Sou uma leitora contumaz. Leio tudo mesmo. Até obituário de jornal (vai que morri e esqueceram de me avisar!). Leio bula de remédio, rótulo de embalagem de caixa de fósforo, etiqueta de toalha no banheiro. Vejo graça nas Páginas Amarelas, produto em extinção graças ao Mr. Google, que tudo sabe e tudo responde. Pois vou lá digitar. Espere um pouco aí.
(… 10 minutos depois)
150 links para “ler pelo prazer de ler”. Os primeiros trazem de volta aqui para o Clube do Livro, então fica uma coisa de labirinto, que anda em círculos e não chega a lugar nenhum.
Mas outros trazem algumas informações preciosas. No Horas Serenas, com humor, 10 bons motivos para ler, um texto destinado aos jovens (bem, somos todos, pois não?). Destaco três:

1. Ler deixa os pais confusos;

2.Você não é obrigado a tomar banho depois de ler (ao contrario da Educação Física) e…

3. Os livros não ficam presos no aparelho dos dentes!

A pesquisa poderia continuar, enfronhando-se pela busca da definição do que é um bom livro… Existiria consenso?

Motivos e anti-motivos

Livros que nos surpreendem, livros que contem algo de novo, que nos acrescentam, emocionam… Não sei bem ao certo. A surpresa, descartei. Afinal, se fosse assim, jamais iria reler algumas obras. Mas existem algumas que criam raízes, leio e releio e gosto cada vez mais. Outras, na memória eram espetaculares: na segunda leitura não resistiram ao tempo. Fico sempre em dúvida, ao indicar um livro… Será que o outro vai achar mesmo bom ou vai achar bom…ba?

Pelo avesso

E se eu pensar ao contrário? O que NÃO gosto em um livro? Frases feitas, chavões, parágrafos que enrolam, enrolam… Um certo pedantismo. Livros que não se assumem – ora pois, há espaço para água com açúcar, sim senhor! Por que inventar de dizer que é alta filosofia? Eu li muita Biblioteca das Moças, chorei lagrimas verdadeiras pelas heroínas que se perdiam nos braços de amores impossíveis. Nada disto afetou (bom, pelo menos eu acho!) meu futuro de leitora – Machado de Assis, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Padre Antonio Vieira, li com prazer as obras “obrigatórias” da escola, junto com outras, furtivas –Lolita, Suave é a Noite. Junto, muito gibi, é claro! Gêneros de todo tipo, se for citar, não acaba mais, pois gosto de infantil, de ficção cientifica, de biografias, contos, história. Leitura cientifica também. Filosofia. Psicologia. Educação. Gosto da polêmica e da textura das palavras e do papel. Alguns me atraem pelo título ou pela capa. Tudo tem seu tempo, tudo tem sua hora. Até aceito, com ternura, os livros que jamais lerei, mas que outros folheiam com prazer. E espero que alguém, um dia, abra as páginas que eu mesmo escrevo e diga, com espanto -Mas quem é esta onde me reconheço?

E seria um personagem ou realidade, mas seria.

*Este é o verso de uma poesia de Cecilia Meireles, que termina, se não me engano, assim: Tanto que fazer, e nunca fizemos nada, nem sabemos o porquê.