Não sei se cheguei a comentar o que me levou realmente (sem eguices) a escolher esse tema, mas vou repetir: na minha região existem muitos muçulmanos, marroquinos, egípcios, árabes, não dá pra saber ao certo de onde eles vem só de olhar. Na escola onde meu filho pequeno estudo, eles são em 40%, repito QUARENTA porcento (são 50 alunos, não é difícil tirar a percentagem).
Pois bem, um dia estou eu lá na escola ajudando meu filho a colocar os sapatos e chega uma mãe (muçulmana), com um bebe de uns 5-6 meses no colo e um da idade do meu, 4 anos. Ao ajudar seu filho a colocar os sapatos ela sentou o bebe no banco e o segurava com uma mão, enquanto a outra tentava amarrar o sapato do menino. Eu, diretamente ao lado, bem ao lado, do ladinho mesmo, instintivamente segurei o bebe. Ela sorriu, docemente, agradeceu, terminou de amarrar o sapato do mais velho e se foi. No dia seguinte tentei conversar um pouco com ela, que gentilmente se esquivava. Uma outra mãe, francesa, me puxou de lado e falou não adiantar: elAs não se misturam. Algumas não podem falar com “os de fora”. Foi quando comecei a observar o comportamento de todos lá: muçulmanos de um lado, franceses de outro. Bom dia, boa tarde boa noite e olhe lá. Nem nas reuniões eles comparecem! Não é problema do idioma, todos falam francês, já percebi!
Um ano se passou desde então e minhas observações não pararam por ai, e minha mente fértil foi se misturar as areias do deserto que eles deixaram pra trás. Deixaram sua pátria, mas trouxeram seus costumes, bons e maus como todos emigrantes. Quantas Mukthar Mai existem a meu redor com um grito sufocado na garganta???
Estou muito satisfeita com os post de vcs. Todos os pontos que eu gostaria de abordar, meu objetivo quanto a escolha do tema foi alcançado. Isso me dá um filete de esperança. Realmente, não somos nós que vamos mudar algo, são elas… as próprias mulheres. E elas só vão se sentir fortes o suficiente para tal quando se sentirem protegidas, quando tiverem certeza de serem ouvidas!
E ouvidos, temos cada um dois a dar a elas.



3 comments
Comments feed for this article
Março 7, 2008 às 11:02 am
Mercia
Ciça, que lindo seu texto!!!!
realmente quando a gente vem pra a europa e começa a tentar se relacionar com os muçulmanos e vê que é difícil…. aqui grande parte dos estrangeiros é iraniano… e eles não se misturam.. usam até uma hora diferente para almoçar…
Acho que as esposas deles só devem ficar em casa ou se relacionar com as outras esposas deles mesmos… todos contam que tem filhos.
a gente tenta, mas é difícil ter um contato com eles.
Março 8, 2008 às 4:36 pm
lucianecesar
Oi Cica!
Eu cresci em uma cidade no Brasil em que há muitos palestinos. O comércio é dominado por eles. Tive e tenho amigos super queridos que são palestinos / muculmanos. Porque será que é tao mais difícil se relacionar com muculmanos aqui na Europa? O que tu achas?
E o que tu achas de se relacionar com os nativos? É mais fácil? Sao mais abertos?
Beijo
Março 9, 2008 às 12:15 pm
Lys
Muito lindo seu post Cica e principalmente sua preocupacao.
Acho que a Lu colocou um ponto importante. Acho que esse nao eh um problema dos muculmanos e sim da humanidade. Temos tendencias a formar guetos.
Na Inglaterra mesmo existem comunidades brasileiras que nao se misturam de jeito nenhum. E sem contar o quao dificil tambem eh se misturar com os locais. Talvez com os muculmanos seja um pouco mais complicado mas acho que isso nao esta relacionado com a religiao. Talvez com a falcilidade de se expressar melhor em sua lingua pois por mais que falemos bem um idioma nao eh a mesma coisa que falar em nossa propria lingua. Alem disso tem o background cultural que uma ocidental provavelmente nao entenderia. Para nos realmente eh mais facil entender os franceses do que os muculmanos.
Enfim… eh complicado mesmo amiga.
beijos
Lys