É inegável, se olharmos apenas o Ocidente, que a posição da mulher é, hoje, muito melhor do que foi há alguns anos. Se perguntarmos, no entanto, se essa melhoria é geral, a resposta é não. Em alguns locais - e dependendo muito do meio - há liberdade, igualdade e as mulheres são respeitadas pelo que são, iguais ou diferentes.
O caso de Mukthar Mai nos obriga, de certo modo, a olhar para o lado ou para trás e ver que, talvez não exatamente na situação dela, mas muito próximo, existem milhões de mulheres. E não é o caso - aliás, também no Paquistão - de a legislação não reconhecer seus direitos. É que a cultura se sobrepõe a lei. E no final, até as próprias mulheres acham que estão cumprindo o seu papel.
Digo isso para insistir em que a educação é o único meio de transformar a situação. A educação, por sinal, é transformadora em todos os campos, pois abre a mente, faz com que vejamos as igualdades e diferenças e passemos a questionar coisas, regras, posições, etc. É por isso, talvez, que em muitas partes homens queiram manter as mulheres na ignorância. Sabendo mais, vão conseguir crescer, defendendo seus direitos.
A situação do Paquistão serve, também, como reflexão para o Brasil. Vivemos uma divisão clara, com uma parte - a parte Bélgica - vendo a condição da mulher de forma diferente, entendendo que tem de participar em todos os campos. E um outro - a parte Paquistão - onde a opressão ainda é a regra. E é nesta parte que se encontra a grande parcela dos brasileiros que são analfabetos, que nunca tiveram uma educação formal.
No Paquistão, na França, em qualquer país da Europa, América, África, Ásia ou Oceania a educação é a única forma de transformar as pessoas. E fazer com que as mulheres deixem de ser vítimas de procedimentos como os relacionados à Mukthar Mai.

2 comments
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Março 11, 2008 às 7:35 pm
ethel scliar
Lino, volto a insistir: depende de como se define educação e para onde ela vai. A Alemanha nazista era super educada. Deu no que deu. Tambem quero ressaltar que a agressão às mulheres (os números comprovam) não se restringe a quem não tem educação formal ou aos paises de baixa renda - nem mesmo às regiões pobres do Brasil. Ao contrário: ela se espalha por todas as classes sociais, de forma igualmente violenta. Os “boyzinhos” de plantão estão à espreita. Isto sem falar na violência psicológia, no assédio moral, na repressão, na exploração e muitas formas de ditadura (moda, estética). Um beijjo grande. Ethel
Março 15, 2008 às 2:37 am
Lys
Lino, estou contingo em absoluto. Eu tambem acho que a educacao eh a unica maneira de mudar alguma coisa, nao apenas a educacao formal que nos ensina a ler, mas mais importante de tudo, aquela educacao que nos faz pensar de forma abrangente.
O que a Sclar falou tambem eh pura verdade. Nao basta educacao, tem que ser educacao com qualidade. E vou te dizer que essa eh complicadissima.
Por exemplo, uma coisa que aprendi dessa coletiva eh que a maior dificuldade que os pais enfrentam hoje em dia eh a luta contra a midia. Eles tentam com carinho dar uma educacao menos preconceituosa para os filhos, mais libertaria, mas ai vem a TV passando conceitos capitalistas, adiantando brutalmente a sexualidade de nossas criancas, e sem falar na tonelada de conceitos sexistas e preconceituosos que a grande maioria dos programas infantis passam. E ai fazer o que ? Proibir seu filho a nao assistir TV ? Isso tambem eh uma imposicao que nao eh legal de ensinar.
A midia em geral, em todas suas formas, hoje em dia eh na minha opiniao a maior fonte “educacional” do povo de maneira geral. Entre os mais pobres e sei porque minha familia eh bem humilde e portanto convivo com eles no meu dia a dia, temos o conceito de que ser informado eh assistir o jornal nacional todos os dias. E voce pode ver que muitas pessoas humildes assistem todos os dias o jornal nacional tentando se informar porque acham que isso eh importante. O problema eh que a midia ao invez de informativa eh formadora de opiniao. E na minha opiniao eh ai que esta o nosso maior problema meu amigo. Somos educados exatamento do jeito que eh mais conveniente para uma minoria.
Muitos beijos
Lys