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Essa semana esta dificil achar o que falar aqui no Clube do Livro. Com a Coletiva ainda dando o que falar e com a quantidade de informacoes novas sobre a mulher, violencia domestica, sexual e psicologica que ainda enfrentamos no Brasil e que aparece de forma muito mais brutal em outros paises como a Africa e o Oriente Medio, fica dificil pensar e achar um topico bacana para dar continuidade. Assuntos sao varios… tantos que nos deixa ate meio perdida.

Quando se fala em assuntos relacionados as mulheres existem varias contradicoes, discordancia e ate mesmo intrigas. Li o livro inteiro e voltei para reler algumas partes que para mim nao ficaram claras e devo confessar que acabei o livro com uma sensacao identica a que a Scliar expressou no post dela. Acabei o livro com um certo desconforto que nao consegui e ate agora nao consigo explicar.

Pode ser sim que o motivo pelo qual eu sinta esse desconforto seja devido ao tema bastante pesado e a historia bastante triste e hedionda pela qual passou a paquistanesa. Pode ser que meus sentimentos venham apenas pela incapacidade de compreender a cultura muculmana e a religiao. Pode ser tambem que esses sentimentos tenham surgido apenas por eu nao ter entendido uma passagem ou outra do livro, pois como disse a Lu nesse seu post aqui, o livro passou por varios processos de traducoes e conversoes ate ser terminado. Eh dificil transformar em um livro o relato de alguem que vive um cultura completametamente diferente da sua. Talvez em alguns pontos a autora tenha colocado um pouco mais da opiniao dela ou filtrado uma ideia ou outra de nossa heroina apenas para nao parecer tao agressivo aos olhos dos ocidentais. Nao sei o que aconteceu, mas que de fato o livro eh cheio de contradicoes a sim isso eh !

Mas contradicoes por contradicoes vimos tantas essa semana que me surpreenderia mais se esse livro tao complicado, que fala de religiao, politica, cultura e violencia nao apresentasse essas mesmas contradicoes. O fato eh que nos pensamos diferente, somos diferentes e estamos inseridos em uma sociedade diferente aonde a pena de morte eh vista como crime tao barbaro quanto o estupro. Por essa razao a lei do tipo olho por olho e dente por dente que nossa heroina rejeita quando se refere a ela mas apoia quando se refere aos estupradores nos parece um pouco controversa. Por essa razao que a submissao religiosa de Mukhtar nos ferve o sangue e nos da nos nervos a ponto de sentir ate raiva de toda uma cultura diferente porem nao menos interessante.

No entanto, assim como em nossa coletiva, as contradicoes foram varias mas tem certas coisas que eh consenso absoluto e ninguem se nega. Portanto resolvi limpar meu coracao desses desconfortos e contradicoes no livro e me fixar em apenas uma coisa, a que eh consenso: A violencia , seja ela fisica, psicologica ou sexual, contra qualquer ser humano eh crime. No caso do livro tratamos da violencia contra a mulher.

No Paquistao, Mukhtar esta virando martir e lutando contra a violencia. E no Brasil ? Como andam as coisas ? Nessa coletiva surgiram varios posts interessantes sobre a violencia domestica aonde foi possivel aprender varias coisas inclusive que o estupro conjugal nao eh considerado crime ja que o sexo em um casamento nao eh ilegal.

Posso dizer que nossa Mukhtar brasileira eh Maria da Penha Maia cujo esposo, um professor universitario a tentou matar duas vezes. Primeiro com tiros e a segunda eletrocutada. Maria da Penha ficou paraplegica por conta das agressoes sofridas e seu agressor so foi condenado 19 anos depois e ficou preso apenas 2 anos, foi solto em 2002 e hoje goza de plena liberdade enquanto Maria da Penha esta condenada a viver em uma cadeira de rodas para o resto de sua vida.

A lei contra a violencia domestica no Brasil ate alguns anos atras nao estava muito longe da lei tribal da aldeia de Mukhtar. Em 2006 a Lei Maria da Penha foi sancionada pelo presidente Lula e dentre as varias mudancas promovidas pela lei esta o aumento do rigor das punicoes das agressoes contra a mulher. Segundo o Wikipedia:

A lei altera o Codigo Penal brasileiro e possibilita que agressores de mulheres no ambito domestico ou familiar sejam presos em flagrante ou tenham sua prisao preventiva decretada, estes agressores tambem nao poderao mais ser punidos com penas alternativas, a legislacao tambem aumenta o tempo maximo de detencao previsto de um para tres anos, a nova lei ainda preve medidas que vao desde a saida do agressor do domicilio e a proibicao de sua aproximacao da mulher agredida e filhos.

Obviamente que a lei Maria da Penha nao elimina o problema da violencia domestica no Brasil, no entanto, inibe e pune imediatamente. Quando sera entao que no Paquistao teremos a lei Mukhtar Mai ? Quantas mais Marias da Penha e Mukhtars terao que existir nesse mundo para mostrar para a humanidade que a violencia, seja ela moral , fisica, psicologica ou sexual, contra outros seres humanos eh crime ?

Meus respeitos a todas as mulheres que hoje em dia apanham em silencio apenas por nao conhecerem que outra forma de amor eh possivel. Meus respeitos a todas as mulheres que se calam diante da violencia por sentirem vergonha ou medo de serem violentadas ainda mais. Meus respeitos a todas as mulheres que apanham caladas em silencio para que seus filhos nao a escutem chorar e por acreditar que sozinhas nao conseguirao alimentar suas criancas e nao as pode abandonar. Meus respeitos a todas as mulheres que sofrem em silencio com a esperanca de que amanha as coisas ficarao melhores pois acreditamos na humanidade e acreditamos que os seres humanos nao sao animais. Entendo todas voces porque nao tenho duvidas de que ninguem apanha porque quer… sempre ha um motivo grandioso por tras do silencio, no entendo eh necessario entender tambem que o silencio de fato pode levar a cabo a sua existencia.

Como a Scliar disse aqui existem varias pessoas que poderao te entender e ajudar sem julgamentos. Essas pessoas poderao te dar suporte para resolver todos esses motivos grandiosos que te fazem calar. Inspire-se e siga entao o exemplo de Maria da Penha e Mukhtar que gritaram por suas vidas e continuam lutando pela vida de outras mulheres ate hoje. Transforme sua dor em um grito de socorro para voce e para todas as outras mulheres que pelos exatos mesmos motivos que voce estao na mesma situacao nesse exato momento. Procure ajuda antes que seja tarde demais.

Se você é uma mulher que está vivendo uma situação de violência e quer romper com o silêncio,

Central de Atendimento à Mulher
De qualquer lugar do Brasil e a qualquer hora, você pode ligar para denunciar a violência ou pedir orientações.
ou
Acesse o Guia de Serviços que atendem mulheres em situação de violência
Veja mais delegacias, centros de referência e organizações de atendimento à mulher


Apesar de ainda termos duas semanas de discussao pela frente com o tema Violencia por Tradicao proposto pela nossa querida Cica, chegou a hora de decidir qual sera o proximo tema !

Dessa vez o tema vem da Luciane que escolhe “ler pelo prazer de ler um livro bem escrito”. Para isso a Lu resolveu apostar nos tres ultimos autores que ganharam o Nobel de Literatura. Segue abaixo a mensagem de nossa amiga e autora do clube do livro Luciane Cesar, e com voces as novas opcoes !

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Resolvi apostar em carta certa, no que diz respeito a distribuicão no Brasil e na Europa, e escolhi os três últimos autores laureados com o Nobel de Literatura, Doris Lessing (2007), Orhan Pamuk (2006) e J.M.Coetzee (2003). Eu pulei os vencedores de 2005 e 2006, porque um só escreveu pecas de teatro e a outra, pelo que ouvi falar, escreve de uma forma difícil de traduzir. Como eu nao sei bulhufas de alemao (a autora de 2005 é austríaca) e acho que traducão é um ponto crucial, resolvi pular essa.

Então vamo´ lá!

1) As Avós, Doris Lessing. 104 p.
“Roz e Lil são amigas inseparáveis desde a infância. Cresceram, casaram, tiveram filhos, e vivem na paradisíaca bacia de Baxter, um lugar cercado de rochas por todos os lados. O ambiente protegido, “bocejante”, além do qual o “verdadeiro oceano rugia e roncava”, é o cenário ideal para uma relação cada vez mais simbiótica. Morando em casas vizinhas, elas criam os filhos por conta própria - e eles se tornam adolescentes encantadores.Tão encantadores e próximos, que Roz e Lil não tardam a se envolver uma com o filho da outra. Num efeito ambíguo e desconcertante, típico da grande literatura, o que poderia parecer repulsivo é tratado com naturalidade e bom-humor, fazendo a quebra de tabus soar como regra, e não como dramática exceção. Temas como a amizade, maternidade e sexualidade ganham novos contornos enquanto Doris Lessing esmiúça as complexidades e armadilhas da forte ligação entre essas duas mulheres, e retrata a força com que elas confrontam as convenções familiares e sociais de sua época.” (Submarino).

2) Neve, Orhan Pamuk. 436 p.
“Conta a história de Ka, um jornalista e poeta turco, que depois do exilio na Alemanha, retorna a sua cidade natal para escrever uma reportagem sobre uma onda de suicídios na região. A trama gira em torno de um romance, tanto quanto trata do conflito ociente X oriente, religião x ateísmo.” (Não lembro de onde copiei.)

3) Desonra, J.M.Coetzee. 246 p.

“Romance pós-colonial situado na Africa do Sul depois do Apartheid. O romance conta a história de um professor universitário branco de meia idade que se relaciona com uma de suas alunas. Quando a relacão dos dois é descoberta, ele nega-se a mostrar qualquer forma de arrependimento. Muda-se para uma propriedade rural de sua filha, em uma província no interior do país, onde a relacão de poder entre brancos e negros está prestes a mudar.” (Wikipedia)
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E eh isso ai ! Hora de decisao :) Facam suas apostas !

Beijos a todos e bora ler pelo prazer de ler um livro bem escrito !

Lys