Quando eu li Brave New World pela primeira vez, eu o fiz pra cumprir com uma tarefa escolar. Todo mundo já passou por isso, certo? O professor escolhe um livro e todo mundo tem que ler e discutir o bendito. Nem preciso dizer que essa obrigacão de ler um livro não me agradou nem um pouco. Mas li, fazer o que?, e não gostei muito do livro. Achei meio datado, com a paranóia do perído entre-guerras e principalmente cientificamente atrasado. Me refiro à forma como as pessoas eram criadas, alterando as condicões ambientais às quais os “bichinhos” eram expostos. A descoberta do DNA só seria feita décadas depois do lancamento do livro. Reler Brave New World, entretanto, me deu a chance de reavaliar os meus conceitos a respeito dele e de seus personagens. Um personagem, por exemplo, que me chamou bastante atencão dessa vez foi Bernard Marx.

Ele nasce em uma sociedade de castas, em que as pessoas são criadas com cópias,  não devem ficar sozinhas mas sim devotar seu tempo a atividades coletivas, devem consumir o máximo possível, não ter parceiros fixos, etc. Tudo isso em nome da estabilidade. Mas principalmente, elas não devem sentir-se infelizes. A profilaxia da felicidade se faz através de doses regulares da pílula chamada soma, a qual já foi discutida aqui no blog. O que acontece com Bernard Marx, um cara chato e com complexo de inferioridade,  é que ele não se sente feliz e não quer tomar o soma. Além disso, ele quer ter o direito de ficar sozinho. Ou seja, ele é a antítese do cidadão socialmente normal.

Voltando ao livro, e pra encurtar a história, Bernard Marx acaba recebendo autorizacão para visitar a reserva habitada pelos selvagens – os não-civilizados. Nessa lugar ele acaba ficando com uma mulher nascida civilizada mas acabou sendo levada a morar entre os selvagens. Essa mulher, por sua vez, tem um filho, nascido na reserva e que sonha em viver entre os civilizados. Quando ele finalmente concretiza seu sonho, os valores do mundo onde ele vivia e do mundo novo colidem, resultando em um catastrofal choque cultural. Bernard Max é a ponte entre esses dois mundos e, no final das contas, acaba sendo banido por seu comportamento não conformista.

Só por essa trama, o livro já vale a pena ser lido. Se da primeira vez que li o livro, me liguei à parafernália tecnológica e àquele mundo anti-utópico, e achei o livro um tanto chato, dessa vez me chamou mais atencão o conteúdo socio-psicológico super atual. Quantos Bernards conhecemos realmente? Que preco se paga, quando se escolhe o não-condicionamento? Qual a interferência da tecnologia nas relacões entre as pessoas e os conceitos de felicidade?

Dessa vez então eu recomendo a leitura e fico grata de ter surgido a oportunidade de reler esse clássico.

Abraco  pra vocês!

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