Um dos aspectos que me chamou a atenção em O Chalaça, que este Clube está lendo, foi o tratamento dispensado às mulheres. Em alguns momentos, elas são tratadas como se fossem deusas e olhadas como tal. Mas mesmo nestes momentos são vistas, de certa forma, como objetos.
Veja-se o caso do próprio Chalaça. Seus envolvimentos foram, tirando o último, todos somente sexuais. As mulheres, neste caso, não representavam nada além de um bom sexo – o que, sendo aceitável para os dois lados, não pode ser condenado. Não há um relacionamento diferenciado. Será que era uma característica da época?
Outro aspecto interessante sobre os relacionamentos é, pelo menos do ponto de vista do livro, a facilidade para o relacionamento sexual. E não estou falando dos prostíbulos, não. Estes sempre existiram – e continuam existindo, de forma diferente. O livro faz parecer que o intercurso sexual era natural, em se tratando de relacionamento homem e mulher.
Na verdade, se olharmos o lado histórico, há, efetivamente, a prevalência do machismo, já que as mulheres eram, mesmo na nobreza, voltadas para dentro de casa, submissas a seus senhores e maridos. Mas pelo que sei, não havia a permissividade sexual retratada nas “memórias” do conselheiro.
Pode ser que a nobreza tenha tido maior liberdade sexual, mas ela não chega, pelo que se vê na história, nem perto do que O Chalaça retrata. E isso, no meu entender, mostra que, antes de fazer história ou usá-la para desenvolver o romance, José Roberto Torero inestiu tudo na ficção.
E ao fazê-lo, centrando-se no picaresco, acabou sobrevalorizando comportamentos que são ahistóricos.



4 comments
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Maio 13, 2008 às 11:31 am
danipontes
Lino, o livro tb me desagradou um pouco na falta de historia e no excesso de ficçao!! Sem falar que o Chalaça me lembra aqueles caras que adoram contar vantagem… um grande fanfarrao!!! rs
Mas ainda nao cheguei ao final do livro… vamos ver!!
Beijos, Dani
Maio 29, 2008 às 9:26 pm
Lys
Lino, muito bem sacado essa questao da permissividade sexual. Que pelo o que voce disse, deve ter sido exagerada no livro. Eu ainda nao li mas acredito em voce
Sim, acho voce tem razao que isso parece estar totalmente descompromissado com a historia da humanidade como um todo, mas tambem devemos lembrar que o Brasil era a terra aonde tudo era permitido, o proprio Desmundo, muito bem retratado pelo filme com o mesmo nome (se nao assistiu ainda tente pegar na locadora pois vale super a pena !).
A realidade eh que a melhor maneira de colonizar um pais grande como o Brasil eh botando o povo para fazer sexo. Portanto, talvez seja dai que venha essa historia toda de permissividade sexual. Aonde tambem as indias e orfas eram vendidas no porto e aonde ate mesmo relacoes insestuosas eram encorajadas.
O fato eh que, Brasil, na sua colonizacao era terra de ninguem. Isso deve de certa forma ter inspirado a corte portuguesa na ocasiao de sua vinda, muitos anos mais tarde, ne nao ?
Ou entao, o calor tropical enlouqueceu os hormonios da portuguesada
Complexa essa questao, mas muito bem notada ! Belo post
Junho 1, 2008 às 4:20 am
Nao existe pecado do lado de baixo do Equador « Clube do Livro
[...] by Lys Quando li o post muito legal que o Lino escreveu, ha duas semanas atras, com o titulo: As mulheres como Objeto, imediatamente lembrei de uma questao que me eh recorrente. Calma gente… nao eh nada sobre o [...]
Junho 15, 2008 às 4:09 am
Farinha do mesmo saco « Clube do Livro
[...] por exemplo a condição da mulher na corte e na colonização, que discutimos aqui e aqui e mais aqui. Até mesmo um babado quentérrimo na corte rolou aqui no nosso [...]