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Ele existiu. Foi influente. Esteve ao lado de D. Pedro, o primeiro no Brasil e o quarto, em Portugal. Mas o que sabemos dele? Pelo que a história nos diz, muito pouco. E neste aspecto o livro de José Roberto Torero não acrescenta informações. Afinal, preferiu trabalhar com o lado folclórico, não só do conselheiro Gomes, o Chalaça, mas do próprio Pedro.

Torero, na verdade, fez um ótimo livro, muito bom de ler e que, no final, nos diverte com a história de um pretenso diário escrito pelo Chalaça. Pelo divertimento, vale a pena ler. Para buscar informações - principalmente novas - não. Esta, por certo, não foi o que buscava o autor. Ao contar uma “história”, se quis divertir, conseguiu seu intento.

Não vou discutir detalhes do livro, pois creio que ele não foi integralmente lido por todos. Mas o que posso dizer é que, ao final da leitura, fiquei meio frustrado. Esperava mais, bem mais. Sabia que era ficção, não um livro de história, mas achava que fosse diferente do que, na verdade, é.

O personagem, no meu entender, tem todos os atributos para se construir, em torno dele e do mito criado de sua influência, um texto mais informativo, que retrate os vários momentos em que ele viveu, mostrando uma idéia geral da política, da economia, do próprio D. Pedro. Mas aí, talvez, eu esteja pedindo um livro de história, não um romance.

Pode ser que a graça dele - do livro e do Chalaça - seja exatamente o fato de apelar para o pitoresco, para o folclore, para as pequenas intrigas da corte e, principalmente, pela devassidão de um imperador que não podia ver um rabo de saia. Um estímulo, na certa, para que seus fiéis escudeiros fizessem o mesmo.

Valeu a leitura? Sim. Não só por tratar de algo diferente, mas por permitir um dos objetivos deste clube, que é exatamente a diversificação, fazendo com que saiamos daquilo que estamos sempre lendo.

Dessa vez foi a vez de nosso companheiro de leitura Alvaro escolher o proximo tema de discussao aqui no Clube do Livro. O tema proposto foi o 2º Centenario da vinda para o Brasil da Corte Portuguesa. Como de costume, tres livros foram colocados em votacao (veja esse link aqui) e o escolhido foi o livro O Chalaca de Jose Roberto Torero.

Nas suas 228 paginas, forjando os diarios de Chalaca, secretario particular de Dom Pedro I, o autor compos uma obra literaria reveladora e picaresca (segundo o site Submarino).

Sinopse Completa:
O romance contém as supostas memórias do conselheiro Francisco Gomes da Silva, o Chalaça, fiel secretário particular de D. Pedro I, personagem que viveu os mais importantes fatos do nascente Império brasileiro. Torero recria brilhantemente - e com humor implacável - a vida deste que teria sido um dos mais importantes auxiliares de Pedro I, não só na política, como em seu dia-a-dia - era sua atribuição, por exemplo, intermediar os encontros do Imperador com as filhas de Eva.

Sobre o autor: TORERO, JOSE ROBERTO
José Roberto Torero é autor de “O Chalaça” que ganhou o Jabuti 1995 de melhor romance , “Uma História de Futebol”, prêmio de altamente recomendável pela FNLIJ e de vários outros títulos como “Terra papagalli” e “Xadrez Truco e outras Guerras” - coleção Plenos Pecados. Em cinema, dirigiu e escreveu curtas-metragens - entre eles, o premiado “Amor” - e trabalhou como roteirista nos longas “A Felicidade É” e “Pequeno Dicionário Amoroso”.

Fonte: livraria cultura.

Apenas uma curiosidade: O autor eh Santista (como aquela que vos fala :) ) e possui dois blogs: Blog do Torero e Blog do Lele (seu sobrinho ficticio).

E enquanto compramos e lemos o novo livro, ainda temos mais duas semaninhas de Doris Lessing por aqui.