maria Amélia de Bragança, está aqui ao meu lado e lhe manda lembranças.

Espero que os ares da ilha promovam sua pronta recuperação e ela não venha a falecer como meu estimado senhor.

De resto, tenho me dedicado a preservar a memória de Pedro, com obras de caridade e uma vida muito regrada.

Sei que não foi fácil aceitar a vida que ele levava, principalmente estimulado por aquele secretário que até hoje tenho atravessado nas horas e dias. Não posso nem pensar nisto! Este Senhor Francisco Gomes da Silva, que tem por alcunha Chalaça, aproveitou-se de Pedro. Um bastardo que fez fama e fortuna às custas do Imperador, um falso amigo.

E agora, continua querendo tirar partido, o indigno! Pois que se diz chegado a mim, insinua até que somos íntimos, ora pois! Não sei o que faço, como seu eu ousaria em tão curto espaço de tempo trair a memória do meu amado. Em seu leito de morte prometi dedicar-me a tornar nosso Reino mais justo, que sempre foi seu sonho, e cuidar de nossa filhinha.

Irmã, espero ansiosa tua resposta, pois não sei como proceder para calar a boca deste calhorda – desculpe-me as palavras fortes, mas é pouco para descrevê-lo! Conte-me de ti também e destas terras geladas onde agora habitas.

De sua sempre irmã,
Amélia A. E. de Leuchtenberg”

Gentem!!! E agora? Vocês acham que o Chalaça teve mesmo um caso com a Imperatriz, superando barreiras sociais e econômicas? Porque, lembrem-se: ele era um bastardo, ela, de casa real francesa. Diferenças socias, creio eu, que até hoje permanecem. Alguém ai teve “causos” inter-sociais? Ethel Scliar

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