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doris1.jpgHá alguns dias, quando este Clube estava escolhendo o autor que seria lido por todos os seus integrantes, fiz uma opção por J. M. Coetze, um autor sul-africano que fala sobre o seu pais tendo como pano de fundo o apartheid. Os dois outros autores eram Doris Lessing e Orhan Parmuk que, tal como Coetze, não li, mas pelo qual não me interessei.

De Lessing já havia lido, há algum tempo, os livros da série Canopus. Segundo os especialistas, eles tem fundo sufista, apelando mais para o espiritual que para o material, fala de outros mundos, outras filosofias e de relacionamentos diferentes. Talvez por isso tenham uma prosa densa, mais encorpada, que chega, em alguns momentos, a ser de difícil leitura, não pela própria prosa, mas pela abordagem dos temas que os livros desenvolvem.

Bom, o fato é que Doris Lessing foi escolhida. Vencido de maneira democrática, comprei o livro e comecei a lê-lo para me surpreender. Primeiro, com a linguagem, bem diferente do que dela há havia lido. As Avós, ouso dizer, tem uma prosa quase poética que, em muitos momentos, apelam para as figuras de linguagem, que dão um colorido especial à narração e tornam o texto, no final, um verdadeiro prazer de leitura.

Construído quase que de forma circular, pois parte quase do final para ser desenvolvido em flashback, o livro – pequeno – vai construindo uma história que sempre vai nos surpreendendo. A trama, bem construída, vai nos envolvendo e, a cada linha lida, temos vontade de ler a seguinte, saber como a história se desenvolveu, como terminou.

De fato, li o livro em um fôlego só. E nem tanto pelo seu tamanho, mas pela atração e envolvimento proporcionado pela história. Resumindo: gostei muito. E vi uma Doris Lessing bem diferente do que havia lido, do que conhecia. Chego a pensar que, neste caso, existem duas escritoras.

Uma, a que se dedicou à ficção científica, um tema que, muitas vezes, não tem profundidade. Outra, que escreveu As Avós, uma história deliciosa mas que, no final, vai permitir uma boa reflexão sobre os relacionamentos humanos.

Como dizem que a primeira impressão é a que fica, gostei tanto de As Avós que vou procurar ler outros livros da autora, que não os da série Canopus.