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Meu livro ainda não chegou, e creio eu que terei problemas dessa vez pois o correio aqui no primeiro mundo, onde tudo funciona é lindo, perfeito, sem falhas, está em greve sem previsão de voltar ao trabalho. Não é maravilhoso pagar impostos tao altos, vender uma imagem de está morando no paraíso terrestre e pegar uma rabiçaca dessa? Sinceramente, estou a beira das lágrimas de pura emoção.
Bom, na falta das minhas avós, nao quero ler os post dos colegas agora para não ser influênciada, vou voltar ao tema Violencia por tradiçao ao qual, por problemas de cunho técnico e pessoal fiquei devendo os dois ultimos post.
A Lys não poderia ter encerrado o tema de melhor forma ao nos presentear seu ultimo post onde abrange a violência como um todo, de um todo. E vocês viram como é fácil prever e tratar dela? Infelizmente, esse tratamento, na forma em que se encontra hoje nosso mundo é lento, muito lento, por pura falta de infra-estrutura do estado, da família, da igreja em fim, todas as instituiçoes que de uma forma ou de outra são resposáveis por nossa criação. É muito fácil jogar a culpa no outro, tomar um pouco dela para sí AGIR é o problema.
O homem quando vivia nas cavernas (eu nao estava lá, que fique bem claro) era obrigado a lutar para sobreviver. Seus instintos animais eram aguçados e qualquer ameaça era respondida com brutalidade para se defender e sobreviver. Trouxemos isso para a vida moderna. Por mais civilizado que tende a ser a raça humana, e nesse ponto as mulheres estão anos luz a frente dos homens, (ou vocês já viram um homem sentar para discutir a relação?) sua constante necessidade de provar que é mais forte tras de volta o primitivismo teoricamente deixado para trás!
Hoje eh o ultimo dia que falaremos sobre o tema proposto pela Cica, tema esse que rendeu discussoes excelentes aqui no clube do livro. Acho que foi consenso que o livro Desonrada da Mukhtar Mai nao foi la grande coisa e poderia ser muito melhor escrito, mas no final acho que todos nos concordamos que esse tipo de livro tem uma razao de ser.
Abordando o tema proposto falei aqui no clube sobre a violencia domestica contra a mulher e tambem sobre a importancia de uma educacao mais libertaria para meninos e meninas para mudar a questao do sexismo no futuro.
Hoje, fecharei o tema com algo que comecei a semana passada, abordando o tema Violencia em um contexto geral e como uma doenca. O fato eh que apesar de entendermos que a violencia deve ser combatida, pouco entendemos sobre a violencia em si. E na tentativa de entender um pouco mais sobre essa tal de violencia, resolvi ler um artigo sobre a neurobiologia da violencia escrito por Jan Volavka. Hoje portanto, termino meus posts sobre o tema proposto pela Cica com um resumo do que aprendi sobre violencia.
Fatores Sociais e culturais sao importantes no desenvolvimento de um comportamento violento. No entanto, esses fatores e suas flutuacoes geram respostas diferentes em diferentes pessoas. Na verdade o comportamento violento se desenvolve atraves de uma complexa interacao entre fatores neurobiologicos e ambientais. Esse artigo se foca principalmente na neurobiologia e argumenta que alguns dos mecanismos do comportamento violento sao bastante similares ou ate mesmo identicos aos relacionados ao comportamente suicida.
Fatores Externos:
O uso de substancias tais como alcool ou drogas sao de fato relevantes para aumentar a violencia. Nos Estados Unidos 34% dos casos de violencia eh suposto ser devido ao uso de substancias quimicas. Apesar do fato de pessoas com problemas mentais tais como esquizofrenia e problemas de humor normalmente ter uma tendencia maior a pratica de crimes mais violentos, apenas 4 % dos crimes nessa pesquisa eh atribuido a pessoas com essas doencas. No entanto, essas doencas misturadas com o consumo excessivo de substancias como alcool e drogas, pode aumentar e muito o fator de risco. Outros tipos de doencas mentais, tai como demencia e retardamento mental pode engatilhar um comportamento violento impulsivo, mas isso em menor escala que os anteriores.
O ambiente aonde crescemos tem um efeito poderoso no comportamento violento. Pelo menos 33 % das criancas que crescem vitimas da violencia domestica dao continuidade as agressoes em suas familias, com os filhos e companheiros (a Scliar escreveu um post super legal que se encaixa bem aqui nesse ponto) . Esse ambiente domestico eh determinado pelo comportamento dos pais e esse comportamento nao eh independente dos problemas geneticos dos mesmos. Portanto, fatores geneticos e ambientais influenciam de fato o desenvolvimento de uma crianca.
Fatores Internos:
O comportamento agressivo pode ser aprendido sim, no entanto essa nao eh a unica forma de tornar as criancas violentas. O desenvolvimento do cerebro nessa hora tem um papel importante no comportamento futuro das criancas. Consumo de alcool durante a gestacao ou rejeicao materna prenatal tambem podem aumentar a predisposicao para um comportamento agressico da criancas em sua fase adulta.
Neurotransmissores e hormonios, incluindo esteroides e outras substancias estao tambem relacionados com comportamento agressivo. Serotonina, que eh um neurotransmissor, mimetizada por algumas drogas e alimentos, por exemplo exerce um controle de impulsos agressivos. Baixo nivel de CSF 5-HIAA (que entendi ser um acido - 5-HIAA - no fluido espinal cerebral) foram encontradas em pessoas agressivas. Aparentemente essa substancia esta fortemente relacionada com o nivel de agressividade, indice de suicidios e ate mesmo o alcoolismo, que por sua vez, acentua ainda mais a agressividade. Outro neurotransmissor importante nesse caso eh a Noradrenalina. E por ai nao acaba mais… nao vou entrar em detalhes de cada substancia pois sao muitos detalhes para escrever em um post e nao tenho intencao e nem a pretencao de ser especifica. Mas o que importa eh que existem substancias em nosso organismo que comprovadamente, em baixos niveis ou auto niveis, propiciam o comportamento violento. Se nosso organismo eh incapaz de produzir essas substancias a contento e em equilibrio, o desbalanco acontece e a agressividade aparece. O que deve ficar claro aqui eh que essas substancias que contribuem para o controle da neurotransmissao sao geralmente transmitidas atraves dos genes. Essa funcao nao pode ser modificada por fatores externos a nao ser por mutacao genetica. Somada a outros fatores externos o comportamento agressivo inerente pode ser amplificado mas nao modificado permanentemente.
Genero e a violencia:
Nos Estados Unidos, aonde essa pesquisa foi feita, 85% dos presos por crimes violentos sao homens. Uma porcentagem semelhante tambem eh verificado em pesquisas e nos relatos pessoais feitos nas comunidades normais. No entanto, dentro de comunidades com problemas mentais ou uso excessivo de substancias quimicas, essa diferenca se reduz brutamente. Em hospicios nao ha diferencas entre os generos e ambos os sexos apresentam o mesmo grau de agresividade.
Segundo o artigo, a diferenca na agressividade entre os generos se desenvolve na pre-escola e atinge seu apogeu na puberdade. Homens tambem sao mais vulneraveis ao alcoolismo do que as mulheres.
Existem alguns tipos de substancias relacionadas com o controle do comportamento agressivo que sao de fato bastante limitadas nos homens. Um nivel elevado de testostetona pode tambem estar associada com a agressividade na juventude, e isso vale tanto para adolescentes homens e mulheres, mas eh muito mais predominante nos meninos. Mas, ainda nao existe nenhum consenso a respeito das causas dessa diferenca e predominancia da violencia masculina.
Prevencao e Tratamento da Violencia:
- Uma maior atencao e cuidados no pre-natal e natalidade pode reduzir consideravelmente o nivel de violencia em uma sociedade.
- Tratamentos detox, combatendo alcoolismo e uso de substancias toxicas, sao fundamentais ja que esses fatores sao os fatores externos que mais influenciam o comportamento agressivo.
- A reincidencia de crimes violentos pode ser reduzido consideravelmente com um tratamento detox nos presidios.
- Tratamento e acompanhamento psiquiatrico deve ser estimulado e encorajado a pacientes com problemas mentais ou de personalidade, principalmente os que apresentam uma maior propensao a um comportamento agressivo.
Existem tratamentos para a violencia. Nos casos mais simples uma terapia ou acompanhamento psicologico deve ser suficiente. Casos mais graves tambem podem ser tratados atraves de medicamentos e reposicao de substancias tais como o Litio ou Clozapine, muitas vezes usadas para o controle da depressao e desfuncao cerebral.
A pessoa violenta deve ser considerada doente e deve ser encorajada a iniciar um acompanhamento medico, seja ele de desintoxicacao, de carater psicanalitico ou ate mesmo de reposicao de substancias.
Por outro lado, tratamentos para a agressao ainda eh motivo de contestacao e debates, e ainda muita coisa permanece no obscurantismo. Entender a neurobiologia da violencia no contexto biosocial eh fundamental para um convivio social mais feliz ! Se queremos paz, temos que trabalhar duro por ela pois ela nao vira sem um esforco coletivo. E isso foi muito bem colocado pela Dani em seu post e com sua tirinha.
Aprendi bastante com essa leitura. Duvidas ? Eu ainda tenho varias, mas acho que por hoje eh so !
Para quem quiser ler o texto na integra, ele pode ser baixado desse link aqui. Esse mesmo autor possui varios livros na area caso alguem tenha interesse em se aprofundar mais no tema.
Um abraco a todos e tenham um otimo domingo sem violencia !
Lys
Fiquei pensando e pensando sobre o que escrever nesse post… não aguento mais tanta violência no mundo, nas ruas, no trânsito, no trabalho e em todos os lugares!! Não sei a solução pra toda essa violência, não chego nem a me atrever a tentar!! Mas acredito que a violência vive dentro de nós, faz parte de cada um!! E nem venha me dizer que você é a pessoa mais pacífica do mundo… em algum momento sua violência aparece, mesmo que seja bem canalizada!! Eu mesma quando dirijo sou quase possuída por um monstro violento… xingo, ultrapasso, tenho vontade de matar vários!!! Por isso mesmo me policio muito, ligo o som com alguma música que goste e tento relaxar… mas é a minha face violenta querendo tomar conta!!
O que fazer então se somos todos violentos?!!? Como poderemos diminuir ou acabar com a violência se ela faz parte de nós?!!? Sinceramente eu não sei.. mas acho que depende de cada um de nós (claro, além de muitos outros fatores!!) aprender a canalizar nossa violência, a usá-la pra outras coisas que não a destruição.

Enfim, acho que não dá mais pra ficar só culpando o governo e esperando algo acontecer… já passou da hora de cada um fazer a sua parte e ajudar o outro a fazer a dele!! Só assim talvez tenhamos a chance de conseguir a tão sonhada PAZ!!!

Hoje eh meu ultimo post livre sobre o tema Violencia por Tradicao proposto pela Cica. Semana que vem todos os autores se focarao no tema proposto e discutirao suas ideias sobre a questao. Eu decidi falar do tema proposto hoje e dar continuidade a semana que vem pois acho, do fundo do coracao que a Violencia nao esta relacionada com a tradicao no sentido que usamos para esse livro, mas a questao eh imensa e complicada o suficiente para ter que ser dividida em dois posts loooonnngos, bem meu estilo
. Como assim ? Vou explicar.
Os seres humanos sao tradicionamente violentos. O que quero dizer eh que durante a historia inteirinha podemos citar casos serios de violencia entre todos os povos e civilizacoes, no entanto, nao acredito que a violencia esteja intrinsecamente relacionada com religiao, nem tradicao, nem cultura, nem classe social, nem com educacao, nem nada. O fato eh que a violencia nao se justifica nunca. Temos exemplo dos dois lados em todas as racas, pessoas violentas e nao violentas coexistindo em varios lugares do planeta independente de qualquer coisa que seja e o negocio eh homogeneo.
Pode ser que alguns lugares as pessoas violentas sejam mais violentas e outros menos violentas, mas a violencia esta em todas as partes. Ela pode ser amplificada por fatores externos e ai cabe sim todos esses que citamos acima, mas estou desconfiada que a violencia eh intrinseca aos individuos, mas nao entendo o porque. A tradicao, ou o que quer que seja, na minha opiniao eh apenas uma muleta para justificar a violencia por varios motivos. Talvez porque a violencia em pequeno caso ainda nao tenha sido entendida como uma doenca, ou porque eh dificil entender o que pode tornar uma pessoa violenta, principalmente quando se trata de alguem que amamos. Mas sera que violencia eh uma doenca ?
No meu post passado falei da violencia contra a mulher. Coloquei o tema como sendo um consenso absoluto porque tenho fe na humanidade. Tirando algumas faccoes que pregam a tal “Ultraviolence” e podemos ate achar sites sobre isso na internet, existe de fato um consenso de que a violencia, seja ela qual for e contra quem for deve ser combatida sempre. No entanto, para combater algo eh necessario conhecer seu adversario e muito bem. E ca entre nos, ate onde vai nosso conhecimento sobre violencia ? Sera que de fato a violencia pode ser combatida ?
Esses pensamentos me fizeram lembrar imediatamente o famoso filme do Stanley Kubrick, chamado Laranja Mecanica, que conta a historia do lider de uma gangue de delinquantes que eh preso e usado como cobaia num experimento para frear impulsos destrutivos. A esses impulsos destrutivos foi dado o nome de “ultraviolence”, termo esse que ficou conhecido atraves do filme.
Mas durante essa semana comecei a pensar melhor sobre o termo Violencia e algumas perguntas vieram a minha cabeca:
1. O que faz uma pessoa se tornar violenta ? Isso eh organico ? Genetico ? Temporario ? Inerente a cada individuo ?
2. Sera que a violencia faz parte de todos nos e alguns possuem essa tendencia mais aflorada a desenvolver atos violentos ? E as outras pessoas ? Apenas reprimem ? Seriamos todos nos violentos reprimidos ?
3. Se for por ai, o que faz entao com que algumas pessoas nao consigam controlar sua violencia interna ? Substancias externas ? Substancias internas desequilibradas ? O que gera esse desequilibrio ?
4. Sera que a violencia nao eh inerente ao ser humano e os acontecimentos externos durante nossa existencia dao origem a esse comportamento ? Como relacoes de amizades, filmes, jogos de violencia, traumas de infancia. Ate que ponto isso eh efetivo ? Funciona para todas as pessoas da mesma forma ?
5. Existe solucao para um ser violento ? Isso eh uma doenca ? Pode ser tratada ?
Posso ate dar uns chutes em uma pergunta ou outra e tenho minha intuicao obviamente, mas eu devo confessar que sou uma ignorante completa em relacao a isso. No entanto, como falar de violencia se eu se quer sei o que ela eh ? Conheco suas consequencias mas nao ela de fato. Sei que pode aparece em varios graus de intensidade mas nao sei porque. E para combate-la antes de tudo precisamos entende-la !
Fiquei entao bastante curiosa para saber o quanto sabemos sobre esse impulso destrutivel que assombra a humanidade. Minha curiosidade eh infinita e comecei com minhas buscas no google e pela wikipedia.
Achei entao um artigo bastante interessante, datado em 1999, de um PhD chamado Jan Volavka sob o titulo - A Neurobiologia da Violencia: Uma Atualizacao. Comecei a ler e achei bem interessante e eh com um resumo desse texto, tentando entender melhor o que existe por traz dessa tal violencia que mata e maltrata seres humanos, que fecharei esse tema proposto pela Cica !
Mas como quero reler com calma e fazer umas outras pesquisas, voces terao que aguardar a semana que vem pois por hoje eu paro por aqui !
Infelizmente para esse post eu so tenho perguntas para oferecer. Perguntas essas que estao fervilhando meus neuronios nesse exato momento. Espero que semana que vem eu consiga trazer algumas solucoes !
Muitos beijos a todos e ate domingo que vem.
Lys
Essa semana esta dificil achar o que falar aqui no Clube do Livro. Com a Coletiva ainda dando o que falar e com a quantidade de informacoes novas sobre a mulher, violencia domestica, sexual e psicologica que ainda enfrentamos no Brasil e que aparece de forma muito mais brutal em outros paises como a Africa e o Oriente Medio, fica dificil pensar e achar um topico bacana para dar continuidade. Assuntos sao varios… tantos que nos deixa ate meio perdida.
Quando se fala em assuntos relacionados as mulheres existem varias contradicoes, discordancia e ate mesmo intrigas. Li o livro inteiro e voltei para reler algumas partes que para mim nao ficaram claras e devo confessar que acabei o livro com uma sensacao identica a que a Scliar expressou no post dela. Acabei o livro com um certo desconforto que nao consegui e ate agora nao consigo explicar.
Pode ser sim que o motivo pelo qual eu sinta esse desconforto seja devido ao tema bastante pesado e a historia bastante triste e hedionda pela qual passou a paquistanesa. Pode ser que meus sentimentos venham apenas pela incapacidade de compreender a cultura muculmana e a religiao. Pode ser tambem que esses sentimentos tenham surgido apenas por eu nao ter entendido uma passagem ou outra do livro, pois como disse a Lu nesse seu post aqui, o livro passou por varios processos de traducoes e conversoes ate ser terminado. Eh dificil transformar em um livro o relato de alguem que vive um cultura completametamente diferente da sua. Talvez em alguns pontos a autora tenha colocado um pouco mais da opiniao dela ou filtrado uma ideia ou outra de nossa heroina apenas para nao parecer tao agressivo aos olhos dos ocidentais. Nao sei o que aconteceu, mas que de fato o livro eh cheio de contradicoes a sim isso eh !
Mas contradicoes por contradicoes vimos tantas essa semana que me surpreenderia mais se esse livro tao complicado, que fala de religiao, politica, cultura e violencia nao apresentasse essas mesmas contradicoes. O fato eh que nos pensamos diferente, somos diferentes e estamos inseridos em uma sociedade diferente aonde a pena de morte eh vista como crime tao barbaro quanto o estupro. Por essa razao a lei do tipo olho por olho e dente por dente que nossa heroina rejeita quando se refere a ela mas apoia quando se refere aos estupradores nos parece um pouco controversa. Por essa razao que a submissao religiosa de Mukhtar nos ferve o sangue e nos da nos nervos a ponto de sentir ate raiva de toda uma cultura diferente porem nao menos interessante.
No entanto, assim como em nossa coletiva, as contradicoes foram varias mas tem certas coisas que eh consenso absoluto e ninguem se nega. Portanto resolvi limpar meu coracao desses desconfortos e contradicoes no livro e me fixar em apenas uma coisa, a que eh consenso: A violencia , seja ela fisica, psicologica ou sexual, contra qualquer ser humano eh crime. No caso do livro tratamos da violencia contra a mulher.
No Paquistao, Mukhtar esta virando martir e lutando contra a violencia. E no Brasil ? Como andam as coisas ? Nessa coletiva surgiram varios posts interessantes sobre a violencia domestica aonde foi possivel aprender varias coisas inclusive que o estupro conjugal nao eh considerado crime ja que o sexo em um casamento nao eh ilegal.
Posso dizer que nossa Mukhtar brasileira eh Maria da Penha Maia cujo esposo, um professor universitario a tentou matar duas vezes. Primeiro com tiros e a segunda eletrocutada. Maria da Penha ficou paraplegica por conta das agressoes sofridas e seu agressor so foi condenado 19 anos depois e ficou preso apenas 2 anos, foi solto em 2002 e hoje goza de plena liberdade enquanto Maria da Penha esta condenada a viver em uma cadeira de rodas para o resto de sua vida.
A lei contra a violencia domestica no Brasil ate alguns anos atras nao estava muito longe da lei tribal da aldeia de Mukhtar. Em 2006 a Lei Maria da Penha foi sancionada pelo presidente Lula e dentre as varias mudancas promovidas pela lei esta o aumento do rigor das punicoes das agressoes contra a mulher. Segundo o Wikipedia:
A lei altera o Codigo Penal brasileiro e possibilita que agressores de mulheres no ambito domestico ou familiar sejam presos em flagrante ou tenham sua prisao preventiva decretada, estes agressores tambem nao poderao mais ser punidos com penas alternativas, a legislacao tambem aumenta o tempo maximo de detencao previsto de um para tres anos, a nova lei ainda preve medidas que vao desde a saida do agressor do domicilio e a proibicao de sua aproximacao da mulher agredida e filhos.
Obviamente que a lei Maria da Penha nao elimina o problema da violencia domestica no Brasil, no entanto, inibe e pune imediatamente. Quando sera entao que no Paquistao teremos a lei Mukhtar Mai ? Quantas mais Marias da Penha e Mukhtars terao que existir nesse mundo para mostrar para a humanidade que a violencia, seja ela moral , fisica, psicologica ou sexual, contra outros seres humanos eh crime ?
Meus respeitos a todas as mulheres que hoje em dia apanham em silencio apenas por nao conhecerem que outra forma de amor eh possivel. Meus respeitos a todas as mulheres que se calam diante da violencia por sentirem vergonha ou medo de serem violentadas ainda mais. Meus respeitos a todas as mulheres que apanham caladas em silencio para que seus filhos nao a escutem chorar e por acreditar que sozinhas nao conseguirao alimentar suas criancas e nao as pode abandonar. Meus respeitos a todas as mulheres que sofrem em silencio com a esperanca de que amanha as coisas ficarao melhores pois acreditamos na humanidade e acreditamos que os seres humanos nao sao animais. Entendo todas voces porque nao tenho duvidas de que ninguem apanha porque quer… sempre ha um motivo grandioso por tras do silencio, no entendo eh necessario entender tambem que o silencio de fato pode levar a cabo a sua existencia.
Como a Scliar disse aqui existem varias pessoas que poderao te entender e ajudar sem julgamentos. Essas pessoas poderao te dar suporte para resolver todos esses motivos grandiosos que te fazem calar. Inspire-se e siga entao o exemplo de Maria da Penha e Mukhtar que gritaram por suas vidas e continuam lutando pela vida de outras mulheres ate hoje. Transforme sua dor em um grito de socorro para voce e para todas as outras mulheres que pelos exatos mesmos motivos que voce estao na mesma situacao nesse exato momento. Procure ajuda antes que seja tarde demais.

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De qualquer lugar do Brasil e a qualquer hora, você pode ligar para denunciar a violência ou pedir orientações.
ou
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Não sei se cheguei a comentar o que me levou realmente (sem eguices) a escolher esse tema, mas vou repetir: na minha região existem muitos muçulmanos, marroquinos, egípcios, árabes, não dá pra saber ao certo de onde eles vem só de olhar. Na escola onde meu filho pequeno estudo, eles são em 40%, repito QUARENTA porcento (são 50 alunos, não é difícil tirar a percentagem).
Pois bem, um dia estou eu lá na escola ajudando meu filho a colocar os sapatos e chega uma mãe (muçulmana), com um bebe de uns 5-6 meses no colo e um da idade do meu, 4 anos. Ao ajudar seu filho a colocar os sapatos ela sentou o bebe no banco e o segurava com uma mão, enquanto a outra tentava amarrar o sapato do menino. Eu, diretamente ao lado, bem ao lado, do ladinho mesmo, instintivamente segurei o bebe. Ela sorriu, docemente, agradeceu, terminou de amarrar o sapato do mais velho e se foi. No dia seguinte tentei conversar um pouco com ela, que gentilmente se esquivava. Uma outra mãe, francesa, me puxou de lado e falou não adiantar: elAs não se misturam. Algumas não podem falar com “os de fora”. Foi quando comecei a observar o comportamento de todos lá: muçulmanos de um lado, franceses de outro. Bom dia, boa tarde boa noite e olhe lá. Nem nas reuniões eles comparecem! Não é problema do idioma, todos falam francês, já percebi!
Um ano se passou desde então e minhas observações não pararam por ai, e minha mente fértil foi se misturar as areias do deserto que eles deixaram pra trás. Deixaram sua pátria, mas trouxeram seus costumes, bons e maus como todos emigrantes. Quantas Mukthar Mai existem a meu redor com um grito sufocado na garganta???
Estou muito satisfeita com os post de vcs. Todos os pontos que eu gostaria de abordar, meu objetivo quanto a escolha do tema foi alcançado. Isso me dá um filete de esperança. Realmente, não somos nós que vamos mudar algo, são elas… as próprias mulheres. E elas só vão se sentir fortes o suficiente para tal quando se sentirem protegidas, quando tiverem certeza de serem ouvidas!
E ouvidos, temos cada um dois a dar a elas.
Insurgir-se contra a violência, principalmente quando ela é institucionalizada, é uma coisa muito difícil. Neste sentido, o comportamento de Mukthar Mai é impressionante, pois saiu de um lugar onde nada lhe era permitido para desnudar o comportamento de um segmento social que trata a mulher como objeto e age, em relação aos outros - sejam homens ou mulheres - como se fosse proprietários deles.
O que a paquistanesa fez - e deve-se a ela todos os elogios e reconhecimento pela iniciativa - foi expor uma parte da sociedade que nós, no Ocidente, por hipocrisia ou por desconhecimento, acreditávamos não mais existir. A violência é uma constante e são mulheres e mais pobres que estão mais sujeitos a ela. Institucionalizada, ela é usada como tacão para a manutenção do poder, de privilégios, como uma forma de subjugar pelo medo. Romper esta barreira é um ato de heroísmo. E foi isso o que Mukthar fez.
Há, em relação a questão, um aspecto que já ressaltei antes, mas que vale reabordar. Com a globalização, problemas que ficavam restritos às mais distantes regiões batem, todos os dias, à nossa porta. Foi assim que a situação de Mukthar se espalhou e contribuiu para dar-lhe abrangência, promovendo a mobilização que, no final, transformou o seu grito em apelo mundial. A idéia é que ao expor um problema, estamos contribuindo, de alguma forma, se não para a sua resolução, pelo menos para a mudança da intensidade dele.
Mas o que mudou? Se olharmos a questão seriamente, veremos que nada. A violência, no Paquistão e em inúmeros outros locais, continua sendo a tônica. E ela é exercida de forma indiscriminada, atingindo, sim, as mulheres, mas não poupando os homens e as crianças. Veja-se o caso da mutilação vaginal. Veja-se casos de ritos de passagens com jovens adolescentes. A prática é justificada como tradição.
Sim, pode ser uma tradição, mas no Ocidente é visto como algo exótico, como algo que só acontece lá, à distância. Nós somos civilizados. Eles são bárbaros. Eles são os outros e servem para nos diferenciar. É verdade. Mas também é verdade que os mesmos comportamentos que condenamos ocorrem no nosso quintal. E muitas vezes são aplaudidos.
Para que a situação mude precisamos de dezenas, centenas, milhares de Muktars Mais. Talvez assim o mundo - globalizado ou localizado - desperde para o fato de a toda hora alguém ser vítima da violência, seja ela física ou simbólica - o que não quer dizer que doa menos.
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Ao longo da discussão que há de vir, e da qual as mulheres desse clube tomarão parte bem mais ativa que a nossa, a dos homens, a história de Mukhtar Mai será contada e recontada, sobretudo envolvendo o seu conteúdo de violência, que ultrapassa em muito a fronteira do grotesco.
Mas nós precisamos discutir um pouco os motivos pelos quais certas regiões do Paquistão são assim, porque os Gujjar da aldeia de Meerwala, no Punjav, devem se curvar aos Mastoi, e o que fez a violência do estupro se abater sobre essa divorciada de 28 anos após seu irmão de 12 anos cometer o “crime” de se dirigir a uma mulher adulta, de uma casta superior. E é preciso não esquecer nem colocar em segundo plano o seguinte: também o menino foi violado, estuprado, além de espancado covardemente, pelas mesmas pessoas guiadas pelos mesmos princípios que provocaram o suplício de Mai, gerando sua luta e sua vitória.
A resposta a isso está na palavra casta. Um sistema que rege uma série de sociedades no mundo. Castas, em sociologia, são sistemas alguns tradicionais, hereditários ou sociais de estratificação, ao abrigo da lei oficial ou da prática comum, com base em classificações que podem ter por base quesitos como a raça, a cultura, o sexo (no nosso caso), a ocupação profissional, etc. Varna, a designação sânscrita original para a palavra casta, quer dizer cor.
Talvez esse sistema cultural tenha sua manifestação mais cruel na Índia e não no Paquistão. Lá há a figura dos “intocáveis”. Quem são eles? Os intocáveis, na sociedade Hindu são os que trabalham em atividades “indignas”, “sujas”, com o morto (animal ou humano), amontoados de cadáveres e outros empregos que os mantêm em contato com o que o restante da sociedade local considera nojento. Por exemplo: os intocáveis são os que queimam os cadáveres das pessoas às margens do Rio Ganges, num ritual milenar naquela sociedade.
Essas ocupações não são consideradas apenas coisas nojentas. Os que se ocupam delas são considerados individualmente sujos, e assim não podem praticar contato físico com os “não-sujos”, partes mais puras da sociedade. Vivem separados do resto da população. Ninguém pode interferir na sua vida, pois os intocáveis são os últimos no ranking social, considerados menos que humanos e alijados do sistema de castas. São a base imunda da pirâmide social.
Nessa classificação foi colocada Mukhtar Mai quando seu irmão “sujo”, ao se dirigir a alguém “superior”, “sujou” esse alguém. Como, então, proceder à limpeza do que havia sido tornado imundo, já que o sabão não bastaria, o perdão era irrelevante e o ódio tribal, forte demais? Ora, era preciso “sujar” os inferiores. O menino, que apenas havia se dirigido à mulher, foi espancado e sodomizado diversas vezes. Sua irmã, que além de inferior era divorciada numa sociedade marcadamente preconceituosa e patriarcal, precisava ser estuprada. Sim, para ficar “suja” de uma vez por todas. Para gerar nojo. Para se tornar uma intocável.
Assim funcionam as coisas.
O que é a escravatura? Determinadas sociedades se apossam, na total acepção da palavra, de grupos humanos e os escravizam. Significa dizer, tiram-lhe todos os direitos de cidadania. Consideram-nos seres inferiores. Isso aconteceu no Brasil por vários anos, primeiro envolvendo populações indígenas e depois, principalmente, grupos negros, contrabandeados da África. Notem que muitas das escravas “serviam” seus senhores, filhos e amigos deles, independente de suas vontades. Nasceram dessa prática os primeiros mamelucos.
Mukhtar Mai, na prática, era membro de uma casta escrava de casta superior. Sim, na medida em que não tinha direitos. E sua gente era considerada sabuja, pois o irmão sequer podia dirigir a palavra a uma pessoa de outro sexo, da casta superior. Como ele cometeu esse “crime”, restava puni-lo. E não bastaria que ele fosse sodomizado. Era pouco. Para a punição completa, seria preciso que uma das mulheres da casta inferior sofresse a suprema humilhação do estupro. Melhor se fosse divorciada. Melhor ainda se fosse irmã do “criminoso”.
Mai foi valente. Seus atos posteriores trouxeram à tona a violência existente no dia-a-dia daquela sociedade distante do que consideramos mundo moderno. Certamente, mudanças haverá. Certamente, pressões internacionais crescerão muito, pois já cresceram. Mas a raiz cultural e o caldo de cultura que geram esses comportamentos milenares continuam enterrados no solo ou guardados nas panelas. Muito ainda se passará antes que desapareçam.
Quiçá, não seja preciso haver mais muitas Mukhtar Mai.
Uma amiga, muito intelectual, PHD em ciências humanas, letrada, verbada e com cinco universidades perguntou se Mukthar descrevia o estupro no livro. Respondi que sim e ontem (domingo, estou programando o post) ela me chamou de mentirosa. Não havia a descrição do estupro tim-tim por tim-tim.
Ok, desculpe. Atenção senhores leitores: Desonrada não é um livro onde uma mulher conta com riqueza de detalhes (isso naquilo e aquilo nisso) como teve sua flor despetalada por quatro homens seguidamente por horas. Podem tirar suas éguas da chuva pois quando Mukthar saiu do estado letárgico após o estupro clamou por justiça e não piedade. A preocupação dela, sua luta é para que outras tenham apoio e se sintam fortes para lutar contra seus próprios demônios e não chamar atenção da mídia ou da sociedade para sí.
Na tradução em português, ha um prefácio da Miriam Leitão onde ela conta que a ONU, por uma questão de “burocracia”, ajudou o governo paquistão a calar Mukthar Mai dentro de seu país quando essa teve seu direito de locomoção reduzido… fiquei com nojo! A ONU, guardiã do direitos da humanidade… nessas horas percebo o quanto sou ingênua!
Uma pessoa que não lê vive à margem da sociedade… todo mundo já ouviu isso!! Mas pra mim isso nunca foi tão claro quanto no livro! Imagine ser estuprada e não saber que existem leis que a defendem, chegar na delegacia e não saber se o depoimento que você deu é o que realmente escreveram no papel que te obrigaram a “assinar”!!
Não consigo conceber a vida sem ler!! Não só por prazer mas por tudo que fazemos diariamente e requer a capacidade de leitura. A própria Mukthar descobre sua fragilidade na delegacia e o pedido que faz quando querem lhe dar dinheiro é: uma escola!! Sem saber ler as mulheres não obtêm o poder de refletir sobre o mundo, se mantêm sempre sob a “asa” de um parente do sexo masculino.
Acho que isso responde a uma das enquetes feita pelo Lino no blog dele há um tempinho… o que é mais importante pro Brasil crescer? Antes de tudo… acredito que seja a Educação!!!
Enquanto isso ocupo meu tempo, entre outras coisas, a pensar qual tema colocarei no Clube. Quais livros. Que tema domino bem tem pelo menos três bons titulos para serem escolhidos? nao preciso nem pensar duas vezes: parto e amamentaçao. Égua, colocar Lino e Lys para ler Michel Odent ou Janet Balaskas seria, como posso dizer, cruel. Tadinho deles. Não farei isso.Outro tema quem em interessa? Criação de filhos. Ah não esquece. Até eu já cheguei a conclusão de que esse tipo de literatura só serve para torturar os pobres dos pais com possíveis e pseudo traumas futuros de seus filhos ou ainda para livrar nossa consciencia da culpa dos filhos serem as éguas que sao. Deus me livre!
Deus??? Jesus seria uma ótima opção. A Operação Cavalo de Troia nos trás um Jesus lindo, humano e fala de um Deus exclusivamente feito de bondade e amor. Mas será que o povo saberá separar Deus de Igreja? Fé de religião? Uhhh como diz o ditado: religião, política e futebol não se discute!
O que faço então??? Lançar um tema, propor uma discussão depois do Lino não é nada fácil! Ok, entao vamos falar de uma coisa mais amena: a violencia contra a mulher! hehehe… foi ironia!
Por séculos e geracoes ela foi posta como submissa, inferior e deveria se dedicar ao marido e aos filhos. A Bíblia ensina isso diversas vezes. A Bíblia… escrita a milhoes de anos atrás, em uma época bem diferente da de hoje. Todo mundo sabe disso. Nao é verdade? Ninguém mais discrimina um ser humano por conta de seu sexo. Quem é louco de dispor uma mulher de forma brutal e desumana? Quem será bisonio a multila-las, corpo e alma? E qual será sua única saída: a voz!
A denúncia de mutilação genital das mulheres somalis é o grandioso objetivo da obra Flor do Deserto. Através de sua biografia, a modelo africana Waris Dirie, atravessa as fronteiras da Somália e mostra ao mundo o lado grotesco de sua cultura. Waris conta que foi mutilada aos cinco anos de idade, numa espécie de rito de passagem.O relato impactante mostra a crueldade e o preconceito aos quais são submetidas as meninas somalis. Seus clitóris são extirpados com objetos rudimentares, como facas, tesouras e lascas de pedras, sem preocupação com higiêne, pondo em risco milhares de vidas. A cultura de seu país atribui à genitália feminina o estigma do mal, por isso toda filha mulher é submetida a ritual de mutilação. A modelo relata sua saga pelo deserto da Somália, fugindo da tirania do pai, cuja mentalidade cultural, permite não só a mutilação, como a escolha do marido para a filha. A menina Waris foge,ainda sangrando para Mogastício a pé, enfrentando animais selvagens e areias escaldantes por 500Kms. A provação de Waris é recompensada em parte, fora do seu país e longe das imposições de sua cultura, ela se torna uma modelo conhecida internacionalmente, o que lhe permite denunciar ao mundo a bárbarie a que são submetidas as mulheres somalis.Hoje Waris é embaixadora da ONU e responde por assuntos que denunciam a crueldade contra as mulheres de seu país. (Fonte)
Este livro conta-nos a atroz história de Mukhtar Mai, uma jovem paquistanesa de 28 anos que vive numa aldeia no interior do país. É em Junho de 2002 que um auto-intitulado tribunal da aldeia se reúne e condena a jovem a uma terrível sentença: Mukhtar é condenada a ser violada. O crime de que é acusada é ter de pagar pelo facto de o seu irmão mais novo, de apenas doze anos de idade, ter sido visto com uma rapariga de outro clã. Depois de violada, humilhada, desonrada esta jovem podia ter optado, como o fazem tantas outras em circunstâncias idênticas, pelo suicídio. Em vez disso decide, corajosamente, permanecer na sua aldeia e dar a conhecer ao mundo inteiro, apesar dos riscos que isso implicava, a atrocidade de que tinha sido vítima. Mais tarde construiu uma escola na sua aldeia pois segundo defende só a Educação poderá ajudar a acabar com situações destas. (Fonte)
A escolha por esse tipo de violência a mulher, de certa forma ligada a religiao e tradicao, nao é a toa. Vivo na França, mas conto nos dedos de uma única mão os franceses “puros” que conheco. A maioria sao árabes, marroquinos, mulcumanos e afins. Eles vivem aqui como em guetos. Nao falam com “os outros”, suas criancas nao participam de festinhas, estao sempre fechados em sua sociedade. Me dá arrepios ao pensar do que essas mulheres escaparam no país delas… ou não!
P.S: por motivos técnicos, não achei um terceiro livro para colocar na roda. Se alguém souber, fique a vontade!
