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Hoje eh o ultimo dia que falaremos sobre o tema proposto pela Cica, tema esse que rendeu discussoes excelentes aqui no clube do livro. Acho que foi consenso que o livro Desonrada da Mukhtar Mai nao foi la grande coisa e poderia ser muito melhor escrito, mas no final acho que todos nos concordamos que esse tipo de livro tem uma razao de ser.

Abordando o tema proposto falei aqui no clube sobre a violencia domestica contra a mulher e tambem sobre a importancia de uma educacao mais libertaria para meninos e meninas para mudar a questao do sexismo no futuro.

Hoje, fecharei o tema com algo que comecei a semana passada, abordando o tema Violencia em um contexto geral e como uma doenca. O fato eh que apesar de entendermos que a violencia deve ser combatida, pouco entendemos sobre a violencia em si. E na tentativa de entender um pouco mais sobre essa tal de violencia, resolvi ler um artigo sobre a neurobiologia da violencia escrito por Jan Volavka. Hoje portanto, termino meus posts sobre o tema proposto pela Cica com um resumo do que aprendi sobre violencia.

Fatores Sociais e culturais sao importantes no desenvolvimento de um comportamento violento. No entanto, esses fatores e suas flutuacoes geram respostas diferentes em diferentes pessoas. Na verdade o comportamento violento se desenvolve atraves de uma complexa interacao entre fatores neurobiologicos e ambientais. Esse artigo se foca principalmente na neurobiologia e argumenta que alguns dos mecanismos do comportamento violento sao bastante similares ou ate mesmo identicos aos relacionados ao comportamente suicida.

Fatores Externos:

O uso de substancias tais como alcool ou drogas sao de fato relevantes para aumentar a violencia. Nos Estados Unidos 34% dos casos de violencia eh suposto ser devido ao uso de substancias quimicas. Apesar do fato de pessoas com problemas mentais tais como esquizofrenia e problemas de humor normalmente ter uma tendencia maior a pratica de crimes mais violentos, apenas 4 % dos crimes nessa pesquisa eh atribuido a pessoas com essas doencas. No entanto, essas doencas misturadas com o consumo excessivo de substancias como alcool e drogas, pode aumentar e muito o fator de risco. Outros tipos de doencas mentais, tai como demencia e retardamento mental pode engatilhar um comportamento violento impulsivo, mas isso em menor escala que os anteriores.

O ambiente aonde crescemos tem um efeito poderoso no comportamento violento. Pelo menos 33 % das criancas que crescem vitimas da violencia domestica dao continuidade as agressoes em suas familias, com os filhos e companheiros (a Scliar escreveu um post super legal que se encaixa bem aqui nesse ponto) . Esse ambiente domestico eh determinado pelo comportamento dos pais e esse comportamento nao eh independente dos problemas geneticos dos mesmos. Portanto, fatores geneticos e ambientais influenciam de fato o desenvolvimento de uma crianca.

Fatores Internos:

O comportamento agressivo pode ser aprendido sim, no entanto essa nao eh a unica forma de tornar as criancas violentas. O desenvolvimento do cerebro nessa hora tem um papel importante no comportamento futuro das criancas. Consumo de alcool durante a gestacao ou rejeicao materna prenatal tambem podem aumentar a predisposicao para um comportamento agressico da criancas em sua fase adulta.

Neurotransmissores e hormonios, incluindo esteroides e outras substancias estao tambem relacionados com comportamento agressivo. Serotonina, que eh um neurotransmissor, mimetizada por algumas drogas e alimentos, por exemplo exerce um controle de impulsos agressivos. Baixo nivel de CSF 5-HIAA (que entendi ser um acido - 5-HIAA - no fluido espinal cerebral) foram encontradas em pessoas agressivas. Aparentemente essa substancia esta fortemente relacionada com o nivel de agressividade, indice de suicidios e ate mesmo o alcoolismo, que por sua vez, acentua ainda mais a agressividade. Outro neurotransmissor importante nesse caso eh a Noradrenalina. E por ai nao acaba mais… nao vou entrar em detalhes de cada substancia pois sao muitos detalhes para escrever em um post e nao tenho intencao e nem a pretencao de ser especifica. Mas o que importa eh que existem substancias em nosso organismo que comprovadamente, em baixos niveis ou auto niveis, propiciam o comportamento violento. Se nosso organismo eh incapaz de produzir essas substancias a contento e em equilibrio, o desbalanco acontece e a agressividade aparece. O que deve ficar claro aqui eh que essas substancias que contribuem para o controle da neurotransmissao sao geralmente transmitidas atraves dos genes. Essa funcao nao pode ser modificada por fatores externos a nao ser por mutacao genetica. Somada a outros fatores externos o comportamento agressivo inerente pode ser amplificado mas nao modificado permanentemente.

Genero e a violencia:

Nos Estados Unidos, aonde essa pesquisa foi feita, 85% dos presos por crimes violentos sao homens. Uma porcentagem semelhante tambem eh verificado em pesquisas e nos relatos pessoais feitos nas comunidades normais. No entanto, dentro de comunidades com problemas mentais ou uso excessivo de substancias quimicas, essa diferenca se reduz brutamente. Em hospicios nao ha diferencas entre os generos e ambos os sexos apresentam o mesmo grau de agresividade.

Segundo o artigo, a diferenca na agressividade entre os generos se desenvolve na pre-escola e atinge seu apogeu na puberdade. Homens tambem sao mais vulneraveis ao alcoolismo do que as mulheres.

Existem alguns tipos de substancias relacionadas com o controle do comportamento agressivo que sao de fato bastante limitadas nos homens. Um nivel elevado de testostetona pode tambem estar associada com a agressividade na juventude, e isso vale tanto para adolescentes homens e mulheres, mas eh muito mais predominante nos meninos. Mas, ainda nao existe nenhum consenso a respeito das causas dessa diferenca e predominancia da violencia masculina.

Prevencao e Tratamento da Violencia:

- Uma maior atencao e cuidados no pre-natal e natalidade pode reduzir consideravelmente o nivel de violencia em uma sociedade.

- Tratamentos detox, combatendo alcoolismo e uso de substancias toxicas, sao fundamentais ja que esses fatores sao os fatores externos que mais influenciam o comportamento agressivo.

- A reincidencia de crimes violentos pode ser reduzido consideravelmente com um tratamento detox nos presidios.

- Tratamento e acompanhamento psiquiatrico deve ser estimulado e encorajado a pacientes com problemas mentais ou de personalidade, principalmente os que apresentam uma maior propensao a um comportamento agressivo.

Existem tratamentos para a violencia. Nos casos mais simples uma terapia ou acompanhamento psicologico deve ser suficiente. Casos mais graves tambem podem ser tratados atraves de medicamentos e reposicao de substancias tais como o Litio ou Clozapine, muitas vezes usadas para o controle da depressao e desfuncao cerebral.

A pessoa violenta deve ser considerada doente e deve ser encorajada a iniciar um acompanhamento medico, seja ele de desintoxicacao, de carater psicanalitico ou ate mesmo de reposicao de substancias.

Por outro lado, tratamentos para a agressao ainda eh motivo de contestacao e debates, e ainda muita coisa permanece no obscurantismo. Entender a neurobiologia da violencia no contexto biosocial eh fundamental para um convivio social mais feliz ! Se queremos paz, temos que trabalhar duro por ela pois ela nao vira sem um esforco coletivo. E isso foi muito bem colocado pela Dani em seu post e com sua tirinha.

Aprendi bastante com essa leitura. Duvidas ? Eu ainda tenho varias, mas acho que por hoje eh so !

Para quem quiser ler o texto na integra, ele pode ser baixado desse link aqui. Esse mesmo autor possui varios livros na area caso alguem tenha interesse em se aprofundar mais no tema.

Um abraco a todos e tenham um otimo domingo sem violencia !

Lys

Fiquei pensando e pensando sobre o que escrever nesse post… não aguento mais tanta violência no mundo, nas ruas, no trânsito, no trabalho e em todos os lugares!! Não sei a solução pra toda essa violência, não chego nem a me atrever a tentar!! Mas acredito que a violência vive dentro de nós, faz parte de cada um!! E nem venha me dizer que você é a pessoa mais pacífica do mundo… em algum momento sua violência aparece, mesmo que seja bem canalizada!! Eu mesma quando dirijo sou quase possuída por um monstro violento… xingo, ultrapasso, tenho vontade de matar vários!!! Por isso mesmo me policio muito, ligo o som com alguma música que goste e tento relaxar… mas é a minha face violenta querendo tomar conta!!

O que fazer então se somos todos violentos?!!? Como poderemos diminuir ou acabar com a violência se ela faz parte de nós?!!? Sinceramente eu não sei.. mas acho que depende de cada um de nós (claro, além de muitos outros fatores!!) aprender a canalizar nossa violência, a usá-la pra outras coisas que não a destruição.

Enfim, acho que não dá mais pra ficar só culpando o governo e esperando algo acontecer… já passou da hora de cada um fazer a sua parte e ajudar o outro a fazer a dele!! Só assim talvez tenhamos a chance de conseguir a tão sonhada PAZ!!!

Hoje eh meu ultimo post livre sobre o tema Violencia por Tradicao proposto pela Cica. Semana que vem todos os autores se focarao no tema proposto e discutirao suas ideias sobre a questao. Eu decidi falar do tema proposto hoje e dar continuidade a semana que vem pois acho, do fundo do coracao que a Violencia nao esta relacionada com a tradicao no sentido que usamos para esse livro, mas a questao eh imensa e complicada o suficiente para ter que ser dividida em dois posts loooonnngos, bem meu estilo :D . Como assim ? Vou explicar.

Os seres humanos sao tradicionamente violentos. O que quero dizer eh que durante a historia inteirinha podemos citar casos serios de violencia entre todos os povos e civilizacoes, no entanto, nao acredito que a violencia esteja intrinsecamente relacionada com religiao, nem tradicao, nem cultura, nem classe social, nem com educacao, nem nada. O fato eh que a violencia nao se justifica nunca. Temos exemplo dos dois lados em todas as racas, pessoas violentas e nao violentas coexistindo em varios lugares do planeta independente de qualquer coisa que seja e o negocio eh homogeneo.

Pode ser que alguns lugares as pessoas violentas sejam mais violentas e outros menos violentas, mas a violencia esta em todas as partes. Ela pode ser amplificada por fatores externos e ai cabe sim todos esses que citamos acima, mas estou desconfiada que a violencia eh intrinseca aos individuos, mas nao entendo o porque. A tradicao, ou o que quer que seja, na minha opiniao eh apenas uma muleta para justificar a violencia por varios motivos. Talvez porque a violencia em pequeno caso ainda nao tenha sido entendida como uma doenca, ou porque eh dificil entender o que pode tornar uma pessoa violenta, principalmente quando se trata de alguem que amamos. Mas sera que violencia eh uma doenca ?

No meu post passado falei da violencia contra a mulher. Coloquei o tema como sendo um consenso absoluto porque tenho fe na humanidade. Tirando algumas faccoes que pregam a tal “Ultraviolence” e podemos ate achar sites sobre isso na internet, existe de fato um consenso de que a violencia, seja ela qual for e contra quem for deve ser combatida sempre. No entanto, para combater algo eh necessario conhecer seu adversario e muito bem. E ca entre nos, ate onde vai nosso conhecimento sobre violencia ? Sera que de fato a violencia pode ser combatida ?

Esses pensamentos me fizeram lembrar imediatamente o famoso filme do Stanley Kubrick, chamado Laranja Mecanica, que conta a historia do lider de uma gangue de delinquantes que eh preso e usado como cobaia num experimento para frear impulsos destrutivos. A esses impulsos destrutivos foi dado o nome de “ultraviolence”, termo esse que ficou conhecido atraves do filme.

Mas durante essa semana comecei a pensar melhor sobre o termo Violencia e algumas perguntas vieram a minha cabeca:

1. O que faz uma pessoa se tornar violenta ? Isso eh organico ? Genetico ? Temporario ? Inerente a cada individuo ?

2. Sera que a violencia faz parte de todos nos e alguns possuem essa tendencia mais aflorada a desenvolver atos violentos ? E as outras pessoas ? Apenas reprimem ? Seriamos todos nos violentos reprimidos ?

3. Se for por ai, o que faz entao com que algumas pessoas nao consigam controlar sua violencia interna ? Substancias externas ? Substancias internas desequilibradas ? O que gera esse desequilibrio ?

4. Sera que a violencia nao eh inerente ao ser humano e os acontecimentos externos durante nossa existencia dao origem a esse comportamento ? Como relacoes de amizades, filmes, jogos de violencia, traumas de infancia. Ate que ponto isso eh efetivo ? Funciona para todas as pessoas da mesma forma ?

5. Existe solucao para um ser violento ? Isso eh uma doenca ? Pode ser tratada ?

Posso ate dar uns chutes em uma pergunta ou outra e tenho minha intuicao obviamente, mas eu devo confessar que sou uma ignorante completa em relacao a isso. No entanto, como falar de violencia se eu se quer sei o que ela eh ? Conheco suas consequencias mas nao ela de fato. Sei que pode aparece em varios graus de intensidade mas nao sei porque. E para combate-la antes de tudo precisamos entende-la !

Fiquei entao bastante curiosa para saber o quanto sabemos sobre esse impulso destrutivel que assombra a humanidade. Minha curiosidade eh infinita e comecei com minhas buscas no google e pela wikipedia.

Achei entao um artigo bastante interessante, datado em 1999, de um PhD chamado Jan Volavka sob o titulo - A Neurobiologia da Violencia: Uma Atualizacao. Comecei a ler e achei bem interessante e eh com um resumo desse texto, tentando entender melhor o que existe por traz dessa tal violencia que mata e maltrata seres humanos, que fecharei esse tema proposto pela Cica !

Mas como quero reler com calma e fazer umas outras pesquisas, voces terao que aguardar a semana que vem pois por hoje eu paro por aqui !

Infelizmente para esse post eu so tenho perguntas para oferecer. Perguntas essas que estao fervilhando meus neuronios nesse exato momento. Espero que semana que vem eu consiga trazer algumas solucoes !

Muitos beijos a todos e ate domingo que vem.

Lys

Acho que agora que começamos a falar o que incomoda no livro, a porteira está aberta! E, gente, é tãoooo bom criticar! Kkk Criticar os outros, ok? Mas falando sério, a história é tão trágica, que acaba criando uma barreira, nos deixa um pouco “culpados” por apontar problemas, seja na historia, seja no livro.  Pensei nisto e conclui que, ora bolas, não posso me sentir culpada de ter uma vida totalmente diferente. E como polemizar ainda faz parte das regras do jogo, vou botar mais lenha na fogueira sobre o assunto “educação para um mundo melhor”. Melhor para quem?

Santas…
Mukhtar, ao se descrever, projeta para o leitor o tipo de mulher que considera ideal. Ok, ok: eu sei que isto é um reflexo da sua educação e da sua cultura. Mas somos todos filhos do nosso tempo! Vamos lançar um olhar sobre esta mulher, pinçando as palavras de Mukhtar. Recatada. Obediente aos pais e à família (aceitou o primeiro marido sem questionar). Exerce tarefas “femininas” (borda, dá aulas – mesmo analfabeta, são aulas orais). É religiosa, tem fé no Corão. Mais: após o divórcio, volta para a família e “vive longe dos homens, como é seu dever”. Mantém o rosto coberto e baixa a cabeça.  Este é um dos motives de sua revolta – como tal tragédia se abateu sobre ela, uma mulher tão boa? Aliás, diga-se de passagem, isto não é exclusividade do Oriente. Quem nunca ouviu pessoas que vivem alguma tragédia clamarem aos céus: - Por que isto aconteceu comigo? Os jornais não me deixa mentir, indo dos muitos famosos que são assaltados até os pobres anônimos, nossos amigos. Como se ser bom cidadão (seja qual for o parâmetro) garanta proteção contra as infelicidades em nosso mundo mortal!

… e Pecadoras
E quem é o contraponto desta mulher perfeita? Samara, a mulher que desencadeou toda a desgraça. 27 anos Não é virgem. Fez um aborto Não abaixa a cabeça. Sai quando quer. Se mexe muito. Tem comportamento agressivo. Fala firme e forte. Conhecemos há muito este maniqueísmo. A Virgem Maria e Madalena.  A mulher para casar mãe-esposa e a mulher para ter prazer. Mulher fácil x mulher “difícil”. Essa postura justificativa agressões: se a mulher esposa não é perfeita, posso “educá-la”, colocá-la nos eixos. Uma mulher que está fora do padrão perde sua honra.

Lições de todo dia
Tais preconceitos, como aponta Mukhtar, podem ser derrubados pela educação – mas a educação também perpetua as diferenças nas lições de todo dia.
Na escola de Mukhtar, a assiduidade dos meninos é premiada com uma bicicleta –garantia do direito de ir e vir. Símbolo da aventura de descobrir novo horizontes.
As meninas? Ganham uma cabra – amarras para ficar no mesmo lugar. Símbolo do cuidar e do casar. Afinal, não é disto que são feitas as meninas?
Quantas cabras valemos nós?
Ethel Scliar

Como já disse a Lys tá difícil escrever sobre o tema depois da coletiva… por isso vou falar sobre o livro em si!!

Nunca gostei muito de ler biografias ou diários (li o de Anne Frank na adolescência e o de CristianeF., livros quase obrigatórios!!). E, pra falar a verdade, gostei mais dos dois livros diários citados do que do Desonrada! Não que o livro de Mukthar Mai não seja válido… é sim!! Mas porque ele é pobre, a escrita dele. Parece realmente um diário de adolescente!! Aí parei pra pensar… na nossa cultura Mukthar seria mesmo uma quase adolescente!! Imaginem… ela tem 40 anos (nem sei ao certo…) mas só fez tudo que foi mandada, não sabe ler, não teve experiências de vida e de escolhas, não conhece nada do mundo… ela é praticamente uma criança!!!

Fiquei imaginando o que seria de mim sem todas as experiências que tive pois tinha liberdade para tê-las!! Eu hoje não estaria casada com alguém que amo, não teria tido experiências de outros relacionamentos que me ensinaram tanto sobre isso… não saberia falar inglês, não teria amigos “virtuais”, não seria médica!!!

Já imaginou viver apenas o que determinam pra você?!?!? Sem o direito de errar, de quebrar a cara, de dar certo, de sofrer por amor, de ser feliz?!!?

Eu não!!! Prefiro cair com minhas pernas do que caminhar no colo dos outros!!!

Essa semana esta dificil achar o que falar aqui no Clube do Livro. Com a Coletiva ainda dando o que falar e com a quantidade de informacoes novas sobre a mulher, violencia domestica, sexual e psicologica que ainda enfrentamos no Brasil e que aparece de forma muito mais brutal em outros paises como a Africa e o Oriente Medio, fica dificil pensar e achar um topico bacana para dar continuidade. Assuntos sao varios… tantos que nos deixa ate meio perdida.

Quando se fala em assuntos relacionados as mulheres existem varias contradicoes, discordancia e ate mesmo intrigas. Li o livro inteiro e voltei para reler algumas partes que para mim nao ficaram claras e devo confessar que acabei o livro com uma sensacao identica a que a Scliar expressou no post dela. Acabei o livro com um certo desconforto que nao consegui e ate agora nao consigo explicar.

Pode ser sim que o motivo pelo qual eu sinta esse desconforto seja devido ao tema bastante pesado e a historia bastante triste e hedionda pela qual passou a paquistanesa. Pode ser que meus sentimentos venham apenas pela incapacidade de compreender a cultura muculmana e a religiao. Pode ser tambem que esses sentimentos tenham surgido apenas por eu nao ter entendido uma passagem ou outra do livro, pois como disse a Lu nesse seu post aqui, o livro passou por varios processos de traducoes e conversoes ate ser terminado. Eh dificil transformar em um livro o relato de alguem que vive um cultura completametamente diferente da sua. Talvez em alguns pontos a autora tenha colocado um pouco mais da opiniao dela ou filtrado uma ideia ou outra de nossa heroina apenas para nao parecer tao agressivo aos olhos dos ocidentais. Nao sei o que aconteceu, mas que de fato o livro eh cheio de contradicoes a sim isso eh !

Mas contradicoes por contradicoes vimos tantas essa semana que me surpreenderia mais se esse livro tao complicado, que fala de religiao, politica, cultura e violencia nao apresentasse essas mesmas contradicoes. O fato eh que nos pensamos diferente, somos diferentes e estamos inseridos em uma sociedade diferente aonde a pena de morte eh vista como crime tao barbaro quanto o estupro. Por essa razao a lei do tipo olho por olho e dente por dente que nossa heroina rejeita quando se refere a ela mas apoia quando se refere aos estupradores nos parece um pouco controversa. Por essa razao que a submissao religiosa de Mukhtar nos ferve o sangue e nos da nos nervos a ponto de sentir ate raiva de toda uma cultura diferente porem nao menos interessante.

No entanto, assim como em nossa coletiva, as contradicoes foram varias mas tem certas coisas que eh consenso absoluto e ninguem se nega. Portanto resolvi limpar meu coracao desses desconfortos e contradicoes no livro e me fixar em apenas uma coisa, a que eh consenso: A violencia , seja ela fisica, psicologica ou sexual, contra qualquer ser humano eh crime. No caso do livro tratamos da violencia contra a mulher.

No Paquistao, Mukhtar esta virando martir e lutando contra a violencia. E no Brasil ? Como andam as coisas ? Nessa coletiva surgiram varios posts interessantes sobre a violencia domestica aonde foi possivel aprender varias coisas inclusive que o estupro conjugal nao eh considerado crime ja que o sexo em um casamento nao eh ilegal.

Posso dizer que nossa Mukhtar brasileira eh Maria da Penha Maia cujo esposo, um professor universitario a tentou matar duas vezes. Primeiro com tiros e a segunda eletrocutada. Maria da Penha ficou paraplegica por conta das agressoes sofridas e seu agressor so foi condenado 19 anos depois e ficou preso apenas 2 anos, foi solto em 2002 e hoje goza de plena liberdade enquanto Maria da Penha esta condenada a viver em uma cadeira de rodas para o resto de sua vida.

A lei contra a violencia domestica no Brasil ate alguns anos atras nao estava muito longe da lei tribal da aldeia de Mukhtar. Em 2006 a Lei Maria da Penha foi sancionada pelo presidente Lula e dentre as varias mudancas promovidas pela lei esta o aumento do rigor das punicoes das agressoes contra a mulher. Segundo o Wikipedia:

A lei altera o Codigo Penal brasileiro e possibilita que agressores de mulheres no ambito domestico ou familiar sejam presos em flagrante ou tenham sua prisao preventiva decretada, estes agressores tambem nao poderao mais ser punidos com penas alternativas, a legislacao tambem aumenta o tempo maximo de detencao previsto de um para tres anos, a nova lei ainda preve medidas que vao desde a saida do agressor do domicilio e a proibicao de sua aproximacao da mulher agredida e filhos.

Obviamente que a lei Maria da Penha nao elimina o problema da violencia domestica no Brasil, no entanto, inibe e pune imediatamente. Quando sera entao que no Paquistao teremos a lei Mukhtar Mai ? Quantas mais Marias da Penha e Mukhtars terao que existir nesse mundo para mostrar para a humanidade que a violencia, seja ela moral , fisica, psicologica ou sexual, contra outros seres humanos eh crime ?

Meus respeitos a todas as mulheres que hoje em dia apanham em silencio apenas por nao conhecerem que outra forma de amor eh possivel. Meus respeitos a todas as mulheres que se calam diante da violencia por sentirem vergonha ou medo de serem violentadas ainda mais. Meus respeitos a todas as mulheres que apanham caladas em silencio para que seus filhos nao a escutem chorar e por acreditar que sozinhas nao conseguirao alimentar suas criancas e nao as pode abandonar. Meus respeitos a todas as mulheres que sofrem em silencio com a esperanca de que amanha as coisas ficarao melhores pois acreditamos na humanidade e acreditamos que os seres humanos nao sao animais. Entendo todas voces porque nao tenho duvidas de que ninguem apanha porque quer… sempre ha um motivo grandioso por tras do silencio, no entendo eh necessario entender tambem que o silencio de fato pode levar a cabo a sua existencia.

Como a Scliar disse aqui existem varias pessoas que poderao te entender e ajudar sem julgamentos. Essas pessoas poderao te dar suporte para resolver todos esses motivos grandiosos que te fazem calar. Inspire-se e siga entao o exemplo de Maria da Penha e Mukhtar que gritaram por suas vidas e continuam lutando pela vida de outras mulheres ate hoje. Transforme sua dor em um grito de socorro para voce e para todas as outras mulheres que pelos exatos mesmos motivos que voce estao na mesma situacao nesse exato momento. Procure ajuda antes que seja tarde demais.

Se você é uma mulher que está vivendo uma situação de violência e quer romper com o silêncio,

Central de Atendimento à Mulher
De qualquer lugar do Brasil e a qualquer hora, você pode ligar para denunciar a violência ou pedir orientações.
ou
Acesse o Guia de Serviços que atendem mulheres em situação de violência
Veja mais delegacias, centros de referência e organizações de atendimento à mulher


O post do Alvaro sobre o regime de castas muito forte naquela regiao me fez “aceitar” alguma cisa dessa sociedade tao “primitiva”. Questionamento final da analfabeta Mukhtar Mai ainda fica em aberto:

“se a mulher é a honra do homem, por que será que ele quer violar ou matar essa honra???”

Alguém pode dizer?

Depois de ler os muitos blogs que abordaram a questão da mulher no dia 8 de março, blogagem proposta por Lys e Meire, achei que valia a pena levantar uma questão que me incomoda no livro A Desonrada.
O primeiro impacto, é claro, é de solidariedade. Como não se revoltar ante o estupro cometido, como não ficar indignado com a submissão imposta a estas mulheres?
Mas algo continuava a me incomodar.
O segundo impacto é a busca de proximidade. Identificar-se com o outro, ver o que nos faz iguais e ao mesmo tempo diferentes – as mulheres que são violentadas, espancadas e apunhaladas no corpo e na mente em tantas partes do mundo. O Brasil faz parte destas tristes estatísticas.
Mas algo continuava a me incomodar.
E o que me incomoda no livro, para além da questão dos grilhões que acorrentavam Mukhtar Mai, é a sua postura de reverência religiosa e a divisão maniqueísta que faz entre mulheres “de bem” e mulheres “da vida”. Sei que é difícil uma postura distanciada e crítica daquilo que nos faz, mas acho que é um dever tentar fazer isto em relação ao seu próprio discurso e no discurso do outro. Já no início do livro, ela comenta que o juiz, um juiz “diferente”, nas suas próprias palavras, que lhe ouviu com atenção, termina dizendo: -“Deus decidirá.” Como assim, deus decidirá? Tenho até peninha de deus, coitado, que tem que se encarregar de cuidar da vida de cada um, fora atender aos pedidos de passar no vestibular, ganhar na megasena e outros que tais.
Mas não para por aí. Ela mesma se reconhece fatalista, que o Corão a protegerá. E prega, contraditoriamente, a mesma lei do “olho por olho”, que critica. Assim “como os Mastoi não a perdoaram, eu também não os pedôo.” O que me chocou, também, foi que ela ficou satisfeita e feliz com a sentença de morte de 4 dos seus algozes. Punição sim. Mas sentença de morte? Sei que é um assunto controverso – os plebiscitos populares que o digam. Mukthar não foi humilhada na carne, pelo estupro. Ela é humilhada porque sua mente é prisioneira de suas próprias palavras.
A outra questão, da mulher digna x mulher indigna, fica para o próximo post.

PS: Sobre a questão da escravidão, tem um post ótimo no blog Na Suécia não tem barata, sobre a escravidão da mulher. Vale a pena conferir.

mukthar.jpgÉ inegável, se olharmos apenas o Ocidente, que a posição da mulher é, hoje, muito melhor do que foi há alguns anos. Se perguntarmos, no entanto, se essa melhoria é geral, a resposta é não. Em alguns locais - e dependendo muito do meio - há liberdade, igualdade e as mulheres são respeitadas pelo que são, iguais ou diferentes.

O caso de Mukthar Mai nos obriga, de certo modo, a olhar para o lado ou para trás e ver que, talvez não exatamente na situação dela, mas muito próximo, existem milhões de mulheres. E não é o caso - aliás, também no Paquistão - de a legislação não reconhecer seus direitos. É que a cultura se sobrepõe a lei. E no final, até as próprias mulheres acham que estão cumprindo o seu papel.

Digo isso para insistir em que a educação é o único meio de transformar a situação. A educação, por sinal, é transformadora em todos os campos, pois abre a mente, faz com que vejamos as igualdades e diferenças e passemos a questionar coisas, regras, posições, etc. É por isso, talvez, que em muitas partes homens queiram manter as mulheres na ignorância. Sabendo mais, vão conseguir crescer, defendendo seus direitos.

A situação do Paquistão serve, também, como reflexão para o Brasil. Vivemos uma divisão clara, com uma parte - a parte Bélgica - vendo a condição da mulher de forma diferente, entendendo que tem de participar em todos os campos. E um outro - a parte Paquistão - onde a opressão ainda é a regra. E é nesta parte que se encontra a grande parcela dos brasileiros que são analfabetos, que nunca tiveram uma educação formal.

No Paquistão, na França, em qualquer país da Europa, América, África, Ásia ou Oceania a educação é a única forma de transformar as pessoas. E fazer com que as mulheres deixem de ser vítimas de procedimentos como os relacionados à Mukthar Mai.

Hoje vou voltar ao tema da Educacao que ja foi comentado pela Dani, Lino e Scliar. Sei que o tema ja nao eh novidade e tudo o que vou falar aqui voces ja sabem muito bem e ate melhor que eu. Mas a ideia eh trocar figurinhas nao eh ? Quem sabe ainda de quebra nao descubro se estou no caminho certo ;)

Uma das coisas mais marcantes no livro no meu ponto de vista eh o quanto o simples fato de saber ler pode mudar as coisas de figura em nossas vidas. Quando somos analfabetos somos completamente vulneraveis e caimos em muitas armadilhas tal como caiu Mukhtar Mai. Bom, mas isso nao eh novidade nao eh meus amigos ? E qual seria o motivo pelo qual a classe dominante luta com toda sua forca para manter os mais pobres sem educacao ? Esse problema entao ja conhecemos de traz para frente, de costas e ao avesso pois o Brasil esta em uma posicao de ponta na questao analfabetismo. Fico feliz que isso esta mudando nos ultimos anos mas ainda estamos longes de nos tornar um pais letrado ;)

No entanto podemos questionar ate que ponto saber ler resolveria os problemas de Mukhtar Mai. Ok ok… saber ler ajudaria sem duvida, mas no livro mesmo eh comentado pela amiga da Mukhtar Mai que independente do nivel educacional da mulher as leis sao as mesmas para todas. O livro mesmo conta um caso de uma mulher “letrada” que foi estuprada tambem e no final deportada do pais. Nesse sentido o caso de Mukhtar chegou mais longe ate mesmo sem a propria saber escrever.

Nao estou aqui questionando a necessidade de saber ler e escrever meu povo, me entendam bem. O que estou dizendo eh que pouca coisa muda se a educacao de fato nao sofre uma modificacao. Educamos nossos filhos de forma extremamente sexista e reproduzimos conceitos do arco da velha para nossas criancas. O que esperar entao que eles pensem e como se portem no futuro ?

Entendo que o maior desafio para uma mae, ao tentar dar uma educacao mais libertaria para os filhos, eh esconder do proprio marido suas intencoes sob o risco de levar “varias palmadas”. Afinal, muita mulher no mundo apanha por tentar educar as criancas. Outro problema enfrentado eh o fato de querer evitar colocar seus filhos em risco, pois se a crianca crescer questionando muito ja viu ne ? Tambem apanha. E todos nos tamebm sabemos que crianca que cresce em um ambiente aonde oas problemas se resolvem aos tapas tambem executara a mesma tecnica no futuro e resolvera seus problemas com sua esposa e filhos tambem no tapa. Agora me diz ? Qual a solucao nesse caso ? Melhor pular a vez e fingir de morta antes que me matem de vez.

Hoje em dia ja evoluimos bastante. Com a libertacao feminina ja temos o direito de dar mais pitacos na educacao dos nossos filhos e ate eh natural pensar em uma menina jogando bola e alguns pais ate ensinam suas meninas desde pequeninas. Camiseta do clube, chuteira, bola legal, ja entrou para a lista de brinquedos para as meninas ! Mas pense pelo outro lado… voce por acaso ja pensou em comprar um kit desse ai da foto abaixo para seu filho menino ? E porque nao ? Nao me venham dizer que voces acham que meninos nao gostam de brincar de casinha e nem de fazer comidinha… Bom, pelo menos em casa, eu e Edu dividimos o gosto pelas coisinhas de casa, mas devo confessar que na hora de colocar os pratos na mesa ou receber uma visita para o jantar eh ele quem fica horas pegando as melhores coisinhas que combinam e que temos para colocar nossa comidinha, ou seja, Edu adora brincar de casinha ! E eu acho lindo isso nele :)

Outro exemplo que tenho bem marcado em minha cabeca eh de meu primo-irmao Paulo. Fomos vcriados juntos e ele adorava brincar de casinha comigo. De fato ele preferia mesmo era ser o dono do bar, e inventava de tudo para nos vender por dinheirinhos de folhinhas. Aposto que ele ia adorar ganhar de presente um desses kits de supermercado que geramente vendem para meninas. Mas o que ? Voce acha que ele ganhou ? De jeito nenhum coitado, tinha que se contentar com a bola mesmo… mas eu ganhei um lindo kit supermercado com caixa registradora e tudo e no final ele fez a festa !

Pois bem meus amigos. Coloco aqui entao a questao da educacao tal como a damos para nossos filhos. Essa educacao que diferencia meninos e meninas desde a mais tenra idade. Aonde meninos nao podem chorar porque se nao eh “frutinha”, nao pode ser mais sensivel, nem brincar de boneca e de casinha porque corre o risco de ser rotulado como um possivel homossexual infantil.

De fato nos preocupamos muitos com a educacao feminia hoje em dia mas em meu ponto de vista, os problemas femininos de fato vao comecar a ser muito mais entendidos pelo outro sexo o dia em que permitirmos que eles tambem vivam as nossas emocoes.

Sei que corro o risco enorme de ser chamada de mae teorica e hipotetica aqui, mas acho que Educacao libertaria hoje em dia, pelo menos nesse clube, nao sera uma questao polemica pois sabemos que essa mudanca eh necessaria. Temos que ensinar nossos meninos a amar desde muito cedo pois eh isso que nos difere de fato. E eles nao podem ter vergonha disso pois nao ha porque ter vergonha de expor seus sentimentos. Mas sim de fato sou mae teorica e hipotetica… mas um dia me vingo de voces e apareco aqui com minha cria tambem ;) e se for menino vai ganhar boneca e brincar de casinha comigo sempre que quiser.

E para os poucos quem ainda nao pensaram nisso, bora repensar na educacao patriarcal que damos para nossos filhos pois saber ler e escrever nao eh o suficiente.

mulher brasileiraTodo dia eu chegava cedo na agência de propaganda. Redatora, em São Paulo. Era uma grande agência. Eu era uma pequena redatora, entre outros tantos. E para todos nós, uma revisora. Sim, agência grande tem disto: alguém que domina o vernáculo, que corrige aqueles erros que fazemos sempre, recorrentes; z ou s? J ou g? E a crase, vai mesmo onde? Pois tínhamos, então, uma revisora. Classe média alta – fazemos parte desta minoria ilustrada -, pós-graduada, condecorada, e quantos “adas” vocês quiserem!
Um dia, ela faltou. Ligou avisando. No outro, apareceu com um olho roxo. Tombo na escada, disse ela. Os tombos continuaram, recorrentes. Os olhos roxos também. Às vezes, hematomas nos braços, nas pernas. Um dia, me confidenciou: apanhava do marido.
Eu fiquei muda. Dizer o que? É um apoio solidário, calado, como quem diz -Estou aqui. Se precisar, estou aqui. E nada mais disse.

A liberdade

Dois anos se passaram, até que finalmente ele se separou do dito cujo. E veio me agradecer. Agradecer o quê, pulamordedeus? Agradecer que eu não havia censurado, não havia cobrado uma posição, não havia dito o que ela deveria fazer. Só comigo ela conseguia falar, e isto fora importante para arrumar cada uma de suas células, até aquele momento, dois anos depois. Então aprendi: cada pessoa tem o seu tempo, e quem sou eu para apontar meu dedo?
Mukhtar Mai não é a única. Minha amiga revisora não é a única. O verniz da classe média e da classe alta esconde nas entranhas dos condomínios de luxo a violência doméstica. Para rompê-la, é preciso falar. Saber que não se está só. Aproveite aqui para deixar seu relato, seu grito de dor ou socorro. Anonimamente, se quiser. Ninguém irá condená-la ou achar que você perdeu sua honra, seja porque motivo for. Mas é importante que muitas vozes se juntem, para que uma onda crescente, verdadeiro tsunami, varra da face da Terra todo tipo de violência.

E para não esquecer:

. Uma em cada três mulheres sofre algum tipo de violência.
. Estima-se que apenas 20% das mulheres agredidas registrem queixa.
. Helen Cristina, 22 anos. Ex-integrante do Fama 3. Mantida em cárcere privado. Surrada com um martelo pelo marido.
. Ingrid Saldanha, 32 anos. Jornalista. Espancada pelo marido, o ator Kadu Moliterno.
. Sirley Dias Carvalho, domeestica. Espancada no ponto de ônibus por jovens atores do seriado Malhação.
. Maria Celsa da Conceição, 50% do corpo queimado pelo marido.
. Mariza Kapp Caldeira, 43 anos. Agredida pelo marido, só foi socorrida um dia depois. Morreu no hospital.
. 79% das mulheres agredidas tem entre 21 e 40 anos.
. 95% possuem filhos.
. Em mais da metade, a agressão é recorrente.
. O principal agressor: o companheiro ou alguém da família.
Medo da condenação social, vergonha, pavor de que, uma vez solto, o companheiro torne-se mais agressivo – tudo isso faz das mulheres prisioneiras de seu próprio corpo.

A violência não está no livro. Mora ao seu lado. Escreva. Deixe seu recado. Sua voz pode ajudar a libertar uma mulher.

Dia 8 de março. Blogagem coletiva pela mulher. Participe.

Outra opinião: Visao da vida

Justiça em três diferentes instâncias: a tribal, a religiosa e a oficial… daria pra pensar que um país assim seria um lugar justo certo!?!? ERRADO!!! Todas as esferas da justiça favorecem apenas os mais fortes!!

Me chocou saber que as tribos podem decidir o castigo a ser aplicado a um mebro da própria tribo ou, pior, de uma tribo dita inferior. A jirga é o tribunal tribal composto, “obviamente”, só por homens. Idealmente deveria ser composta pelos mais velhos e mais sábios da tribo mas, no caso de Mukthar a jirga consistia de brutamontes, sedentos de vingança e violência!! Foram eles que decidiram a punição de Mai. Mas e as outras “justiças”?!?! A religiosa, pelo visto, também se submete à jirga… no livro Mai fala sobre como o mulá ficou de fora da decisão e não foi ouvido no caso dela.

A justiça oficial simplesmente pegou a assinatura da vítima em um papel em branco e, se não fosse o apoio do pai de Mai e a notoriedade da história dela, teriam certamente arquivado o caso sem maiores preocupações.

Acredito que enquanto não existir justiça de verdade NADA vai mudar!! Não só no Paquistão, como também no Brasil (como já discutido pela Scliar no post sobre justiça paralela).

Já é meu 2º post sobre o livro… e o 2º que digo algo que precisamos pra mudar… o que acham?!!?

EDUCAÇÃO e JUSTIÇA!!!

Beijos, Dani

Devo confessar que acabei de ler o livro muito rapidamente mas, tenho dificulde de encontrar palavras para descrever o que penso sobre ele. Nao gostei do livro, mas acho que o livro eh feito para nao se gostar mesmo. Afinal, quem pode gostar de uma barbaridade dessas ? O tema poderia ser melhor abordado. Isso eh fato sim, mas por outro lado, acho que a ideia desse livro era apenas um pequeno grito que certamente ira inspirar a outros mais. Assim espero, assim esperamos. A verdade eh que sabemos o que passa la dentro sim mas temos as maos atadas. Eh necessario que alguem de dentro mude a situacao e eh ai que esta a importancia do livro segundo meu ponto de vista.

Fiz algumas viagens para paises muculmanos. Conheci Marrocos, depois a Turquia e percorri varias cidades do Egito. Lembro que ao sair do Egito a unica coisa que pensava era na condicao das mulheres. Como elas podiam aceitar viver dessa maneira tao subordinada. Subordinada a um ponto que nenhuma mulher que eu conheco, nem mesmo as mais submissas, seriam capazes de suportar no ocidente. Mas a minha agonia nao era so a respeito das mulheres nao. E sim a varias coisas que vi e ouvi. Como foi triste ver um pais que um dia foi um centro da civilizacao completamente destruido e jogado ao abandono. No meu ponto de vista so sobrou a pobreza, a violencia e a falta de respeito para com o ser humano em geral. Fomos desrespeitados varias vezes em varios aspectos como turistas e tendo toda uma estrutura ao nosso redor para nos protejer… o que podemos dizer entao das pessoas que moram la e que absolutamente estao entregues ao azar ? De uma coisa eu estou certa, nao viajarei nunca mais para o Egito e nao tenho o menor interesse de se quer conhecer qualquer outro pais religioso extremista como Paquistao e cia. Considero ja ter visto o suficiente e nao ha nada la que eu tenha interesse de ver. Hipocrisia da minha parte ? Pode ser… mas o fato eh que nao ha nada que nem eu e nem ninguem do lado de ca possa fazer para mudar esse quadro.

Lembro que quando sai do Egito estava certa de que o problema so poderia ser o da religiao. Afinal, eh apoiada nela que a maior parte da brutalidade se desenvolve nao eh mesmo ? Agora sei que vou escutar de muitos de voces que o problema nao eh da religiao e sim da instituicao religiosa. Tudo bem, nao importa, que seja entao. Que o problema esteja entao na forma em que os dirigentes usam e se apoiam na religiao para resolver os problemas das pessoas de forma parcial e impositiva.

No entanto, devo convir que isso nao eh completamente verdade ja que paises diferentes que seguem a mesma religiao como tradicao podem levar a vida de maneira completamente diferente. Nao vi em Istambul o que vi em Marrocos e nao vi em Marrocos o que vi no Egito. O que entao eh diferente ? O extremismo ? A pobreza ? A ausencia de lei ? Ou a impunidade ?

Me diga por favor o que faz que um pais consiga retroceder tanto em anos ? Qual eh o problema ? Porque ainda existe no mundo algo tao extremista como o que acontece no Paquistao e que foi descrito no livro ?

Algo que quero deixar claro aqui eh que nao acho que esse eh um problema do islamismo. O islamismo assim como qualquer outra instituicao religiosa, dentre as que eu conheco obviamente, eh sim bastante sexista, mas nao acho que essa seja a questao tratada aqui. O que considero o problema eh o extremismo religioso, e nesse aspecto, seja cristao extremista, judeu extremista ou muculmano extremista… sempre da merda.

Porque podemos ate dizer que isso existe em todos lugares. E existe sim certamente. No nosso pais esta cheio de varias coisas que lemos no livro e algumas ate piores… mas uma coisa eh fato… em nenhum lugar do planeta me senti tao insegura e indefesa como me senti no Egito. O que diria eu estando no Paquistao ? Nao sei e nao quero saber… essa parte eu vou pular.

A pergunta eh: Se em todos lugares acontece a mesma coisa, o que difere entao o caso de Mukhtar Mai ? Voce acha que se o mesmo tivesse acontecido em um pais europeu ou ate mesmo no Brasil esses caras ai do lado continuariam em liberdade ? Eu acho que nao… pelo menos tenho esperancas que nao. Na verdade o que aconteceria eh que esses , ao inves de serem condenados a morte, seriam jogados na cadeia e sabemos muito bem o que acontece com estupradores de um menino de 12 anos em uma penitenciaria nao eh mesmo ? Justica com as proprias maos ! Mas nesse caso estaria valendo ? Afinal a honra de ambos estuprados, torturados etc e tal seriam lavadas. Honra por honra se paga ?

A impunidade eh algo definitivamente assustador. Nao ter para onde correr e para quem pedir ajuda eh absolutamente inconcebivel. Quando nem mesmo em nossa familia podemos buscar apoio e confianca so nos resta pensar como Mukhtar Mai que disse repetidas vezes que depois do incidente nao consegue confiar mais em ninguem. E ela esta certa ! Ela nao pode confiar em ninguem mesmo. E ai nao tem casta que ajude nao eh mesmo ? No livro mesmo foi dito que se tratando de mulher, nao importa o grau de escolaridade, nao importa se eh rica ou pobre, nao importa se sabe ler ou nao, no final a impunidade eh a mesma para todas. Sem falar que essa impunidade tambem se aplica ao homem mas de maneira mais sutil. Pelo menos nao sao eles que sao usados como mercadoria de troca ou moeda de “honra”.

Podemos ate dizer que a Mukhtar deu “sorte” de conseguir o apoio de alguem, mas e todo o resto das mulheres que estao agora, nesse exato momento sendo estupradas e humilhadas por todo um grupo de pessoas que por alguma razao se sente superior, seja ela financeira ou apoiada nas costas da religiao. O que elas devem fazer ?

Mas uma coisa eh certa, isso precisa mudar. E essa mudanca so pode vir de dentro. Ja pensei bastante sobre isso durante minha estadia no Egito. Nao ha como alguem de fora entrar e tentar mudar essa situacao. Porque ? Porque nos absolutamente nao entendemos e jamais vamos entender o ponto de vista deles e portanto jamais seremos tambem entendidos e escutados.

A mudanca tem que vir de dentro… e eh por essa razao que Mukhatar Mai tem que continuar sua luta ! E eh por essa razao que esse livro existe ! Para que o mundo inteiro saiba e de certa forma a proteja, ja que no pais dela a unica coisa que existe eh a impunidade. Nos, na realidade servimos para mante-la viva para lutar e eh isso que devemos continuar fazendo, pois o dia em que o mundo esquecer dessa mulher ela certamente nao vera mais a luz do dia.

Nao podemos fazer nada mais para ajudar a nao ser mante-la viva. Ela e todas sua seguidoras paquistanesas. Porque ela esta la dentro, faz parte do sistema e continuara la dentro lutando pela mudanca. Porque elas sim falam a mesma lingua, creem nas mesmas coisas e certamente entenderao as necessidades umas das outras. Nao ha intervencao possivel que nao seja dessa maneira.

No meu ponto de vista, essa eh a mensagem do livro: Temos que mante-la viva !

Este clube é formado, em sua maioria, por mulheres. Daí pode-se depreender que os poblemas femininos estejam sempre em foco. Acho que os homens do clube - eu e o Álvaro - concordamos em que este é um assunto sempre em foco. E do qual nunca é demais se falar.

Como observei há uma semana - Alguns frutos da globalização - os problemas femininos - e não só eles - ficaram mais evidentes com a globalização, ganhando destaque na mídia situações que, antes, não eram faladas. É o caso de Mukthar Bibi, depois conhecida como Mukthar Mai. Ela não se enquadrou na norma tribal de ser violentada, ficar quieta ou se matar.

Nãodireit.jpg. Ela foi à luta e expôs um problema que é quase que milenar em alguns países onde o islamismo é a fé quase oficial: a prevalência da visão masculina que trata a mulher como objeto, podendo usá-la e descartá-la ao seu bel prazer. A questão se prende à cultura, entranhada nos costumes de tribos, agrupamentos religiosos e étnicos espalhados pela África e Ásia.

No Ocidente, a mulher ganhou um outro status e seus direitos avançaram, e muito. Nos setores dominados pelo islamismo - e isso, frise-se, nada tem a ver com religião - a situação é bem outra. Como já disse alguém, a título de brincadeira, a mulher só tem valor como reprodutora e serviçal. Este aspecto fica bem ressaltado no livro de Mukthar.

O que aconteceu com ele - e acontece com milhares de mulheres todos os dias - é altamente condenável e os mídias ocidentais têm mesmo de ressaltar a opressão feminina, seja ela em áreas islâmicas, cristãs, animistas ou sem religião. Só falando e alardeando o que acontece é que a opinião pública se mobilizará e poderá ajudar na mudança da situação.

Neste aspecto, o de tornar público o que ocorre, o livro de Mukthar Mai tem mérito. Do ponto de vista literário, no entanto, ele é muito ruim, muito pobre. O próprio relato poderia ganhar muito maior dramaticidade se fosse conduzido de modo diferente. Não há uma contextualização da situação, não há referências a outros locais. O destaque é para a violência cometida.

E como o próprio livro mostra, ela não acontece só com as mulheres. Também os homens, em disputas tribais e étnicas, são brutalizados, massacrados, mortos. Neste caso, nem homens nem mulheres, têm direitos reconhecidos. Prevalece a lei do mais forte, o talião, o olho por olho, dente por dente. E não importa se a vingança é feita contra homens ou mulheres.

Nós reconhecemos isso. Mas será que o Ocidente realmente se importa? Não é ele, por acaso, o principal financiador do Governo paquistanês, que nada faz em favor dos direitos humanos? Não foi ele quem financiou o Talibã, Afeganistão? Não é o Ocidente que faz vistas grossas à repressão em várias partes do mundo, incluindo a China? Fala, nestes casos, o interesse maior do econômico e do político.

Precisamos avançar. Mas antes de condenar o que os outros fazem - e violar mulheres e brutalizar homens é sempre condenável - é preciso acabar com a hipocrisia ocidental que prega: Faça o que digo, não o que faço. Afinal, a violência contra as mulheres também existe por cá.

mukthar.jpgA questão do feminino e dos direitos das mulheres ganhou, a partir da globalização, uma nova ótica. Se de um lado nas chamadas democracias ocidentais há - pelo menos devia haver - a prevalência da lei civil, que oferece mais proteção às mulheres, no Oriente, na África e na Ásia ainda se misturam a lei religiosa e a civil, com a primeira predominando, o que leva a quase exclusão das mulheres da sociedade.

Tomemos o caso de Mukhtar Mai, a paquistanesa que foi estuprada por homens de um clã vizinho, mais poderoso. O que ela fez? Não importa. O que se destaca é o fato de os homens, em uma sociedade tribal, estarem acima das leis civis, podendo dispor da vida de todos, mas principalmente das mulheres, que não são consideradas cidadãs e, muito menos, pessoas.

Este exemplo, que ganhou destaque mudial, mostra que a opressão às mulheres é uma prática comum. Neste tipo de sociedade, elas estão depois dos objetos domésticos, que têm mais valores que elas. Hoje, sabemos disso. E o sabemos graças à globalização. É um dos bons frutos que a mundialização nos trouxe.

Graças aos meios de comunicação, que miram no diferente, no inusitado, tomamos conhecimento da violência contra as mulheres, notadamente em áreas de domínimo islâmico e na África. O noticiário e a mobilização das organizações de defesa dos direitos humanos, que fazem, com justa causa, um considerável barulho, funcionam como pressão de fora para dentro para que países adotem legislações civis e punam qualquer violência contra as mulheres.

Há, em relação à postura masculina nessas áreas, uma outra consideração, já que se apegam a religião para justificar o que, no Ocidente, consideramos um comportamento bárbaro. O islamismo é uma religião igualitária. O Corão trata homens e mulheres iguais. Por princípio, então, a postura masculina teria de ser diferente. Mas não é. Entra neste caso uma tradição machista, que coloca a mulher à margem, não lhe dando voz nem direito.

A situação das mulheres em culturas onde este tipo de comportamento é dominante persiste há anos, talvez mesmo há séculos. Antes, restrita às sus aldeias, aos seus países, acabaou ganhando foco com o olhar ocidental graças à globalização. Em busca do diferente, do exótico, a mídia descobriu um outro mundo.

E aos descobri-lo acabou levantando o véu da repressão feminina, indignando a sociedade ocidetal e fazendo com que, a partir de exemplos chocantes, como o de Mukhtar Mai, houvesse uma ampla cobrança por mudanças. Elas estão ocorrendo, fruto da pressão dessa mesma globalização, mas são lentas. Aliás, como toda mudança de cultura.

É por isso que é importante discutir a questão, que nos leva aos direitos da mulher no próprio Ocidente, onde têm muito mais liberdade, mas ainda sofrem vários tipos de limitações. Só falando destas questões é que vamos contribuir para que ganhem visibilidade e, com isso, sejam enfrentadas.

É exatamente isso que este Clube do Livro está fazendo. A partir do exemplo de Mukhtar Mai vamos colocar algumas luzes sobre a questão feminima, discuti-la e constatar, no final, que há ainda um longo caminho a percorrer.

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ADENDO DA LYS
Apenas uma observacao aqui no post da gloriosa Cissa - na verdade, do Lino - para quem queira comprar o livro para acompanhar as discussoes aqui no clube:

Proximo livro a ser discutido no Clube do Livro é o Desenrada (In the name of Honour) de Mukhtar Mai.

Esse livro pode ser comprado por exemplo no Estante Virtual por 39,90 reais. Para quem mora fora do pais, na Amazon custa aproximadamente 10 dolares. Eu nao encontrei em nenhum lugar para download gratuito mas se alguem souber de algum link manifestem-se !

Eh isso ai moceda. O Clube do livro vai mergulhar de cabeca no mundo oriental :)

(Editado pelo Lino)