Uma coisa que achei linda no livro foi a amizade das avós. O jeito delas de saber o que a outra pensava ou sentia, a forma de se comunicar, mesmo em silêncio. Como disse no outro post me apaixonei por elas e só depois de baixar o livro e parar pra pensar sobre ele comecei a ver coisas que me incomodaram…
Uma delas foi a separação da Roz porque o marido se sentia excluído. Eu já presenciei uma amizade assim, que não precisa de mais ninguém e onde duas amigas se bastam… pode até ser algo lindo e gostoso de vivenciar mas é cruel com aqueles que amam as amigas e são mantidos sempre do lado de fora!! A amizade que não tem espaço pra liberdade é como aquele amor bandido que isola e separa os amantes de todas as outras pessoas amadas.
O ser humano precisa de amor mas o amor verdadeiro não isola, não poda nem impede mais amor. O amor verdadeiro atrai ainda mais amor e cria cada vez mais vínculos e mais laços!! Então fico pensando… será que a Roz e a Lil se amavam mesmo ou era só uma sensação de posse que impedia que elas amassem outras pessoas?!?! O que vocês acham??
Beijos, Dani

4 comments
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Abril 15, 2008 às 7:06 am
Mercia
Eu concordo… acho que o amor atrai mais amor… e esse sentimento de posse é uma coisa um pouco destrutiva… pra mim não é amor.
beijos e gostei do tema da discussão
Abril 15, 2008 às 10:32 am
Lys
Dani, estou na metade do livro e por isso ainda nao sei bem se o que vou falar corresponde. Voce que ja leu tudo deve saber melhor, mas vou deixar aqui minha impressao ate agora.
Eu nao estou achando a amizade das duas excludente. Nao acredito que o fato de a Roz nao ter mudado com o marido tenha algo que ver somente com a Lil, mesmo porque isso nao eh deixado claro em nenhum ponto do livro ate onde li. No meu ponto de vista, o pior veio da parte do marido da Roz que nao soube entender que ela amava ele e tambem a amiga. Nao soube dividir o amor de Roz pois a queria por completo. Ja tive uma amiga dessas assim ciumentas que nao sabe te dividir com ninguem e isso eh sufocante. Nada a ver com a amizade da Lil e da Roz.
A Roz tinha a vida dela toda construida em sua cidade, nao apenas a Lil. Seria injusto colocar toda a culpa da atitude da Roz em sua amiga, afinal, somos nos obrigadas a seguir nossos maridos para aonde quer que eles decidam ? E ainda mais no caso em que a decisao tem como pivo sua melhor amiga e de forma tao injusta ? Vou ser sincera e dizer, se meu marido me viesse com essa historia eu ia achar que ele estava arrumando era uma bela desculpa para cair fora
Durante a adolescencia e juventude no livro fica claro que ambas tiveram vidas paralelas, cada uma brilhando em seu proprio palco. Ate onde li, nao acho que elas eram excludentes de forma alguma. Elas eram apenas amigas de verdade e se amavam como amigas e apenas isso. Dificil entender porque eh dificil de acontecer na realidade. Geralmente desenvolvemos essa “amizade” com nossos companheiros e nao com nossas amigas de infancia, mas acho bem normal o caso das avos.
E para terminar, elas amavam outras pessoas. A Roz amava seu marido, a Lil nao deu sorte com o dela (o que tambem acontece) e ambas amavam seus filhos.
Abril 15, 2008 às 8:45 pm
ethel scliar
Li o conto como se fosse um pouco circular, até porque ele começa e vai para um flashback, retornando no final - uma mandala, um labirinto. Lil e Roz se afastam, retornam, voltam a se afastar e retonar, sempre conectadas, como se um fio de Ariadne as interligasse - e mesmo que tentem, não conseguem desentrelaçar suas vidas. Lembrei destas historias de casais que, quando um morre, o outro tambem não resiste. Exemplo recente: John Wheeler, cientista (mais conhecido por ter difundido o nome “buraco negro” para este fenômeno astrifísico), que morreu dia 13 de abril. Sua esposa tinha falecido em outubro de 2007, depois de 70 anos casados. Mas este apego tão fechado sempre me soa estranho, até porque nunca entendi estas histórias de ciúme e posse. Não dou conta nem de possuir minha própria vida, imagina de outro! Uma semana de intensa amizade para todos. Ethel SC
Abril 16, 2008 às 10:16 am
Lys
Terminei de ler o livro Dani. Acho que o que os faziam parecer excludentes era somente o fato do incesto psicologico e nao a amizade em si. Isso os tornavam cumplices e de certa forma impenetravel porque nao tinham possibilidades de abrir a situacao para outras pessoas. Eh desconfortavel para as meninas sim, mas por outro lado, nao poderia ser diferente. As avos conheciam o marido delas melhor do que elas em todos os aspectos. Normal elas se sentirem desconfortavel com essa situacao.
Realmente muito legal o conto. Terminei de ler e gostei muito.
bjs
Lys