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Continuando o que comecei no meu post passado, hoje darei continuidade a Trilogia dos Excludentes e Excluidos que conta com os posts: Amizade (que ja foi publicado aqui), Cumplicidade e Incesto. Hoje vou publicar a segunda parte.
Cumplicidade:
Uma coisa que concordo mas ao mesmo tempo discordo dos comentarios que li eh a sugestao de que as avos tenham criado um grupo fechado aonde ninguem entra e ninguem sai. Como assim concordo discordando ? Pois bem, concordo que no final existia um grupo fechado entre os quatro (avos e filhos), mas acredito que isso tenha acontecido apenas por forcas das circunstancias. Afinal, os que nao se encaixam se excluem nao eh mesmo ?
* Segundo o ponto de vista deles: Eles eram cumplices de uma situacao que se desenrolou de forma natural que aos olhos da sociedade seria visto como um crime. Essa mistura de culpa e remorso os faziam fechar e omitir com todas as forcas o seu grande segredo. Eram os quatro cumplices de um crime que nao podia ser divulgado. Olhares atentos e preocupacoes constantes sobre a exposicao de um sentimento. Qualquer caricia ou carinho deveria ser policiado a cada momento. Se as pessoas descobrissem seria uma vergonha. Uma vergonha nao porque duas mulheres maduras e bonitas e independentes estavam tendo relacoes sexuais com adolescentes, nao por causa disso, mas sim porque esses adolescentes poderiam ser considerados seus proprios filhos. Essa propria dor que as atormentavam era a mesma fortaleza que as protegiam pois jamais ninguem suspeitou que algo do tipo poderia estar acontecendo, afinal, eram todos uma grande familia. Ser considerada lesbica nesse aspecto, mesmo que de forma equivocada, era mais confortante para as avos do que expor a vergonha de estarem apaixonadas por seus proprios filhos. Pois ser lebica as excluiriam sim, mas nao as colocariam na fogueira dos infernos como a familia Borgia do seculo atual
.
Na atmosfera, uma mistura de amor, ternura, cumplicidade e acima de tudo medo que aos olhos de outros poderia ser interpretado de algumas maneiras:
a. Segundo o ponto de vista de Hannah: Eles sao apenas uma bela familia e com a cumplicidade natural de uma familia. Eh natural que exista esse carinho e cumplicidade entre os rapazes e as maes, ja que foram criados juntos desde que nasceram. Elas sao as maes deles !
b. Segundo o ponto de vista de Sam: Elas sao lesbicas e criam os meninos como se fossem seus proprios filhos. Era necessario uma presenca masculina na casa para apoiar os meninos para que eles crescessem saudaveis.
c. Segundo o ponto de vista de Mary: Eles possuem entre eles algo mais do que cumplicidade natural. Eh inconfortante saber que existe alguem que conhece seu companheiro mais do que voce em todos os aspectos
possiveis. Entao ai surge a duvida, a inseguranca e a curiosidade que levou ao descobrimento dos fatos.
Agora temos os excluidos por um lado e “os quatro” excludentes de outro. Por outro lado, “os quatro” excludentes continuam sendo excluido se considerarmos os padroes de sociedade vigente. E por esse mesmo lado os que antes eram excluidos fazem parte da sociedade excludente tambem. E de excluidos eles passar a ser excludentes
Égua de ti Scilar… por meu livro nao ter chegado eu vinha justamente tocar no assunto insesto. Ai tu me jogas um post desse onde só me resta lavrar e sacramentar o tema??? Égua de ti!!! Mas como sou enjoada, vou meter meu bedelho do mesmo jeito!!!
Na minha opinião, o incesto existe, ou ele acontece, quando a estrutura familiar se rompe. A natureza, a Igreja (qualquer uma), o universo “criaram” a instituição família: pai, mãe, filhos, tios… todos vivendo em um cla, alegre e felizes. A vida moderna afastou os parentes para outras terras… essa mesma modernidade trouxe o divórcio. E eu me atrevo ainda a dizer (mas mau marido não leia) que a natureza impulsionou o homem a constituir novas famílias. Os laços familiares foram assim se quebrando.
Sangue conta… mas o peso maior de nossos sentimentos são baseados naquilo que vivemos junto dos outros. John e Jenny, Wood e Soon-Yin nao viveram uma relação de pai e filho. Todos foram separados na infancia e se encontraram anos depois. O sentimento que tem um pelo outro depois de tanto tempo poderia ser tudo, inclusive o amor incestuoso.
Dessa forma chego a conclusão que a RELACAO de maternidade/paternidade é construída, ano após ano, mas o sentimento maternal/paternal… e amor entre pais e filhos, esse sim é instintivo!
Gostei da idéia da trilogia, que a Lys vai fazer. Bem, a minha trilogia aborda três formas de preconceito que perpassam o conto: questão de idade (falei no meu ultimo post sobre isto); questão de gênero e questão de incesto. Hoje, vou falar sobre o incesto.
“I have everything, she decided. But then, a voice from her depths – I have nothing.”
Doris Lessing, As avós.
O incesto é um tabu fortemente estabelecido em nossa cultura. Aparentemente, acreditamos que é um tabu “natural”, ou seja, que todas as culturas através dos tempos, apresentam este mesmo tabu. A explicação “cientifica” para tanto é que a preservação da espécie fala mais alto – e relações entre parentes consangüíneos apresentam maior possibilidade de gerarem filhos com problemas genéticos.
Vários graus de incesto
No entanto, existem uma larga variedade de relações sob a denominação “incesto”. Pais com filhas. Irmãos com irmãs. Tios com sobrinhas. Primos com primas – e vice versa, ou do mesmo gênero. Os dois últimos casos (sobrinhos, primos), por apresentarem um distanciamento genético maior suscitam também maior discussão, dentro da regra acima falada (geração de filhos saudáveis). É interessante destacar que tal postura reafirma que as relações de amor e sexo devem ter um só objetivo: a procriação. Aliás, esta fato também é reforçado no conto, quando as duas amigas conversam sobre o futuro de seus filhos – precisam se casar, ter seus próprios filhos, enfim, devem se “enquadrar” no modelo familiar tradicional. A noção de família com o objetivo de procriação vem sendo profundamente questionada desde o advento da pílula anticoncepcional – e hoje o debate ganha força renovada com a questão do aborto e dos movimentos pró-vida. Denise discute este assunto em seu blog, ao comentar o filme Juno.
Estranhamento
O incesto ganhou status suficiente para ser analisado e discutido em nossa sociedade a partir de Freud, que disseminou o conceito do Complexo de Édipo. Édipo, cheio de culpa, que assassina o pai, que se casa com a própria mãe, que arranca seus olhos… Existe uma análise, de Foucault, sobre o mito do Édipo, em que ele mostra como, dentro da peça teatral de Sófocles, Édipo Rei, se percebe a construção das várias formas de culpa/castigo e justiça que o ser humano desenvolveu através dos tempos. Bom, mas isto já é outro tema. Voltemos ao incesto. No livro, este incesto transparece pela relação não consangüínea, mas sim, desenvolvida durante o crescimento dos dois meninos. Algo similar com a adoção que, hoje, também é tão debatida. O sentimento de maternidade / paternidade é instintivo ou construído? Os defensores da adoção e das novas estruturas familiares defendem que ele é construído. A cultura popular defende o contrario – daí a quantidade de “madrastas do mal” que povoam as histórias e contos infantis. Que tal examinar dois exemplos nos dias de hoje para conferir como as pessoas reagem quando as histórias saem da ficção para a realidade?
Incesto consangüíneo: o caso de John e Jenny.
É claro que os casos de incestos raramente vêm a público, mas psicólogos acreditam que são mais comuns do que usualmente se pensa. Um dos que geraram controvérsia foi o do casal australiano, John,61, e Jenny Deaves, 39. Eles se reencontraram após trinta anos e se envolveram sexual e afetivamente. Tiveram dois filhos. O primeiro, morreu com 4 dias. O Segundo bebe, que tem 9 meses, vai bem, obrigada. O pai alega que a morte do primeiro bebê não tem nada a ver com o fato de serem parentes. Afinal, diz ele, morrem centenas de bebes todos os anos com o mesmo problema, e ninguém alega que a culpa é dos pais.. Continua ele: -A sociedade se incomoda com este fato. Nós não! Estamos felizes, não fazemos mal a ninguém.
Mesmo assim, o justiça interveio no caso, e sentenciou o casal a três anos de prisão. Atualmente, eles são monitorados e proibidos de manterem relações sexuais (o que no Brasil se chama casamento com separação de corpos). Agora, uma perguntinha: proibido de terem relações sexuais? Por que? Para saber mais sobre o caso, ele está na mídia.
Incesto não parental: o caso Woody Allen
Em 1992, Mia Farrow, então esposa de Woody Allen, descobriu que ele a filha adotiva do casal, Soon-Yi, estavam tendo um caso. A repercussão foi enorme, incluindo a questão do incesto e da diferença de idade (Allen é 35 anos mais velho que Soon-Yi). O casal se separou e Woody Allen finalmente se casou com a filha adotiva em 1997. Adotaram duas crianças. Durante todo o processo, Mia alegou que Woody Allen havia molestado as crianças, proibiu a visitação aos outros filhos do casal e colocou lenha na fogueira. O cineasta foi praticamente execrado nos EUA e colocado – não vou dizer na geladeira! – foi no freezer mesmo. A relação já dura 16 anos e Allen conseguiu cativar novamente o público Americano.
São muitas as perguntas em torno destes assuntos. Uma, que me intriga, é a interferência do estado nos assuntos familiares. As vezes, parece nítido e claro que esta interferência deve existir – a obrigatoriedade da vacinação está aí para comprovar isto. Outras, nem tanto. Como delimitar o campo de atuação? Quais os critérios que devem ser utilizados? O que deve ser considerado aceitável – e por que? Afinal, os escravocratas tinham fortes argumentos para considerar “normal” a exploração dos negros! Hoje, sabemos que era uma questão econômica. E no caso do incesto, consangüíneo ou não? Como delimitar a aceitação? No livro, parece fácil aceitar. Na vida dos outros, também – afinal, quem deve se meter onde não é chamado? Mas… Mães e pais de plantão: como vocês reagiriam com seus próprios filhos casando com seus parceiros? Ou seus filhos casando entre si? Ethel Scliar
Uma coisa que não entendi no livro foi o término da relaçao entre as avós e os filhos!! A Roz e o Ian não tinham porque terminar… eles se amavam e os dois sofreram com o término!!! O término do Tom e da Lil eu até entendo, porque o Tom queria casar e ter filhos.
Fico me perguntando se isso era só medo do preconceito ou se era um preconceito delas também!! Não lembro qual das duas fala em um momento do livro que não poderiam fazer isso com os meninos pois eles mereciam casar e ter filhos!!! Pô, os meninos já eram dois homens, será que eles não poderiam decidir isso!?!? E porque as duas mulheres decidem juntas terminar?!!? Elas simplesmente informam o término, não acho isso justo!!
Pra mim elas se acovardaram com medo do preconceito que iriam sofrer!! Sem contar no próprio preconceito de assumir pra cidade que estavam com os filhos uma da outra!! Tudo bem, sei que deve entrar uma certa culpa por essa relação ser meio incestuosa e tudo… mas se existe amor porque não lutar por ele!?!?
O que acham?!!?
Beijos, Dani
Dessa vez foi a vez de nosso companheiro de leitura Alvaro escolher o proximo tema de discussao aqui no Clube do Livro. O tema proposto foi o 2º Centenario da vinda para o Brasil da Corte Portuguesa. Como de costume, tres livros foram colocados em votacao (veja esse link aqui) e o escolhido foi o livro O Chalaca de Jose Roberto Torero.
Nas suas 228 paginas, forjando os diarios de Chalaca, secretario particular de Dom Pedro I, o autor compos uma obra literaria reveladora e picaresca (segundo o site Submarino).
Sinopse Completa:
O romance contém as supostas memórias do conselheiro Francisco Gomes da Silva, o Chalaça, fiel secretário particular de D. Pedro I, personagem que viveu os mais importantes fatos do nascente Império brasileiro. Torero recria brilhantemente – e com humor implacável – a vida deste que teria sido um dos mais importantes auxiliares de Pedro I, não só na política, como em seu dia-a-dia – era sua atribuição, por exemplo, intermediar os encontros do Imperador com as filhas de Eva.
Sobre o autor: TORERO, JOSE ROBERTO
José Roberto Torero é autor de “O Chalaça” que ganhou o Jabuti 1995 de melhor romance , “Uma História de Futebol”, prêmio de altamente recomendável pela FNLIJ e de vários outros títulos como “Terra papagalli” e “Xadrez Truco e outras Guerras” – coleção Plenos Pecados. Em cinema, dirigiu e escreveu curtas-metragens – entre eles, o premiado “Amor” – e trabalhou como roteirista nos longas “A Felicidade É” e “Pequeno Dicionário Amoroso”.
Fonte: livraria cultura.
Apenas uma curiosidade: O autor eh Santista (como aquela que vos fala
) e possui dois blogs: Blog do Torero e Blog do Lele (seu sobrinho ficticio).
E enquanto compramos e lemos o novo livro, ainda temos mais duas semaninhas de Doris Lessing por aqui.
Finalmente peguei no livro. E foi assim, como todos os outros autores, lido em uma sentada. O livro eh envolvente e como o Lino ja disse, possui uma linguagem simples porem refinada. Me assustei um pouco com a primeira pagina, pois logo de cara ja encontrei umas tres palavras que eu nao sabia o significado. Achei que teria problemas com o ingles pelo fato de a autora ser britanica e tambem merecedora de um nobel de literatura. Ou seja, fui pre’ conceituosa e quebrei a cara
. Que feio ne Lys ? No final, Doris me ensinou que nao eh necessario escrever um texto rebuscado para se fazer literatura com maestria.
Adorei o conto. Como todos ja disseram aqui, achei envolvente, gostoso, dinamico e muito bem escrito. No entanto, cheguei a conclusoes diferentes das dos meus colegas autores a respeito de alguns pontos da estoria. E eh isso que acho mais interessante nesse clube sabia ? Sete pessoas lendo o mesmo livro e cada um apontando para algo interessante e segundo um ponto de vista diferente. E como disse a Scliar em um comentario no post da Cica, depois que a obra saiu das maos da Doris que as criou, as avos seguem seu rumo e cabe a nos criar o resto da historia em nossas cabecas.
Vou contar para voces alguns topicos que para mim sao pontos interessantes nesse conto, mas terei que dividir em tres partes para nao ficar muito longo (pois eh pois eh, estou comecando a me preocupar com isso). Chamarei a serie de posts de: Trilogia dos Excludentes e Excluidos que contara com os posts: Amizade, Cumplicidade e Incesto. Hoje vou publicar a primeira parte !
Amizade:
O livro conta uma estoria de amizade sincera e para toda uma vida. No meu ponto de vista a amizade entre as avos (Roz e Lil) era apenas uma amizade legal e sincera. Nao havia cobrancas e nada de ruim entre elas. Nao havia nenhuma relacao de inveja e ciumes alem do normal entre duas amigas. Nao havia tentativa de possuir a existencia da outra ou produzir dependencia. Apenas uma amizade que evolui em ciclos, seguindo seu rumo e brilhando em palcos paralelos, porem sempre proximas. Nao por obrigacao, mas apenas por opcao.
Segundo o ponto de vista de Harold (marido de Roz), era inconcebivel dividi-la com outra pessoa. Nao entendia como sua esposa poderia ser mais intima de uma terceira pessoa do que com ele proprio. Eh bastante facil compreender o lado de Harold tambem, pois quando nos casamos queremos de certa forma possuir o companheiro e ser a pessoa mais importante da vida dos nossos conjugues. Vai dizer que nao ? Nao conheco nenhum casal que seja diferente.
No entanto ate mesmo Harold no final chegou a conclusao de que nao havia nada de mal entre as avos, e sim, que ele gostaria de ter uma relacao mais tradicional que finalmente conquistou no futuro e todos viveram felizes e em harmonia. Uma familia tradicional e bacaninha de acordo com os padroes de felicidades da maioria.
Apesar de Lil ter sido o pivo da separacao, nao ha nenhuma evidencia no livro que indique que o motivo principal da decisao de nao mudar de cidade com o marido tenha sido o fato de ficar longe da amiga. Roz tinha sua vida ligada a cidade, sua carreira e seus desejos futuros. Ficar foi uma opcao aonde pesaram varios fatores nao somente a amizade. Eu faria diferente, pois tambem gosto desse esquema bacaninha de acordo com os padroes de felicidades da maioria, mas entendo que Roz teve motivos de sobra para ficar.
Agora aqui me pergunto, quem era o excluido e quem era o excludente da relacao ? Harold se sentia excluido da relacao entre Roz e Lil. Por outro lado ele disse que Roz nao se encaixava no grupo de pessoas normais capazes de compor uma familia tradicional segundo os padroes vigentes na sociedade. Ou seja, agora a excluida eh Roz e Lil ?
Os três livros que sugiro para que um seja escolhido pelos membros do Clube do Livro estão aí. Curtimos o 2º Centenário da vinda para o Brasil da Corte Portuguesa. Não sei se isso foi bom, se isso foi mal (aposto mais na primeira hipótese), mas ajudou a formar o Brasil como nacionalidade. Dos três livros, 1808 é o mais longo, mas rico em fatos de natureza histórica. O Sol do Brasil é considerado o mais intelectualmente sofisticado, requintado. O Chalaça conta, através do texto irreverente do autor, a história de um personagem caricato da nobreza, mas que é uma espécie de retrato do lado menos sério do brasileiro. Os três livros são muito bem escritos. Mãos à obra, portanto.
1808
A fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro ocorreu em um dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo. O propósito deste livro, resultado de dez anos de investigação jornalística, é resgatar e contar de forma acessível a história da corte lusitana no Brasil e tentar devolver seus protagonistas à dimensão mais correta possível dos papéis que desempenharam duzentos anos atrás. ‘1808 – Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil’ é o relato sobre um dos principais momentos históricos brasileiros.
O Sol do Brasil
A historiadora Lilia Moritz Schwarcz se debruça sobre a vida e a obra do pintor francês Nicolas-Antoine Taunay. Um ensaio a respeito do imaginário francês sobre os trópicos, da arte neoclássica e da vinda da família real portuguesa e do grupo que a historiografia batizou de ‘Missão Artística Francesa’. Um livro de muito conteúdo e que retrata o Brasil de 200 anos passados com muita sensibilidade e arte.
O Chalaça
O romance contém as supostas memórias do conselheiro Francisco Gomes da Silva, o Chalaça, fiel secretário particular de D. Pedro I, personagem que viveu os mais importantes fatos do nascente Império brasileiro. Torero recria brilhantemente – e com humor implacável – a vida deste que teria sido um dos mais importantes auxiliares de Pedro I, não só na política, como em seu dia-a-dia – era sua atribuição, por exemplo, intermediar os encontros do Imperador com as filhas de Eva.
Estou a mais de meia hora olhando essa tela tentando escrever meu post, mas minhas avós ainda não chegaram (como se não bastasse tá inventando palavra no título, essa intimidade com quem ainda nem foi apresentada) e estou tentando me basear nos post dos outros colegas para fazer o meu. E como se faz isso sem cair no pecado “concordo com fulano, discordo de beltrano”? E ainda me fica aquela sentimento de “não gastar munição antes de começar o tiroteio”.
Lesbianismo e incesto… pois é né? Nem era para ser polémico. Amizade, amor… eeeiiii, a gente tá falando do mesmo livro??? Eu jurava que ia ler um história de duas senhoras amorosas que sentam em suas cadeiras de balanço para bordar enquanto um delicioso cheiro de bolo de fubá inunda o ambiente… Que coisa!!!
Mas é essa a visão de avó que 90% das pessoas tem. E isso nao mudará de uma hora para outra. Não estou levantando bandeira para acabar com essa imagem doce e terna da vovó, por favor, minha veia revolucionária foi clampeada a algumas décadas… NAO MUITAS, pois só uma jovem avó!
Porém, gostaria de levantar uma questão: se fosse “As tias”, mudaria alguma coisa? Eu sei… ninguém aqui está “chocado” com duas velhotinhas lesbicas, mas e o mundo?
Estranheza. Perplexidade. Um impulso de subverter o curso da história, refazendo a própria história. A relação amorosa das duas amigas (avós, o que reforça a diferença de idade) e seus respectivos filhos, é encoberta pelos planos para que uma vida rotineiramente tradicional se estabeleça. Como a diferença de idade é um dos plots do conto, vamos pular da ficção para a realidade.
50 ANOS DE DIFERENÇA
Tive dois namorados (não simultaneamente! Minha “modernidade” não chega a tanto…). Entre os dois, uma diferença de 50 anos. Ou seja: tive um namorado 25 anos mais novo que eu e um outro 25 anos mais velho. Geralmente, a pergunta que eu mais ouvia, em especial dos homens, quando contava isto, era: -E qual era o melhor? Entenda-se, aqui, “melhor” como desempenho sexual! Que parece ser uma grande preocupação masculina (me corrijam os homens, se eu estiver errada).
O problema, para mim, é definir este melhor. Lembro o que disse uma das minhas filhas, quando ela tinha 18 anos, sobre seu recente namorado. Ela, toda orgulhosa e muito segura de si: -Ah, está maravilhoso! Nós temos uma relação fantástica na cama, perfeita.
Caramba! Ou minha filha tem o dom da sabedoria precoce, ou eu era uma completa idiota aos 18 anos (agora, menos completa).
Voltando aos comentários. Em relação ao namorado que era mais velho, o comentário do filho dele: -Ela só pode estar interessada no seu dinheiro.
Em relação ao mais novo, comentário da família e dos amigos: -Ah, ele só pode estar interessado em seu dinheiro!
Parece que existe um tabu nas relações afetivas que transgridem as barreiras geracionais e que, portanto, só podem se estabelecer segundo os critérios de valoração na sociedade atual: sexo e dinheiro. Preconceitos que achamos superados Estarão mesmo? No caso do meu namorado mais novo, existia um outro componente, pois ele possuía um cabelo super longo e eu, na época, usava cabelo Joãozinho, bem rente. De costas, segundo os critérios vigentes, eu parecia o menino e ele a menina… Mas aí já entra a questão de gênero -também presente no conto-, que fica para o próximo post.






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