D. Pedro I, no BrasilO papel histórico (?) do Chalaça ocupou o que disse, no início e em seguida, aqui neste Clube. E continuou ocupando o proscênio com a Scliar, que ressaltou a diferença entre verdade, verdade histórica e ficção. As duas primeiras, na verdade, são uma ficção bem fundamentada, nada mais do que isso.

Se a história serve como referência para confirmar a existência do Chalaça e sua importância na troupe que seguia D. Pedro, o primeiro aqui, mas o quarto lá, ela é apenas o referencial no livro do Torero. Ao optar pela ficção, ele fez a escolha da liberdade, de poder florear o personagem, dar-lhe falas que não teve e até comportamentos que não assumiu.

Ao tomar este caminho, José Roberto Torero tornou um personagem que, inicialmente, poderia ser visto como um simples alcoviteiro, em algo digno de registro histórico, participante de decisões da Corte, aqui no Brasil e em Portugal. Na realidade, Francisco, o Chalaça, foi tudo isso? Não importa. O que prevalece, no final, é a verdade do livro, do personagem que foi para ele criado.

Se teve ou não dimensão histórica – e teve – isso, no caso do livro, não é importante. O que importa, no final, é que Torero criou um personagem consistente, colocando-o em um mundo que o levou de um humilde servidor ao lado do Imperador do Brasil e do rei de Portugal. E fez isso preenchendo os hiatos históricos, contando as peripécias de um personagem.

No final, o que temos é uma leitura agradável, divertida até. O personagem histórico – que na verdade devia ser um chato – se perde nesta narração. Mas o livro ganha em vida.

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