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Esse é o último post sobre esse tema super interessante escolhido pela Cissa. Desde o comeco, antes mesmo do livro ser escolhido, esse tema já estava dando pano pra manga nos e-mails que trocamos entre os participantes do Clube do Livro. A discussão continuou aqui nos posts, sempre de forma super interessante e enriquecedora.

A verdade é que ninguém passa batido, sem ter nenhuma opinião ou uma reflexão a respeito, quando o tema é esse. No caso da Mukhtar, que foi estuprada, a violência é física e, por isso, visível. Quando a violência deixa provas concretas, o nosso engajamento intelectual e emocional acaba sendo quase que imediato. Primeiramente ficamos revoltados com o ato em si e sentimos extrema empatia com a vítima, para depois passar a tentar fazer com que alguma coisa nessa história terrível faca sentido. A mesma coisa ocorre quando, por exemplo, falamos de circuncisão feminina. “Que coisa horrível, que ato bárbaro. Pobre menina, doe em mim só de pensar. Mas é a tradicão deles, a cultura é assim.” A verdade é que quanto mais longe da nossa própria cultura, mais difícil fica de compreender os rituais dos outros, ainda mais quando esses envolvem violência física. Já a violência que não deixa tracos físicos não nos engaja da mesma maneira. Por exemplo:

- Milhares de fetos são abortados todos os dias e em muitos países unicamente pelo fato de que esses fetos são meninas.

- Milhões de mocas e rapazes sao obrigados a aceitar casamentos arranjados por suas famílias.

- Milhares de viúvas na India são condenadas a viverem isoladas, sem contato algum com a sociedade, pelos simples motivo de que seus maridos estão mortos.

- Milhöes de mulheres ainda hoje recebem salários bem menores que homens, mesmo desempenhando a mesma funcão e tendo cargas horárias equivalentes.

- Milhões de mulheres alteram seus corpos através de cirurgias estéticas, colocando muitas vezes suas vidas em perigo, a fim de que consigam corresponder aos padrões sociais de beleza.

Na minha opinião, a violência que se pratica de forma sutil, tao sutil que a própria vítima não se percebe como tal é a  pior de todas. Mukhtar já era vítima dessa violência muito antes dela ter sido estuprada, mas por conta da quietude dessa violência, ela jamais recebeu ajuda, tão pouco identificou ela mesmo que necessitava de ajuda.

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