mukthar.jpgA questão do feminino e dos direitos das mulheres ganhou, a partir da globalização, uma nova ótica. Se de um lado nas chamadas democracias ocidentais há – pelo menos devia haver – a prevalência da lei civil, que oferece mais proteção às mulheres, no Oriente, na África e na Ásia ainda se misturam a lei religiosa e a civil, com a primeira predominando, o que leva a quase exclusão das mulheres da sociedade.

Tomemos o caso de Mukhtar Mai, a paquistanesa que foi estuprada por homens de um clã vizinho, mais poderoso. O que ela fez? Não importa. O que se destaca é o fato de os homens, em uma sociedade tribal, estarem acima das leis civis, podendo dispor da vida de todos, mas principalmente das mulheres, que não são consideradas cidadãs e, muito menos, pessoas.

Este exemplo, que ganhou destaque mudial, mostra que a opressão às mulheres é uma prática comum. Neste tipo de sociedade, elas estão depois dos objetos domésticos, que têm mais valores que elas. Hoje, sabemos disso. E o sabemos graças à globalização. É um dos bons frutos que a mundialização nos trouxe.

Graças aos meios de comunicação, que miram no diferente, no inusitado, tomamos conhecimento da violência contra as mulheres, notadamente em áreas de domínimo islâmico e na África. O noticiário e a mobilização das organizações de defesa dos direitos humanos, que fazem, com justa causa, um considerável barulho, funcionam como pressão de fora para dentro para que países adotem legislações civis e punam qualquer violência contra as mulheres.

Há, em relação à postura masculina nessas áreas, uma outra consideração, já que se apegam a religião para justificar o que, no Ocidente, consideramos um comportamento bárbaro. O islamismo é uma religião igualitária. O Corão trata homens e mulheres iguais. Por princípio, então, a postura masculina teria de ser diferente. Mas não é. Entra neste caso uma tradição machista, que coloca a mulher à margem, não lhe dando voz nem direito.

A situação das mulheres em culturas onde este tipo de comportamento é dominante persiste há anos, talvez mesmo há séculos. Antes, restrita às sus aldeias, aos seus países, acabaou ganhando foco com o olhar ocidental graças à globalização. Em busca do diferente, do exótico, a mídia descobriu um outro mundo.

E aos descobri-lo acabou levantando o véu da repressão feminina, indignando a sociedade ocidetal e fazendo com que, a partir de exemplos chocantes, como o de Mukhtar Mai, houvesse uma ampla cobrança por mudanças. Elas estão ocorrendo, fruto da pressão dessa mesma globalização, mas são lentas. Aliás, como toda mudança de cultura.

É por isso que é importante discutir a questão, que nos leva aos direitos da mulher no próprio Ocidente, onde têm muito mais liberdade, mas ainda sofrem vários tipos de limitações. Só falando destas questões é que vamos contribuir para que ganhem visibilidade e, com isso, sejam enfrentadas.

É exatamente isso que este Clube do Livro está fazendo. A partir do exemplo de Mukhtar Mai vamos colocar algumas luzes sobre a questão feminima, discuti-la e constatar, no final, que há ainda um longo caminho a percorrer.

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ADENDO DA LYS
Apenas uma observacao aqui no post da gloriosa Cissa – na verdade, do Lino – para quem queira comprar o livro para acompanhar as discussoes aqui no clube:

Proximo livro a ser discutido no Clube do Livro é o Desenrada (In the name of Honour) de Mukhtar Mai.

Esse livro pode ser comprado por exemplo no Estante Virtual por 39,90 reais. Para quem mora fora do pais, na Amazon custa aproximadamente 10 dolares. Eu nao encontrei em nenhum lugar para download gratuito mas se alguem souber de algum link manifestem-se !

Eh isso ai moceda. O Clube do livro vai mergulhar de cabeca no mundo oriental 🙂

(Editado pelo Lino)

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