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by Bianca ScliarEstranheza. Perplexidade. Um impulso de  subverter o curso da história, refazendo a própria história. A relação amorosa das duas amigas (avós, o que reforça a diferença de idade) e seus respectivos filhos, é encoberta pelos planos para que uma vida rotineiramente tradicional se estabeleça. Como a diferença de idade é um dos plots do conto, vamos pular da ficção para a realidade.

50 ANOS DE DIFERENÇA

Tive dois namorados (não simultaneamente! Minha “modernidade” não chega a tanto…). Entre os dois, uma diferença de 50 anos. Ou seja: tive um namorado 25 anos mais novo que eu e um outro 25 anos mais velho. Geralmente, a pergunta que eu mais ouvia, em especial dos homens, quando contava isto, era: -E qual era o melhor? Entenda-se, aqui, “melhor” como desempenho sexual! Que parece ser uma grande preocupação masculina (me corrijam os homens, se eu estiver errada).
O problema, para mim, é definir este melhor. Lembro o que disse uma das minhas filhas, quando ela tinha 18 anos, sobre seu recente namorado. Ela, toda orgulhosa e muito segura de si: -Ah, está maravilhoso! Nós temos uma relação fantástica na cama, perfeita.
Caramba! Ou minha filha tem o dom da sabedoria precoce, ou eu era uma completa idiota aos 18 anos (agora, menos completa).
Voltando aos comentários. Em relação ao namorado que era mais velho, o comentário do filho dele: -Ela só pode estar interessada no seu dinheiro.
Em relação ao mais novo, comentário da família e dos amigos: -Ah, ele só pode estar interessado em seu dinheiro!
Parece que existe um tabu nas relações afetivas que transgridem as barreiras geracionais e que, portanto, só podem se estabelecer segundo os critérios de valoração na sociedade atual: sexo e dinheiro. Preconceitos que achamos superados Estarão mesmo? No caso do meu namorado mais novo, existia um outro componente, pois ele possuía um cabelo super longo e eu, na época, usava cabelo Joãozinho, bem rente. De costas, segundo os critérios vigentes, eu parecia o menino e ele a menina… Mas aí já entra a questão de gênero -também presente no conto-, que fica para o próximo post.