Um dos aspectos que me chamou a atenção em O Chalaça, que este Clube está lendo, foi o tratamento dispensado às mulheres. Em alguns momentos, elas são tratadas como se fossem deusas e olhadas como tal. Mas mesmo nestes momentos são vistas, de certa forma, como objetos.

Veja-se o caso do próprio Chalaça. Seus envolvimentos foram, tirando o último, todos somente sexuais. As mulheres, neste caso, não representavam nada além de um bom sexo – o que, sendo aceitável para os dois lados, não pode ser condenado. Não há um relacionamento diferenciado. Será que era uma característica da época?

Outro aspecto interessante sobre os relacionamentos é, pelo menos do ponto de vista do livro, a facilidade para o relacionamento sexual. E não estou falando dos prostíbulos, não. Estes sempre existiram – e continuam existindo, de forma diferente. O livro faz parecer que o intercurso sexual era natural, em se tratando de relacionamento homem e mulher.

Na verdade, se olharmos o lado histórico, há, efetivamente, a prevalência do machismo, já que as mulheres eram, mesmo na nobreza, voltadas para dentro de casa, submissas a seus senhores e maridos. Mas pelo que sei, não havia a permissividade sexual retratada nas “memórias” do conselheiro.

Pode ser que a nobreza tenha tido maior liberdade sexual, mas ela não chega, pelo que se vê na história, nem perto do que O Chalaça retrata. E isso, no meu entender, mostra que, antes de fazer história ou usá-la para desenvolver o romance, José Roberto Torero inestiu tudo na ficção.

E ao fazê-lo, centrando-se no picaresco, acabou sobrevalorizando comportamentos que são ahistóricos.