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Chegou a minha vez de indicar os livros!!! E como adoro livros de terror, de vampiros, fantasmas e coisas do gênero… vamos ao terror!! Quem tem medo de escuro?? Quem tem coração fraco?? Quem tem medo de sentir medo?? Preparem-se!! rs (ouçam aquela risada maquiavélica de fundo…)
Na verdade os livros escolhidos mesclam terror e fantástico. Os dois primeiros são de terror e os dois últimos falam de espíritos, anjos e demônios.
E o Oscar vai para… ops, tô me metidando demais!! Os meus indicados são:
Jack Torrance é um escritor que está tentando se curar do alcoolismo que o fez quebrar o braço de seu filho Danny quando este tinha apenas três anos de idade, e agredir um aluno na escola New England, custando o seu emprego de professor. Ele aceita o trabalho de zelador de inverno no isolado e imenso resort hotel Overlook, cujo passado é fantasmagórico.
O hotel carrega forças sobrenaturais malignas do passado. Danny, que tem premonições do perigo do hotel para a sua família, começa a ver fantasmas e visões assustadoras do passado do hotel. Tendo dificuldades em possuir Danny, o hotel começa a possuir Jack.
Esse é o melhor livro do autor, na minha opinião!!!!
obs: resenha editada a partir da wikipédia (lá eles contam o final do livro!!)
A Estrada da Noite, Joe Hill (filho do Stephen King)
Uma lenda do rock pesado, o cinqüentão Judas Coyne coleciona objetos macabros: um livro de receitas para canibais, uma confissão de uma bruxa de 300 anos atrás, um laço usado num enforcamento, uma fita com cenas reais de assassinato. Por isso, quando fica sabendo de um estranho leilão na internet, ele não pensa duas vezes antes de fazer uma oferta.
“Vou ´vender´ o fantasma do meu padrasto pelo lance mais alto…”
Por 1.000 dólares, o roqueiro se torna o feliz proprietário do paletó de um morto, supostamente assombrado pelo espírito do antigo dono. Sempre às voltas com seus próprios fantasmas - o pai violento, as mulheres que usou e descartou, os colegas de banda que traiu -, Jude não tem medo de encarar mais um.
Mas tudo muda quando o paletó finalmente é entregue na sua casa, numa caixa preta em forma de coração. Desta vez, não se trata de uma curiosidade inofensiva nem de um fantasma imaginário. Sua presença é real e ameaçadora.
O espírito parece estar em todos os lugares, à espreita, balançando na mão cadavérica uma lâmina reluzente - verdadeira sentença de morte. O roqueiro logo descobre que o fantasma não entrou na sua vida por acaso e só sairá dela depois de se vingar. O morto é Craddock McDermott, o padrasto de uma fã que cometeu suicídio depois de ser abandonada por Jude.
Numa corrida desesperada para salvar sua vida, Jude faz as malas e cai na estrada com sua jovem namorada gótica. Durante a perseguição implacável do fantasma, o astro do rock é obrigado a enfrentar seu passado em busca de uma saída para o futuro. As verdadeiras motivações de vivos e mortos vão se revelando pouco a pouco em A estrada da noite - e nada é exatamente o que parece.
Ancorando o sobrenatural na realidade psicológica de personagens complexos e verossímeis, Joe Hill consegue um feito raro: em seu romance de estréia, já é considerado um novo mestre do suspense e do terror.
Seu herói é um judeu chamado Azriel, o fantasma, servo dos ossos. Azriel é um viajante imortal, poderoso, inteligente e tão sedutor que conquistou o coração da própria escritora.
Azriel se rebela ao ser transformado em imortal por feiticeiros com objetivos maléficos. Ele vaga pelos séculos sem nunca estar nefesh — ou seja, com o corpo e a alma juntos. Azriel nos revela sua impressionante história desde a juventude na Babilônia, passando pela Europa da Idade Média até chegar a Manhattan dos anos 90, onde volta a encontrar seu destino.
O personagem irá confrontar-se com um ambicioso e carismático multibilionário, o televangelista e terrorista Gregory Belkin — uma versão atualizada dos seus demoníacos inimigos. Ele terá que usar todos os seus poderes para conter uma conspiração que coloca o mundo em risco.
O Senhor da Chuva, André Vianco (não podia faltar um autor nacional né?!!?)
Neste romance fantástico, um anjo transforma-se em humano para evitar sua destruição, rompendo um código de honra e iniciando uma batalha entre anjos e demônios. A pacata cidade de Belo Verde torna-se o palco desta guerra que pode mudar o destino da Terra.
Bom, é isso, espero que gostem!! A votação está aberta!!
Mas lembrem-se: o Chalaça ainda continua por mais 2 semanas!!
Mil beijos, Dani
Meu pai, para quem não sabe, alem de escritor, é também advogado. Cuida de questões de direitos autorais, direitos de imagem e outros que tais. Pois não é que chego aqui, comento do Clube do Livro, do Chalaça, ele arregala um olho deste tamanho e dispara à queima-roupa: -Mas você sabe quem foi o Chalaça? E eu: -Claro, né! Sim, porque antes de ler o livro, fiz minha lição de casa: fui lá, pesquisei sobre o personagem, pesquisei sobre o autor, entrei no blog do dito cujo etc. e tal. Pois bem, foi minha vez de perguntar: - Por que?
Ora, continuou, meu pai, pois amanhã mesmo vou te trazer um documento que vai fazer toda a diferença, da Suécia.
Uau! Da Suécia! Resumo da ópera: parece que o Museu do Vasa, um museu histórico localizado em Estocolmo, ao preparar as exposições para 2009-2010 (sim, lá as coisas funcionam com mais antecipação do que em Terras Brasilis) localizou uma carta de Dona Amélia Augusta Eugênia de Leuchtenberg, para sua irmã Josefina Maximiliane Eugénie Napoléonne de Beauharnais (que se casou com o Rei Oscar, da Suécia). Meu pai me trouxe ontem o material, que segue abaixo. Os descendentes estão simplesmente F-U-R-I-O-S-O-S por que a imagem de Dona Amélia foi manchada pelo livro de Torero. Se a carta é falsa ou verdadeira, se atradução está correta, isto não sei (Dona Amélia falava português, mas não com a irmã). Aí vai.
“Querida irmã;
Estou aqui nas Ilhas Madeiras, com muitas saudades não da corte, mas dos entes queridos. Ainda sinto falta de Pedro, mas Graças a Deus tivemos nossa carinhosa filha. Sua sobrinha, Maria Amélia de Bragança, está aqui ao meu lado e lhe manda lembranças.
Espero que os ares da ilha promovam sua pronta recuperação e ela não venha a falecer como meu estimado senhor.
De resto, tenho me dedicado a preservar a memória de Pedro, com obras de caridade e uma vida muito regrada.
Sei que não foi fácil aceitar a vida que ele levava, principalmente estimulado por aquele secretário que até hoje tenho atravessado nas horas e dias. Não posso nem pensar nisto! Este Senhor Francisco Gomes da Silva, que tem por alcunha Chalaça, aproveitou-se de Pedro. Um bastardo que fez fama e fortuna às custas do Imperador, um falso amigo.
E agora, continua querendo tirar partido, o indigno! Pois que se diz chegado a mim, insinua até que somos íntimos, ora pois! Não sei o que faço, como seu eu ousaria em tão curto espaço de tempo trair a memória do meu amado. Em seu leito de morte prometi dedicar-me a tornar nosso Reino mais justo, que sempre foi seu sonho, e cuidar de nossa filhinha.
Irmã, espero ansiosa tua resposta, pois não sei como proceder para calar a boca deste calhorda – desculpe-me as palavras fortes, mas é pouco para descrevê-lo! Conte-me de ti também e destas terras geladas onde agora habitas.
De sua sempre irmã,
Amélia A. E. de Leuchtenberg”
Gentem!!! E agora? Vocês acham que o Chalaça teve mesmo um caso com a Imperatriz, superando barreiras sociais e econômicas? Porque, lembrem-se: ele era um bastardo, ela, de casa real francesa. Diferenças socias, creio eu, que até hoje permanecem. Alguém ai teve “causos” inter-sociais? Ethel Scliar
Ola pessoal !
Hoje venho aqui apenas para informar a todos voces que nessas ultimas semanas houveram algumas mudancas aqui no Clube do Livro.
As mudancas se deram porque, infelizmente, a Cica e a Lu, estao passando por uma fase dificil e bastante atarefada da vida e por essa razao tiveram que deixar a leitura um pouco de lado. Nao se preocupem mocada pois ambas estao bem e felizes… apenas, devido as multiplas jornadas, esta faltando tempo para a leitura e para acompanhar o ritmo aqui do Clube. Ambas prometeram nos visitar sempre que puder e deixar seus pitacos, que sempre foram tao bacanas !
Desejo, em nome de todos os outros membros muitas felicidade para a Lu e a Cica e deixo claro aqui que as portas desse clube estao apertas para ambas ! Como autoras e tambem como palpiteiras !
Com as saida das meninas, duas vagas de autores ficaram sobrando.
Discutimos nos bastidores e achamos interessante equilibrar melhor os sexos aqui no clubinho. Para acabar com a graca do Lino e Alvaro, benditos frutos entre as mulheres, chega Marcelo, do blog Impostura. Marcelo eh escritor e ja havia se oferecido para entrar no Clube faz um bom tempo. Com uma vaga disponivel, ele entra como autor.
Com tres homens e tres mulheres a setima vaga seria para a pessoa que mais comentou nesse blog desde o inicio. E de forma muito justa, oferecemos a vaga para a Mercia, ja nossa velha conhecida do Blog Destino: 63N 10E, nossa comentarista mais ativa, engenheira que esta fazendo pos-doutorado na Noruega, que aceitou completando novamente o ciclo de sete autores !
Com isso somos 7 novamente ! Um para cada dia da semana. Os novos autores comecarao com suas publicacoes apenas a partir do proximo livro que sera sugerido no sabado pela Dani e definido por votacao entre os 7 autores.
Com esse post dou as boas vindas ao Marcelo e a Mercia ! Nossos novos companheiros de leitura e discussoes ! Tenho certeza que essa nova dupla vai nos dar o que pensar !
Um grande beijo a todos e continuem por aqui !
Lys
Lembra aquela imagem famosa do malandro carioca, apreciador da boa vida, do dinheiro fácil e da fartura de mulheres??? Pois é, eu que sempre achei que esse malandro era criação nossa, brasileira, que era a caricatura do carioca eXperto (nada contra os cariocas, por favor!!!) me surpreendi com o livro!!!
O malandro é portugês!!! Ou melhor, é o Chalaça!!! Ele adora uma vida fácil, vive às custas dos outros, detesta trabalhar, adora a noite, os bares, os jogos, as bebidas e as mulheres!!! Só falta o paletó branco e o chapéu de palha!! Pelo menos é como o autor pinta o retratado no livro que é o diário perdido do Chalaça!!
Daí que fui eu procurar fatos históricos pra saber se o cara realmente era malandro ou se é tudo licença poético do Torero. Achei esse artigo na wikipedia que confirmou, em parte, minhas conclusões.
Diz o artigo sobre ele: “era o alcoviteiro, o oportunista, o intermediário de negócios escusos, o financista, o conselheiro do imperador, a alma danada que contribuiu para a preservação no poder do Partido Português e para a neutralização de homens públicos”
Além de tudo o homem tinha uma sorte que eu nunca vi!!! Filho bastardo teve um pai “decente” que o educou, depois preso por tropas francesas conseguiu fugir, perdeu e ganhou novamente a amizade de D. Pedro e acabou rico!!
E então, é ou não é o pai de todos os malandros cariocas e brasileiros?!!?
Ah, segundo o artigo suas últimas palavras foram:
“Padre José, eu amei demais as mulheres e o dinheiro…”
Mil beijos, Dani
E falando em bola, foi com uma imensa alegria que descobri que alem de meu conterraneo, o Jose Roberto Torero, autor do livro atual do Clube do Livro, tambem eh Peixe (torcedor do Santos Futebol Clube) ! Para quem gosta de futebol, o nosso autor tem uma coluna na pagina de esportes do Folha de Sao Paulo.
Pois eh, ainda nao li o livro Chalaca…. mas sei que voces ja perceberam que eu tardo mais nao falho
Estava terminando de ler os 3 contos extras que vieram na edicao britanica do livro da Doris Lessing que foi o tema anterior. Para quem ficou somente com As Avos no entanto, digo que os outros tres sao bacaninhas mas agora entendo o motivo pelo qual apenas o primeiro foi publicado em outras linguas. De fato, e sem sombra de duvidas, esse primeiro conto eh o melhor dos quatro. Nao que os outros sejam ruins. Todos tratam de relacionamentos complexos, mas As Avos eh muito mais envolvente e interessante que os outros tres.
Mas voltando aos nossos colonizadores portugueses… comprei o livro “O Chalaca” durante minha estadia no Brasil atraves do Estante Virtual indicado pela Dani algum tempo atras. Fiquei super contente com o preco, procedimento e entrega. Assim como a Dani, quando eu voltar ao Brasil virarei cliente
O unico inconveniente que encontrei foi o fato de nao poder pagar em cartao de credito. Ter que fazer deposito no banco eh meio chato sem duvida. Sou adepta aos debitos automaticos meu povo !
Como ainda nao li o livro, nao tenho muito o que falar sobre ele… mas lendo os posts dos outros autores aqui do clube ja poderia ate mesmo dar meus pitacos por aqui. Mas ainda temos algumas semaninhas com o tema e terei tempo de sobra para dar meus pitacos por aqui.
Apenas prevendo o futuro, segundo o post do Lino “Investindo no Lado Folclorico“, acho que vou chegar a mesma conclusao que ele chegou. Meu voto foi para o livro 1808 justamente porque prefiro muito mais a parte historica do que a pitoresca. Mas como o objetivo desse clube eh a diversificacao, espero me surpreender e quem sabe nao me descubro no pitoresco nao eh mesmo ? Vamos ver se a previsao se confirma ? Como o Lino comentou muito bem, eh importante se abrir a coisas diferentes e saiamos das coisas que sempre lemos.
Bom, agora vou colocar a leitura em dia pois com a viagem ao Brasil fiquei meio afastada. E voce ? Quer colocar em dia e ler os posts que ja foram publicados pelos outros autores sobre o livro “O Chalaca” ? Entao venha comigo:
Participe e deixe seu comentario aqui no clube !
beijos a todos e ate semana que vem… e o proximo sera sobre O Chalaca !
Lys
O papel histórico (?) do Chalaça ocupou o que disse, no início e em seguida, aqui neste Clube. E continuou ocupando o proscênio com a Scliar, que ressaltou a diferença entre verdade, verdade histórica e ficção. As duas primeiras, na verdade, são uma ficção bem fundamentada, nada mais do que isso.
Se a história serve como referência para confirmar a existência do Chalaça e sua importância na troupe que seguia D. Pedro, o primeiro aqui, mas o quarto lá, ela é apenas o referencial no livro do Torero. Ao optar pela ficção, ele fez a escolha da liberdade, de poder florear o personagem, dar-lhe falas que não teve e até comportamentos que não assumiu.
Ao tomar este caminho, José Roberto Torero tornou um personagem que, inicialmente, poderia ser visto como um simples alcoviteiro, em algo digno de registro histórico, participante de decisões da Corte, aqui no Brasil e em Portugal. Na realidade, Francisco, o Chalaça, foi tudo isso? Não importa. O que prevalece, no final, é a verdade do livro, do personagem que foi para ele criado.
Se teve ou não dimensão histórica - e teve - isso, no caso do livro, não é importante. O que importa, no final, é que Torero criou um personagem consistente, colocando-o em um mundo que o levou de um humilde servidor ao lado do Imperador do Brasil e do rei de Portugal. E fez isso preenchendo os hiatos históricos, contando as peripécias de um personagem.
No final, o que temos é uma leitura agradável, divertida até. O personagem histórico - que na verdade devia ser um chato - se perde nesta narração. Mas o livro ganha em vida.
Um dos aspectos intrigantes quando nos debruçamos sobre livros históricos, que utilizam ou não da estratégia ficcional, é conseguir separar o que é “fato” daquilo que é “imaginário”. Isto tem sido bastante discutido aqui. Mas o que tal debate revela? Que acreditamos existir uma verdade absoluta – uma verdade verdadeira (dá para falar assim?) e uma verdade falsa, como uma semi-jóia… Vale ou não vale? A discussão extrapola o campo histórico, chega na ciência, para não falar no área forense e nas informações que inundam a Internet e a imprensa. Tem até um livro muito bacana, chamado “E se…”, em que especialistas de diferentes áreas fazem um exercício de criatividade sobre o que aconteceria se o final de alguns acontecimentos fosse diferente. Por exemplo: se Hitler ganhasse a 2a. Guerra, ou se Napoleão não tivesse perdido a batalha de Waterloo. O interessante é que a reconstrução não é feita ao acaso, mas sim em base de probabilidades – ou seja, com derivações de fatos possíveis.
O distanciamento
Sempre que me deparo com notícias extravagantes, me pergunto: mas a quem isto interessa? Embora os jornalistas insistam em dizer que buscam ser isentos e outras pessoas clamem que a fotografia é uma prova de fato, bem sabemos que é uma história da carochinha. Não precisa nem pensar na manipulação feita pelo Photoshop, retocando imagens -processo, aliás, que já existia bem antes da era dos computadores: “apagavam-se” pessoas – literalmente e também sumindo com elas dos documentos…. O próprio enquadramento escolhido já traz uma intenção do fotógrafo. No mar de informações, selecionar esta ou aquela notícia é um ato ideológico, porque os critérios são sempre construídos, não são naturais.
Até tu, ciência!
Alguns querem se refugiar na Ciência, como se ela fosse sobre-humana. Basta lembrar que, para comprovar suas teorias, muitos cientistas alteram números, experiências e “retocam” achados. Falsos vestígios arqueológicos foram remontados e, para ficar em notícias bem recentes, o escândalo das pesquisas do sul-coreano Woo-Suk Hwang com as células-troncos. No caso de condenações, a reabertura de muitos casos, com o uso de exames de DNA, comprovou que vários condenados eram inocentes – mesmo que as testemunhas jurassem que tinham VISTO tudo. Tem também as “memórias reconstruídas” – a pessoa tanto ouve, tanto vê alguma foto, que acaba jurando de pés juntinhos que aquilo aconteceu com ela. Pois é. O tal ver para crer não vale nada. E lá vamos nós, acreditando piamente em tudo…
As muitas versões
José Roberto Torero apropria-se desta vertente, para explorar a história escondida. Antes dele, porém, o próprio personagem – o Chalaça – já se reinventava. Um personagem e tanto – de condenado a morte, a homem rico e de sucesso. Ele deveria ser padre, estudava em um seminário em Santarém (Portugal). Brigou com o Reitor, brigou com os professores (ai, ai, ai, estes jovens geniais e seus hormônios!) e, com 16 anos, resolveu engajar-se na comitiva de D. João, que vinha fugindo para o Brasil. Mas… antes de chegar em Lisboa, foi preso pelos franceses e condenado como espião. Uma fuga espetacular, o embarque para o Brasil, a amizade com D. Pedro. O livro de Torero.
Esperteza e inteligência
De bobo, o Chalaça não tinha nada. Francisco Gomes da Silva, seu nome verdadeiro, era culto, falava várias línguas, graças ao estudo no seminário. Conseguia dar a volta por cima – pois chegou a ser expulso da Corte, por D. João, o pai de Pedrinho (afinal, vamos ser íntimos – a regência já acabou e, quem sabe, não temos todos um pouco de sangue azul?). O Chalaça adorava plantar falsas notícias, espalhar boatos e intrigas. Pagava os jornais para publicarem sobre seus desafetos. Já dá para perceber que pesquisar em jornais tem disto… Voltou, retomou a amizade com D. Pedro, maquinou, “enricou” e virou escritor, quando novamente seguiu para a Europa. Suas últimas palavras? “Amei demais as mulheres e o dinheiro…” E virou personagem principal do livro de Torero, que eu, ainda no Canadá, começo a ler na semana que vem, no meu retorno ao Brasil! Será? Verdade? Mentira? Eu juro que sim. O que você acha?
Um dos aspectos que me chamou a atenção em O Chalaça, que este Clube está lendo, foi o tratamento dispensado às mulheres. Em alguns momentos, elas são tratadas como se fossem deusas e olhadas como tal. Mas mesmo nestes momentos são vistas, de certa forma, como objetos.
Veja-se o caso do próprio Chalaça. Seus envolvimentos foram, tirando o último, todos somente sexuais. As mulheres, neste caso, não representavam nada além de um bom sexo - o que, sendo aceitável para os dois lados, não pode ser condenado. Não há um relacionamento diferenciado. Será que era uma característica da época?
Outro aspecto interessante sobre os relacionamentos é, pelo menos do ponto de vista do livro, a facilidade para o relacionamento sexual. E não estou falando dos prostíbulos, não. Estes sempre existiram - e continuam existindo, de forma diferente. O livro faz parecer que o intercurso sexual era natural, em se tratando de relacionamento homem e mulher.
Na verdade, se olharmos o lado histórico, há, efetivamente, a prevalência do machismo, já que as mulheres eram, mesmo na nobreza, voltadas para dentro de casa, submissas a seus senhores e maridos. Mas pelo que sei, não havia a permissividade sexual retratada nas “memórias” do conselheiro.
Pode ser que a nobreza tenha tido maior liberdade sexual, mas ela não chega, pelo que se vê na história, nem perto do que O Chalaça retrata. E isso, no meu entender, mostra que, antes de fazer história ou usá-la para desenvolver o romance, José Roberto Torero inestiu tudo na ficção.
E ao fazê-lo, centrando-se no picaresco, acabou sobrevalorizando comportamentos que são ahistóricos.
O que vem a ser chalaça?
Antônio Houaiss define o termo como sendo “dito ou feito espirituoso, zombeteiro; escárnio, gracejo, motejo, dito ou gracejo de mau gosto; chocarrice. Elegância no andar da cavalgadura, entre os ciganos”. Pois muitos autores consideram que Francisco Gomes da Silva, conhecido como “O Chalaça”, foi o personagem mais influente do Primeiro Reinado, ainda que o Brasil contasse na época com algumas figuras consideradas exponenciais na corte, como José Bonifácio de Andrada e Silva e o Marquês de Barbacena.
José Roberto Torero escreveu a vida desse personagem da história do Brasil com irreverência e humor. Mas como fazer de uma comédia bufa senão isso? O livro – rigor histórico discutível pelo próprio estilo imposto à narrativa – é delicioso de ler. E mostra um pouco da construção da, digamos, “alma nacional”. Numa época em que o país ainda não existia – tratava-se de um Reino Unido – e a dita cultura brasileira, difusa, ia se formando à medida em que crescia a economia da ex-colônia com as iniciativas tomadas por Dom João VI (foto) e sua corte européia visando sempre, claro, seu conforto e riqueza.
Essa história nos remete a uma constatação necessária. Inevitável. O Brasil nasceu, cresceu, passou por fases distintas e crises inimagináveis, sempre à sombra de poderes diversos que se construíram/constituíram sobre instituições civis extremamente frágeis. Raramente a população foi ouvida quando decisões de Estado foram tomadas. A história da vinda da corte para o Brasil é o início disso. O Chalaça, como personagem, já morreu. Mas os chalaças sempre proliferaram no país e podem ser encontrados em praticamente todos os eventos marcantes da vida nacional. Inclusive os que são vividos hoje, quando finalmente parece que se está construindo instituições civis mais fortes. Perenes, quem sabe.
O Chalaça viveu à sombra, às custas e graças à paixão que Dom Pedro I tinha pelas mulheres. Soube se aproveitar disso, habitou a corte que se estruturava com os anos passados no Brasil e, no curto espaço do Primeiro Reinado, de apenas nove anos, tornou-se uma figura extremamente poderosa. E também odiada porque sua influência sobre o filho do rei rendia-lhe inimizades.
Há fatos na vida do Chalaça que nos remetem inevitavelmente aos dias de hoje. Em 1816, recebeu o rendoso emprego de Juiz da Balança da Casa da Moeda. Fantástico! Sensacional! Brilhante! O pilantra trabalhava conferindo o peso do ouro. É como a raposa tomando conta das galinhas…
Para que se faça idéia das benesses com que foi agraciado o incrível personagem que caiu nas graças de D. Pedro I, basta ler um resumo que dele traçou Alberto Rangel, historiador de “D. Pedro e da Marquesa de Santos”:
“A 19 de novembro de 1822, foi-lhe mandado entregar ouro para fatura da Coroa e do Cetro. Em dezembro de 1823, encontra-se oficial da Secretaria dos Negócios do Império: depois, a 4 de abril de 1825, oficial maior graduado da mesma Secretaria, com exercício no Gabinete Imperial; e a 16 de abril de 1827, um decreto mandava que ele, a seu pedido, recebesse emolumentos em “todas as Secretarias de Estado”, como se fosse Oficial efetivo delas! Intendente Geral das Cavalariças, Secretário do Gabinete Imperial, Conselheiro de Estado, Comandante da Imperial Guarda de Honra, Concessionário da Exploração do Ouro, oficial da Ordem do Cruzeiro, comendador honorário da Torre e Espada, comendador da Ordem de Cristo e de S. Leopoldo, ministro plenipotenciário, procurador e “factótum” de D. Amélia viúva, tudo isso Gomes o foi”.
Estranha e incrível figura, essa. Mas poderosa. Tanto que, ao não ter outra escolha a não ser a de mandar embora o Chalaça, Dom Pedro não permitiu que ele deixasse o Brasil enxovalhado, como um simples português desterrado. Nomeou-o Embaixador em Nápoles. O contador de piadas, o arranjador de namoradas, o gaiato, o biltre da corte portuguesa, terminava a carreira como diplomata brasileiro. Não é assim que acontece até hoje?
Sou uma leitora contumaz. Leio tudo mesmo. Até obituário de jornal (vai que morri e esqueceram de me avisar!). Leio bula de remédio, rótulo de embalagem de caixa de fósforo, etiqueta de toalha no banheiro. Vejo graça nas Páginas Amarelas, produto em extinção graças ao Mr. Google, que tudo sabe e tudo responde. Pois vou lá digitar. Espere um pouco aí.
(… 10 minutos depois)
150 links para “ler pelo prazer de ler”. Os primeiros trazem de volta aqui para o Clube do Livro, então fica uma coisa de labirinto, que anda em círculos e não chega a lugar nenhum.
Mas outros trazem algumas informações preciosas. No Horas Serenas, com humor, 10 bons motivos para ler, um texto destinado aos jovens (bem, somos todos, pois não?). Destaco três:
1. Ler deixa os pais confusos;
2.Você não é obrigado a tomar banho depois de ler (ao contrario da Educação Física) e…
3. Os livros não ficam presos no aparelho dos dentes!
A pesquisa poderia continuar, enfronhando-se pela busca da definição do que é um bom livro… Existiria consenso?
Motivos e anti-motivos
Livros que nos surpreendem, livros que contem algo de novo, que nos acrescentam, emocionam… Não sei bem ao certo. A surpresa, descartei. Afinal, se fosse assim, jamais iria reler algumas obras. Mas existem algumas que criam raízes, leio e releio e gosto cada vez mais. Outras, na memória eram espetaculares: na segunda leitura não resistiram ao tempo. Fico sempre em dúvida, ao indicar um livro… Será que o outro vai achar mesmo bom ou vai achar bom…ba?
Pelo avesso
E se eu pensar ao contrário? O que NÃO gosto em um livro? Frases feitas, chavões, parágrafos que enrolam, enrolam… Um certo pedantismo. Livros que não se assumem – ora pois, há espaço para água com açúcar, sim senhor! Por que inventar de dizer que é alta filosofia? Eu li muita Biblioteca das Moças, chorei lagrimas verdadeiras pelas heroínas que se perdiam nos braços de amores impossíveis. Nada disto afetou (bom, pelo menos eu acho!) meu futuro de leitora – Machado de Assis, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Padre Antonio Vieira, li com prazer as obras “obrigatórias” da escola, junto com outras, furtivas –Lolita, Suave é a Noite. Junto, muito gibi, é claro! Gêneros de todo tipo, se for citar, não acaba mais, pois gosto de infantil, de ficção cientifica, de biografias, contos, história. Leitura cientifica também. Filosofia. Psicologia. Educação. Gosto da polêmica e da textura das palavras e do papel. Alguns me atraem pelo título ou pela capa. Tudo tem seu tempo, tudo tem sua hora. Até aceito, com ternura, os livros que jamais lerei, mas que outros folheiam com prazer. E espero que alguém, um dia, abra as páginas que eu mesmo escrevo e diga, com espanto -Mas quem é esta onde me reconheço?
E seria um personagem ou realidade, mas seria.
*Este é o verso de uma poesia de Cecilia Meireles, que termina, se não me engano, assim: Tanto que fazer, e nunca fizemos nada, nem sabemos o porquê.
Voltando ao tema proposto pela Lu… o que é um livro bem escrito pra você?!?!
Concordo que ler um livro bem escrito é um prazer indescritível!! Se ambientar na história, se sentir amiga(o) dos personagens, ter aquela sensação de curiosidade e de tristeza com o final do livro… tudo isso é bom demais!!! Mas volto a pergunta: o que é um livro bom pra você?!?! Será que um livro que eu adoro vai ser bom pra Lys ou pro Lino, pra Lu, pra Ciça, pro Álvaro, pra Scliar?!?! (por isso também o Clube é tão bom!!)
Confesso que tenho um certo preconceito com os livros “intelectuais”, ganhadores de prêmio Nobel e afins. Sou leitora assumida de romances, adoro aqueles água com açúcar!! Meu paidrasto fica me zoando que minha leitura melhorou muito depois de entrar aqui no Clube!!! Mas a verdade é que eu gosto de ler um livro fácil, relaxante!! Tudo bem, admito, ADOREI As avós!!! E olha que eu tava meio receosa de detestar!! Assim como, desde o começo, temo a vez da Lys escolher a Simone!!! rs
Enfim, o que quero dizer é: um livro bem escrito também depende de quem está lendo. Neve, por exemplo, que foi uma das opções da Lu, eu comecei a ler e desisti porque detestei!! Mas penso que com livro é assim, não importa se ele é Nobel ou não, alguns vão nos conquistar e outros nem tanto!!!
E você. o que considera um livro bem escrito?!!?
Mil beijos, Dani
Ele existiu. Foi influente. Esteve ao lado de D. Pedro, o primeiro no Brasil e o quarto, em Portugal. Mas o que sabemos dele? Pelo que a história nos diz, muito pouco. E neste aspecto o livro de José Roberto Torero não acrescenta informações. Afinal, preferiu trabalhar com o lado folclórico, não só do conselheiro Gomes, o Chalaça, mas do próprio Pedro.
Torero, na verdade, fez um ótimo livro, muito bom de ler e que, no final, nos diverte com a história de um pretenso diário escrito pelo Chalaça. Pelo divertimento, vale a pena ler. Para buscar informações - principalmente novas - não. Esta, por certo, não foi o que buscava o autor. Ao contar uma “história”, se quis divertir, conseguiu seu intento.
Não vou discutir detalhes do livro, pois creio que ele não foi integralmente lido por todos. Mas o que posso dizer é que, ao final da leitura, fiquei meio frustrado. Esperava mais, bem mais. Sabia que era ficção, não um livro de história, mas achava que fosse diferente do que, na verdade, é.
O personagem, no meu entender, tem todos os atributos para se construir, em torno dele e do mito criado de sua influência, um texto mais informativo, que retrate os vários momentos em que ele viveu, mostrando uma idéia geral da política, da economia, do próprio D. Pedro. Mas aí, talvez, eu esteja pedindo um livro de história, não um romance.
Pode ser que a graça dele - do livro e do Chalaça - seja exatamente o fato de apelar para o pitoresco, para o folclore, para as pequenas intrigas da corte e, principalmente, pela devassidão de um imperador que não podia ver um rabo de saia. Um estímulo, na certa, para que seus fiéis escudeiros fizessem o mesmo.
Valeu a leitura? Sim. Não só por tratar de algo diferente, mas por permitir um dos objetivos deste clube, que é exatamente a diversificação, fazendo com que saiamos daquilo que estamos sempre lendo.
Hoje eh dia de encerrar a Trilogia dos Excludentes e Excluidos que conta com os posts: Amizade (que ja foi publicado aqui), Cumplicidade (que tambem ja foi publicado aqui) e Incesto. Hoje vou publicar a terceira e ultima parte.
Incesto:
O diferencial nesse conto, no meu ponto de vista eh o incesto como Lino citou bem em seu post. E depois a Scliar reforcou em um dos posts dela. A amizade era forte porem normal segundo o que eh entendido como normal pela sociedade, a separacao dos casais compreensivel, o amor das mulheres pela sua cidade compreensivel, o relacionamento de uma mulher mais velha com um rapaz jovem tambem eh compreensivel. O que nao eh compreensivel, nem mesmo pelas protagonistas, eh o fato de esses rapazes serem praticamente seus filhos.
Na wikipedia achei uma definicao bastante interessante de incesto e nesse caso do livro a relacao pode sim ser definida como incestuosa de fato, como um incesto nao parental. Visto que na palavra parente pode ser incluido ligacoes maternais nao sanguineas. Com isso, fazer sexo com o filho adolescente de sua melhor amiga, que foi criado desde bebe sob seus cuidados como se fosse uma segunda mae, tambem eh definido como incesto.
Na maior parte dos paises o incesto eh legalmente proibido, mesmo que haja consentimento de ambas as partes. Ou seja, no livro, ou mesmo que eles estivessem vivendo essa experiencia na vida real, os quatro tinham motivos de sobra para manter esse segredo longe do alcance dos outros. E nesse caso “os outros” nao significa apenas nao pertencer ao grupo de amizade e sim nao pertencerem ao grupo dos “pervertidos”.
Na natureza, entre os animais e ate mesmo em nossos antepassados colonizadores, o incesto era legal e aceito com uma certa naturalidade. Um filho proveniente de uma relacao consanguinea pode reproduzir e intensificar problemas geneticos pre-existentes. Relacoes sexuais e amorozas entre pessoas ligadas em paretesco, nao necessariamente sanguineo, eh condenada pela igreja e sociedade aonde nos e as avos vivemos.
A questao eh: “Os quatro” sao de fato culpados por terem deixado esse amor acontecer ? De fato nao precisamos tomar uma posicao pois a sociedade ja o faz em maioria e as avos sabiam muito bem disso e por essa razao escondiam. Independente do que achamos ou deixamos de achar, ocorreu um incesto e essa relacao nao poderia deixar de ser excludente, como disse a Dani. No entanto, pensando por esse lado nao seria mais uma vez “os quatro” os excluidos ao inves dos excludentes ?
O fato eh que “as avos” estavam definitivamente fora do que poderia ser aceito pela sociedade que as rodeava e aos nao aceitos so resta a exclusao. De qualquer forma, eh como o Alvaro disse: So poderia acabar em merda…



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