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Existem duas expressões que adoro: cronocentrismo e etnocentrismo. O primeiro, significa que a gente acha que nossa época é a mais importante, aquela onde mais coisas acontecem… O segundo, que nossa comunidade, nosso sociedade, é o centro do mundo. Aliás, sobre isto, eu e meu amigo Rick, que faz os desenhos nos meus blogs, criamos um personagem: os famosos anônimos. É aquele fulano, que se acha o centro do mundo, que todo mundo conhece. Mas que mundo? Sai do Brasil, pergunta: -Conhece fulano de tal? Só para ouvir a resposta: -Quem mesmo? De que pais? Ah, Brasil? Sei, sei… Carnaval, Ronaldo, Sena… Por aí vai ficando. Os mais bem (des)informados podem agregar um Paulo Coelho da vida como o supra-sumo da literatura brasileira.
Noticias daqui ficam por aqui
Lendo, até parece que o Brasil está na ordem do dia no exterior. O povo que esta aí fora, pode nos dizer das manchetes sobre o Brasil? Claro, tragédias aparecem: o avião que caiu, o brasileiro morto no metro de Londres. Duzentos anos atrás, como império peninsular, provavelmente seria diferente! Afinal, o Rio de Janeiro se torna capital de um império rico, tão rico que foi cobiçado por Napoleão e conseguiu o apoio dos ingleses (interessados na abertura dos portos) para permanecer de pé. D. João chegou aqui e logo providenciou algumas coisas básicas: fundou o Banco do Brasil, a Imprensa, abriu o Teatro Real, a escola de Medicina e também de Belas Artes, alem da Biblioteca Pública. Fora a já falada abertura dos Portos. Nada mal para virar manchete nos diários europeus e americanos. Será?
Pesquisando nos Arquivos
Pois descobri, consultando o Santo Google, vários timelines e a Biblioteca do Congresso (Americano…), que muita coisa aconteceu naquele ano. Foi fundada a 1a. orquestra dos EUA, em Harvard. Inventou-se a primeira máquina de escrever que um cego poderia usar. Varsóvia caçou os direitos políticos dos judeus. Aconteceu a execução de 3 de maio, na Espanha, que eu vi numa pintura de Goya que adoro. Para quem gosta de viajar, é bom saber que aquela agencia de viagens, a Cook e qualquer coisa, foi fundada neste ano de 1808! Nós, aqui das leituras e afins, ficamos contentes em saber que a primeira parte do Fausto, de Goethe, foi escrita enquanto o Rio tentava virar gente grande a custa dos escravos. Nos EUA, a importação dos escravos foi proibida neste ano, mas aqui, aumentou a olhos vistos. Muita coisa sobre Napoleão, é claro. Não vou dizer que não tinha nada sobre o Brasil. Tinha sim. Duas linhas: uma, dizendo que Napoleão havia escorraçado a família real para o Brasil e a outra, que o Rio se tornara capital do Império Portuguesa. Quanto ao que aqui acontecia ou foi feito… Nada de nadica.
Botando as Barbas de Molho
Pois então é isto, minha gente. D. João colocava as barbas de molho e nós também. Vamos reconhecer que somos periferia sim senhor. Alias, não só o Brasil, fico alucinada que nos “estrangeiros” tão pouca gente conhece Fernando Pessoa. Machado de Assis, nem se fale… Ou seja: parece mesmo que depois do homo sapiens, vivemos mesmo a era do homo econômicos, pois o que manda mesmo não são homens ou mulheres, mas o dinheiro, sim senhor. Foi pelo dinheiro e por causa dele, que a Família Imperial conseguiu escapar. E foi por conta dele que o Brasil conseguiu se separar de Portugal, para cair, é claro, nas sombras de outros impérios. Mas isto já é outra história. Ethel Scliar




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