Enquanto isso ocupo meu tempo, entre outras coisas, a pensar qual tema colocarei no Clube. Quais livros. Que tema domino bem tem pelo menos três bons titulos para serem escolhidos? nao preciso nem pensar duas vezes: parto e amamentaçao. Égua, colocar Lino e Lys para ler Michel Odent ou Janet Balaskas seria, como posso dizer, cruel. Tadinho deles. Não farei isso.Outro tema quem em interessa? Criação de filhos. Ah não esquece. Até eu já cheguei a conclusão de que esse tipo de literatura só serve para torturar os pobres dos pais com possíveis e pseudo traumas futuros de seus filhos ou ainda para livrar nossa consciencia da culpa dos filhos serem as éguas que sao. Deus me livre!

Deus??? Jesus seria uma ótima opção. A Operação Cavalo de Troia nos trás um Jesus lindo, humano e fala de um Deus exclusivamente feito de bondade e amor. Mas será que o povo saberá separar Deus de Igreja? Fé de religião? Uhhh como diz o ditado: religião, política e futebol não se discute!

O que faço então??? Lançar um tema, propor uma discussão depois do Lino não é nada fácil! Ok, entao vamos falar de uma coisa mais amena: a violencia contra a mulher! hehehe… foi ironia!

Por séculos e geracoes ela foi posta como submissa, inferior e deveria se dedicar ao marido e aos filhos. A Bíblia ensina isso diversas vezes. A Bíblia… escrita a milhoes de anos atrás, em uma época bem diferente da de hoje. Todo mundo sabe disso. Nao é verdade? Ninguém mais discrimina um ser humano por conta de seu sexo. Quem é louco de dispor uma mulher de forma brutal e desumana? Quem será bisonio a multila-las, corpo e alma? E qual será sua única saída: a voz!

A denúncia de mutilação genital das mulheres somalis é o grandioso objetivo da obra Flor do Deserto. Através de sua biografia, a modelo africana Waris Dirie, atravessa as fronteiras da Somália e mostra ao mundo o lado grotesco de sua cultura. Waris conta que foi mutilada aos cinco anos de idade, numa espécie de rito de passagem.O relato impactante mostra a crueldade e o preconceito aos quais são submetidas as meninas somalis. Seus clitóris são extirpados com objetos rudimentares, como facas, tesouras e lascas de pedras, sem preocupação com higiêne, pondo em risco milhares de vidas. A cultura de seu país atribui à genitália feminina o estigma do mal, por isso toda filha mulher é submetida a ritual de mutilação. A modelo relata sua saga pelo deserto da Somália, fugindo da tirania do pai, cuja mentalidade cultural, permite não só a mutilação, como a escolha do marido para a filha. A menina Waris foge,ainda sangrando para Mogastício a pé, enfrentando animais selvagens e areias escaldantes por 500Kms. A provação de Waris é recompensada em parte, fora do seu país e longe das imposições de sua cultura, ela se torna uma modelo conhecida internacionalmente, o que lhe permite denunciar ao mundo a bárbarie a que são submetidas as mulheres somalis.Hoje Waris é embaixadora da ONU e responde por assuntos que denunciam a crueldade contra as mulheres de seu país. (Fonte)

Este livro conta-nos a atroz história de Mukhtar Mai, uma jovem paquistanesa de 28 anos que vive numa aldeia no interior do país. É em Junho de 2002 que um auto-intitulado tribunal da aldeia se reúne e condena a jovem a uma terrível sentença: Mukhtar é condenada a ser violada. O crime de que é acusada é ter de pagar pelo facto de o seu irmão mais novo, de apenas doze anos de idade, ter sido visto com uma rapariga de outro clã. Depois de violada, humilhada, desonrada esta jovem podia ter optado, como o fazem tantas outras em circunstâncias idênticas, pelo suicídio. Em vez disso decide, corajosamente, permanecer na sua aldeia e dar a conhecer ao mundo inteiro, apesar dos riscos que isso implicava, a atrocidade de que tinha sido vítima. Mais tarde construiu uma escola na sua aldeia pois segundo defende só a Educação poderá ajudar a acabar com situações destas. (Fonte)

A escolha por esse tipo de violência a mulher, de certa forma ligada a religiao e tradicao, nao é a toa. Vivo na França, mas conto nos dedos de uma única mão os franceses “puros” que conheco. A maioria sao árabes, marroquinos, mulcumanos e afins. Eles vivem aqui como em guetos. Nao falam com “os outros”, suas criancas nao participam de festinhas, estao sempre fechados em sua sociedade. Me dá arrepios ao pensar do que essas mulheres escaparam no país delas… ou não!

P.S: por motivos técnicos, não achei um terceiro livro para colocar na roda. Se alguém souber, fique a vontade!

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