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“Você é como uma criança que aprende a caminhar. É uma vida nova e você tem que recomeçar do começo. Eu não sou psiquiatra mas me conte sobre a sua vida antes disso tudo, sobre a sua infância, seu casamento e até mesmo sobre essa situação horrível a qual você foi submetida. Você tem que falar, Mukhtar, porque falando a gente põe pra fora tanto coisas boas quanto ruins. A gente se liberta. É como lavar uma peca de roupa suja: só quando ela finalmente fica limpa é que a gente pode usá-la sem receio.“
(…)
“- Você fala sempre o que você pensa?
- Sempre!”
(…)
“Eu consegui realmente falar com Naseem e contar tudo pra ela. (…) O meu sofrimento físico e psíquico, a vergonha, a vontade de morrer, a confusão mental, como quando eu voltei sozinha para casa e me atirei na cama, como um animal agonizante. Pra ela eu pude falar coisas que seriam impossíveis de ser faladas para minha mãe ou minhas irmãs, pois, desde muito pequena, somente uma coisa eu fui ensinada - a me calar.”
Esse insight da Mukhtar, pra mim, valeu o livro, e a partir daí eu comecei a achá-lo interessante. Foi a necessidade de fazer com que a sua história fizesse sentido, que a levou a tomar as atitudes que ela tomou. Foi assim que ela aprendeu a falar - até então, ela só repetia a história dos outros.
Beijo pra vocês e bom fim de semana.
