Uma coisa que ninguém pode negar, após ler o livro de José Torero, é que o Chalaça podia ter qualquer defeito, talvez todos juntos e somados, mas de fato ele era fiel a seus companheiros. Vejam só no livro a cumplicidade existente entre os três amigos trambiqueiros: Chalaça, Rocha Pinto e Carlota. Além disso, todos os três tinham uma admiração e dedicação fervorosa por Dom Pedro. Essa que se seguiu ate sua morte. Sim, haviam também interesses por trás das coisas mas nenhum dos três, mesmo após a morte do imperador, debandou para o lado dos reformistas. Gamito debandou e foi acusado pelo trio de traidor. Bom, pelo menos nenhum dos três voltou atráz até o ponto aonde cheguei do livro mas como faltam apenas 20 páginas para terminar a minha leitura, acredito que nenhuma mudança dramática acontecerá.
É algo realmente interessante essa tal cumplicidade masculina. Cumplicidade essa tão difícil de encontrar entre mulheres. Vejo isso em meu dia a dia e entendo que é mais facil, até mesmo para mim, manter um relacionamento longo de amizade com o sexo oposto. Uma amizade leve, que pode durar por anos e além disso, sem traumas é bastante comum entre nossos companheiros do sexo oposto. Não acham ? Entre as mulheres também acontece mas em média, acho que é menos comum. Muitas vezes, problemas que para nós parecem homéricos e sem solução, para os homens são resolvidos em uma mesa de bar com um copo de cerveja ou durante uma partida de futebol. Posso até estar enganada, mas tenho a leve impressão que nossos companheiros são menos complicados e não podemos negar que isso é uma tremenda vantagem em algumas situações. E também não posso negar que a maioria das confusões que norteiam a vida desses nossos adoráveis companheiros são na maioria das vezes colocados por uma (ou mais) mulher(es) ou pela ausencia de. Certamente, nós mulheres, trazemos um certo caos que em boa medida faz a relação basicamente perfeita na sua imperfeição. Obviamente estou falando em um contexto bastante generalizado e certamente existem vários casos que não se encaixam nessa teoria, entre eles os relacionamentos homosexuais. Mas mesmo nesses casos podemos facilmente identificar quem mantém a paz e quem traz o caos na relação. Aqui em casa quem traz o caos sou eu, portanto, sei bem do que nós mulheres somos capazes no quesito perturbar a vida do companheiro
Mas é sabido que eles adoram… ou pelo menos grande parte deles

O problema começa quando essa tal cumplicidade masculina ultrapassa um certo limite saudável e nos aparece como misogenia, tão comum e tão aceita em nossa sociedade. Não estou falando de extremos apenas, ou seja, de homens que odeiam mulheres e as agridem fisicamente. Estou falando aqui daqueles que, como o Chalaça, não conseguem suportar mulheres por muito tempo. Casam, tem filhos e filhas, mas não conseguem suportar a presença de suas esposas. Uma mistura de amor e ódio que confunde a cabeça de qualquer um.
Mas vamos entender melhor esse problema. Para quem ainda não sabe:
Misogenia é o ódio ou o forte preconceito contra a mulher. Um conceito também relacionado com a misogenia é a ginefobia, que é o medo de mulheres, mas não necessariamente o ódio por elas, como no caso da misogenia. Não confundam tambem misogenia com misantropia, que por sua vez é o ódio pela humanidade.
Existem diferentes formas de misogenia. Em seu extremo ela aparece como um ódio explicito a todas as mulheres apenas porque elas são mulheres. No entanto, o mais comum são as formas suaves de misogenia, que normalmente aparecem em forma de pequenos preconceitos, como por exemplo, o ódio por mulheres que não se incluem em uma certa categoria considerada aceitável. Homens misógenos dividem as mulheres em grupos para casar e para fazer sexo por exemplo, dividindo as mulheres em duas categorias, putas e santas.
Um homem, que se considera um grande amante das mulheres, não necessariamente as ama de fato. Eu conheco muitos homens que são completamente apaixonados e profundamente admiradores do universo feminino. No entanto, conheço inúmeros Casanovas que em seu íntimo abriga apenas um tremenda misogenia. Tenho amigos que acham mulheres chatas e que não conseguem manter uma conversa saudável com o sexo oposto por mais de dez minutos.
O que diremos entao de nosso herói Chalaça, que amava tanto seus comparças, e que se julgava um grande amante das mulheres ?
Confesso que Marianinha foi para mim um daqueles amores únicos, dos quais não temos mais que cinco ou seis em toda a nossa vida, porém, como sói ocorrer às paixões masculinas, ao cabo de três meses fartei-me. Dei-lhe um colar e nunca mais apareci.
Aqui venho eu então corrigir o nosso amigo misógeno Chalaça e dizer que isso não é verdade. Existem muitos homems que de fato são capazes de admirar e amar o sexo feminino. Lamentável que homens como o Chalaça, que fique certo que são muitos e eu mesmo conheço um montão, percorrerão toda uma vida inteira sem ter a menor ideia de quão bacana é essa parceria caótica quando feita com muito amor, respeito e essa tal cumplicidade que vocês meninos conhecem tão bem. E acreditem… apesar de sermos um tanto maluquinhas, nós mulheres também somos parceiras legais. Podemos falar de futebol, tomar uma cerveja no boteco da esquina e contar piadas ao ponto de faze-los chorar de tanto rir.
beijos a todos e tenham um ótimo domingo,
Lys



8 comments
Comments feed for this article
Junho 9, 2008 às 4:54 pm
Blog do Lino
Lys:
Acho que você tem razão ao falar na cumplicidade do Chalaça com os seus amigos e, também, em relação à cumplicidade masculina que existe, sim. No meu entendimento, no entanto, não chega à misogenia, não. Mas existem amigos que são muito amigos e cúmplices em tudo.
Aliás, neste caso, no meu entender, homens e mulheres não diferem tanto, pois a cumplicidade existe nos dois sexos e, até muitas vezes, entre sexos.
Junho 9, 2008 às 8:55 pm
Lys
Lino,
Nao quis dizer que uma amizade sincera entre pessoas muito amigas e cumplices nao seja possivel ou que todos os casos de amizade sincera entre homens seja misogenia. Veja bem. Acho que relacao assim eh possivel independente do sexo sem sombra de duvidas, apesar de achar que eh mais comum ver isso entre os homens.
Tudo o que escrevi sobre misogenia se aplica a casos que ultrapassam o limite do saudavel, ou seja, homens (heteros) que apenas conseguem gostar e achar qualidades que nao sejam exclusivamente sexuais (como o Chalaca) em outros homens.
Junho 9, 2008 às 10:27 pm
Blog do Lino
Lys:
Entendi o que você havia dito, apenas chamei a atenção para que a cumplicidade existe dos dois lados.
Nos casos do excesso, como você bem colocou, trata-se na verdade de um desvio, uma “doença”, que deve ser cuidada. O normal é que haja amizade e, nela, cumplicidade.
Junho 10, 2008 às 6:00 pm
Lys
Opa… entao estamos de acordo
Eu tambem acho que isso eh uma doenca. E conheco muitos que deveriam ir direto para o diva da Vivis
beijos
Lys
Junho 10, 2008 às 11:33 pm
Dani
Lys, concordo com vc q somos mesmo meio caoticas!!! Aqui em casa quem tras o caos tb sou eu!! rs
Acho q as mulheres prestam mta atençao em coisas pequenas… as vezes ate uma certa entonaçao ao falar pode parecer algo mto maior!! Ficamos presas aos detalhes, pensando q ha sempre algo ruim por tras do q a outra pessoa diz… por isso acho q a cumplicidade feminina eh menos comum!! Os homens falam o q pensam e pronto!! Nao tem nada oculto ali e eles nao procuram por isso!!!
Quanto a misogenia… nao sei se isso se enquadra… acho q homens como o Chalaça pensam q mulheres nao estao no seu nivel!! Q pra ter uma conversa legal, uma tarde agradavel eh necessaria a companhia de homens!! Nao sei se isso seria odio ou so um certo desprezo (ou menosprezo)!! O q acha??
Beijos
Junho 11, 2008 às 7:30 am
Lys
Acho que para ser misogenia nao precisa necessariamente ser odio Dani. Um preconceito forte ja classifica como misogenia.
beijocas
Lys
Junho 13, 2008 às 12:14 pm
scliar
Este ponto que aparece no livro é bem interessante, mesmo! Este tal de “Clube do Bolinha”, não é? A gente até que tenta uns “Clubes da Luluzinha”, mas acho que esta idéia da cumplicidade masculina “leve” é bem mais disseminada na cultura. Os homens acobertam, entre si as “escapadas sexuais” (alias, conheço umas historias de rolar de rir… daria um blog inteiro!), criam umas redes de relações para ajudar a conquistar empregos, novos negocios – tudo ali, na mesa do bar ou no campo de futebol. Como disse a Lys, é claro que não dá para generalizar.
Ou dá? Bzus a todos. Ethel SC
PS: Acho que é a forma de eles se manterem no poder rs rs
Janeiro 26, 2009 às 1:50 am
Um grande quebra-cabeça « Clube do Livro
[...] às reivindicaçães feministas da época como muito bem citou Ethel ? Talvez apenas mais um simples caso de misogenia e nesse caso ele não está sozinho dentro do gênero liderado por Sherlock [...]